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25 de dez. de 2025

Discurso de Posse de Rita Queiroz - cadeira 3

 Prezada Presidente Valéria Pisauro, Prezada Diretoria, Prezados integrantes e fundadores da Academia Internacional Poetrix, Prezada Comissão eleitoral, minhas sinceras saudações!

Saúdo também o poeta Goulart Gomes, a quem reverencio pela criação, pela divulgação e pela projeção do poetrix. Seu trabalho é incansável em prol desses objetivos, sendo também o motivo pelo qual nos reunimos nesta arcádia.

Meus agradecimentos às acadêmicas e aos acadêmicos que votaram em mim, validando meu trabalho como poeta. Meu muito obrigada!

É uma grande honra tornar-me membro da Academia Internacional Poetrix, juntamente com renomados poetas, pelos quais sinto grande admiração e respeito! Assim, comprometo-me a zelar e a servir aos propósitos desta arcádia, no sentido de elevar a cultura, a literatura e todas as ações que sejam encampadas para esse fim.

Saúdo e agradeço, especialmente, a acadêmica Luciene Avanzini, minha madrinha poetrixta, por todo incentivo que vem me dando desde 2019, ano em que nos conhecemos em Natal durante a realização do III Encontro Nacional do Mulherio das Letras. Foi ela quem me convidou para a oficina de poetrix, ministrada pela renomada Aila Magalhães, e para a Ciranda Poetrix, da qual faço parte desde então. Assim conheci oficialmente o poetrix e me apaixonei por esse texto minimalista.

Sou soteropolitana! Vim ao mundo aos 22 dias do mês de agosto, às 21h10min, ao som das águas da Baía de todos os Santos e sob as cores mágicas que fazem dessa data o dia do Folclore. Em Salvador, vivenciei algumas fases de minha vida, sempre tendo o Oceano Atlântico como horizonte, para onde mirava e sonhava com outros mundos, outros povos, outras culturas. O mar sempre me encantou, sendo banhada por ele desde bebezinha. Trago uma imagem muito forte da baía, quando visitei pela primeira vez o Museu Solar do Unhão. As luzes douradas refletidas nas águas diziam para mim que as dores sempre se esvaem na poesia, essa libertária manifestação artística que tudo transforma.

Seguindo meu destino ligado à palavra, cursei Letras Vernáculas na Universidade Federal da Bahia, onde também me tornei Mestre em Letras. Apaixonada por escritas antigas, dediquei-me ao estudo de manuscritos, sejam estes antigos ou contemporâneos. No Mestrado, estudei os sonetos do poeta baiano Arthur de Salles, falecido em 1952. No Doutorado, cursado na Universidade de São Paulo, debrucei-me sobre os manuscritos medievais do texto Castelo Perigoso, traduzido do francês para o português no Mosteiro de Alcobaça, em Portugal, o qual é composto por sete tratados que falam sobre como nos proteger dos perigos mundanos. Prosseguindo com a pós-graduação, fiz Pós-doutorado em Estudo de Linguagens na Universidade do Estado da Bahia, estudando o vocabulário de Jorge Amado na obra Tereza Batista cansada de guerra. Com toda essa ligação com o mundo das letras, fui professora universitária durante 30 anos, tendo lecionado a disciplina Filologia Românica na Universidade do Estado da Bahia e na Universidade Estadual de Feira de Santana.

Durante 25 anos dediquei-me com afinco à carreira acadêmica, sendo professora com dedicação exclusiva, produzindo diversos artigos, capítulos de livro, livros; orientado alunos e alunas de iniciação científica, de tcc, de mestrado e de doutorado, além de ter uma supervisão de pós-doutorado. A partir de 2015, aliando as carreiras acadêmica e literária, criei o coletivo Confraria Poética Feminina, o qual reúne escritoras baianas e que conta com 9 coletâneas, 2 agendas literárias e 1 CD. Com a Confraria Poética Feminina alavanquei a minha carreira solo, com 22 livros publicados: 10 de poemas, 3 de contos, 1 biográfico e 8 infantojuvenis. Participei de mais de 200 coletâneas/antologias, sejam estas nacionais ou internacionais. Dentre os livros de poemas, 1 é exclusivo de poetrix, Silêncios submersos (premiado em 2º lugar no Prêmio Ecos da Literatura 2024 na categoria livro de poesia), e 1 com poetrix, haicais e aldravias, Mínima poesia (premiado em 2º lugar pela Academia Internacional Poetrix na categoria livro que contenha poetrix).

Esta noite é memorável, como outras que já vivi e que ainda viverei. Neste 12 de dezembro de 2025, torno-me oficialmente membro da Academia Internacional Poetrix, ocupando a cadeira de número 3, tendo como patrona a escritora Olga Savary e como fundadora a Ana Mello.

Discurso de Posse de Margarida Montejano - cadeira 29

 Boa noite, Poetas, Poetrixtas, Confrades, Confreiras, Amigos e Amigas!

É um prazer imenso em estar com vocês nesta noite de festa e de inauguração de um novo tempo literário para mim e para outros quatro poetas: Rita, Ximo, Carmem e Soroka! Sinto-me feliz em estrear ao lado de pessoas tão potentes na arte da escrita!

Apresento-me a todas e a todos com emoção, alegria e, ao mesmo tempo, ansiosa com a responsabilidade que nos pesa em relação à AIP. Mas desafios são tentadores!

Eu sou Margarida Montejano, uma catadora de sentidos e palavras! Feminista e atenta ao cotidiano, reflito e escrevo, sobre a história das mulheres ao longo dos séculos e busco traçar um paralelo entre passado e presente no sentido de entender as metáforas, enigmas e senhas que nossas ancestrais nos deixaram. Escrevo desde a adolescência, mas foi na pandemia que minha escrita ganhou corpo. Sou autora do livro de contos,“Fio de Prata”; do livro de poemas e fotos “Chão Ancestral”; e dos livros infantojuvenis “A Poeta e a Flor” e “A Poeta e a Sabiá”, todos de engajamento feminino. E tenho, no prelo, o livro de contos, “O Silêncio da Loba”, a ser lançado no início de 2026.

Escrevo para a revista literária Voo Livre e para o blog Feminário Conexões. Participo de vários grupos, dentre eles: Selo Poetrix e Confraria Ciranda Poetrix, além de diversas coletâneas e dos principais eventos literários que ocorrem no Brasil.

Sou doutora em Educação e atuo como funcionária pública em Campinas. Moro em Paulínia/SP.

Sobre a origem da minha escrita

Penso que minha memória poética tem origem noutras vidas e, desde muito cedo, meu olhar busca encontrar uma pista. As situações do cotidiano clamam por serem escritas. Exemplo disso é quando vejo a vida ameaçada. Para mim, a escrita é um convite para que não desistamos de entender a realidade a fim de que possamos modificá-la e melhorá-la.

E é dessa forma que a escrita de memória dos corpos, mentes e vivências femininas me acham e me habitam. Escrevo movida pela indignação do que hoje, em pleno século XXI, vivemos. O massacre cotidiano à vida de mulheres não pode ser banalizado e normalizado e, para mim, a escrita é espaço e instrumento de denúncia.

Sobre o Poetrix e eu...


Como poeta, contista e, há aproximadamente três anos, escritora de Poetrix, assumo minha admiração por esta modalidade literária brasileira, de gênero poético, criada por Goulart Gomes.

O que me levou a concorrer a uma vaga nesta Academia tem a ver com o que o Poetrix fez comigo. De uma prática de poemas e textos longos para dizer algo simples, o Poetrix mostrou-me que eu sou capaz de ser sintética, objetiva, leve, audaciosa e artística na produção de textos literários. Que suas regras, ao mesmo tempo que limitam o tempo e o espaço, dão ao poeta a liberdade de dizer, fluir e voar. Sua singularidade me ensina que é possível surpreender, impactar e encantar em três versos.

Aprendi a gostar de Poetrix a partir do desafio de uma artesã das palavras, a querida poeta e escritora, Valéria Pisauro, e passei a produzir meus versos mínimos. Hoje, ouso me construir nessa arte que sempre me seduz. Obrigada, Valéria por me apresentar o Poetrix e por me desafiar à leveza! Valeu! Grata também aos amigos Poetrixtas que me ensinam, estimulam e comigo caminham!

Finalmente, sob a bênção da minha Patrona...

Aldrava me auxilia a bater à porta!

Peço licença à patrona da cadeira 29, a poeta MARDILÊ FRIEDRICH FABRE, para aqui tomar assento e sentir sua energia pulsante em versos. Peço vênia para realçar a presença dela nesta noite e dizer de sua imortalidade, pois sei que está conosco, no vento e no eco das palavras, quando fazemos poesia. E, por falar nisso, ao ler e estudar a poesia de Mardilê, deparei-me com o seu significativo Poetrix “VELA”, que assim diz: “Vela violácea, vermelha / viceja vencendo o vácuo, / vagarosamente vela a vida.” Sim, poesia que vela e que se faz possibilidade de voo, colo, abraço e esperança.

E é assim, minhas confreiras e meus confrades, que recebo o carinho de Mardilê noutro Poetrix intitulado “ACALENTO”, que me abraça, abençoa e acolhe, preparando-me para esta conceituada Academia: “Afetuoso abraço,/ abençoado abrigo,/ agradável acolhida.”

Como rastros ancestrais de seu legado, Mardilê, hoje agradeço à Academia Internacional Poetrix a oportunidade de conhecê-la por meio da escrita e apresentá-la como minha Patrona neste importante espaço de literatura. Que eu possa fazer jus a ela!

Mardilê Friedrich Fabre nasceu em Cachoeira do Sul (RS), em 1938, e faleceu em outubro de 2018. Detentora de um vasto currículo e de experiências múltiplas nas áreas de educação e literatura, Mardilê, licenciada em Letras Neolatinas, viveu uma carreira literária profícua, marcada por reconhecimentos nacional e internacional. Ela foi laureada com diversas distinções, incluindo prêmios da Academia de Letras e Artes de Fortaleza, da Sociedade Cultural da Ilha da Madeira e da Abrasa (Viena, Áustria).

Dona de uma sensibilidade ímpar, sua escrita versátil abrange vários gêneros literários. Publicou livros de poemas e ensaios, além de uma produção vasta de crônicas, contos, poemas livres e formas minimalistas como o Haicai, o Tanka, a Aldravia e o Poetrix.

Como forma de respeito, relembro trechos de uma descrição da própria autora sobre si:

“Sou um indivíduo com qualidades e defeitos que aprendeu, no decorrer da vida, a respeitar e amar os outros indivíduos com suas qualidades e seus defeitos. Faço trabalhos voluntários, sou revisora de textos, amo ler, ir ao cinema, ao teatro, a museus, a espetáculos de dança (qualquer tipo), ouvir de avião e de elevador... Sou fiel aos amigos e aos amores... Como todo o mundo, gosto de ser incentivada. Gosto de jogar conversa fora com os amigos... Gosto de passear à beira mar, à tardinha… Sou capricorniana, legítima representante do signo: tenaz, teimosa, persistente, amante das artes e por aí vai... os capricornianos sabem... e os que convivem com eles também. Sou tanto e não sou nada. Quem sou?

E, como ela diz, Sou a ave que voa no sonho/ Sou o vento que canta risonho/ Sou o riacho que renova a alegria/ Sou o sol que nasce cada dia/ Sou a lua que prateia as flores ... Por aí vai se misturando à natureza, à alegria, ao afeto e à simplicidade da vida...

Que a poética de Mardilê me inspire e nos inspire a continuar pela literatura, abrindo caminhos, denunciando injustiças e anunciando esperanças, porque, como ela escreve numa potente aldravia, “submergem em versos nossos sonhos iguais”. E assim, que num sonho coletivo, possamos, por meio da Academia Internacional Poetrix, fazer, da poesia de ontem e de hoje, um caminho em direção a um futuro de êxito.

Sob a bênção de nossas e nossos Poetas imortais, um forte abraço a todos e a todas!

Muito obrigada.

Discurso de Ximo Dolz - cadeira 30

Ximo Dolz (Joaquim Dolz)

Senhora Presidente Valéria Pisauro, Senhoras e senhores Acadêmicos, queridas e queridos poetas, amigas e amigos das plataformas Poetrix.

Sou Joaquim Dolz, mas assino apenas Ximo, nome pequeno que guarda minha infância e, talvez, o modo mais verdadeiro de entrar no território sensível do Poetrix. Ter sido eleito para integrar a Academia Internacional Poetrix, AIP, é, para mim, mais do que uma distinção: é um espanto luminoso, um susto doce no terceiro verso da vida.

Não sou nativo da língua portuguesa, não herdei linhagens literárias nem pertenço ao berço cultural que hoje tanto admiro. Chego como estrangeiro, aprendiz e viajante. E, justamente por isso, sinto ainda mais profundo o significado deste gesto de acolhimento. Aceito-o com humildade, com gratidão e com a alegria serena de quem encontra, em terra distante, um lar tecido de palavras.

O Poetrix chegou até mim quase como uma epifania. Acompanhava minha pós-doutoranda, Paula Cobucci, na investigação das potências desse gênero criado por Goulart Gomes, quando percebi que não era eu quem estudava a forma: era ela quem me estudava, me transformava, me convocava. Foi Paula Cobucci quem postou um vídeo no Grupo Selo Poetrix, no qual eu, entusiasmado, comentava o Poetrix a uma professora da Universidade de Genebra.

A poetrix Dirce Carneiro, membro do grupo, sugeriu o convite para que eu integrasse a plataforma Selo Poetrix. Fui aceito e recebi dela as primeiras mentorias, com generosidade e rigor.

Vocês me confiaram a Cadeira 30, cifra simbólica onde o Poetrix encontra seu limite de sílabas. É nessa morada que se celebra um patrono plurilíngue, japonês e português, que fez da língua uma ponte e uma travessia: Hidekazu Masuda Goga, mestre do haikai, autor de obras fundadoras cujo legado faz a natureza respirar em cada sílaba. Quero destacar o percurso poético desse jovem emigrante japonês de dezoito anos que chegou ao Brasil trazendo na bagagem pouco mais que a memória dos tempos de Hiroshima e o sopro espiritual do haikai.

Desde cedo, Goga transformou o desarraigo em raiz: fez do Brasil sua paisagem interior e, com olhar atento de artesão, colheu no cotidiano brasileiro, nos bambus e nos capinzais, nas águas mansas e nos temporais, a matéria sensível de seus versos. Foi ele quem abriu caminhos entre o haikai clássico e a sensibilidade tropical, sem perder a precisão do instante, a epifania do mínimo, o silêncio luminoso inscrito entre as palavras. Ao longo de décadas, formou discípulos, publicou livros essenciais e consolidou uma escola em que tradição e invenção não se opõem: respiram juntas.

Goga é um haigô, o nome literário com que selava seus haikais. Tenho especial apreço por meu novo patrono: “Goga” significa Rio Ganges. Segundo o próprio mestre, o Ganges é simultaneamente o rio mais impuro e o mais sagrado da Índia, metáfora das contradições que habitam a condição humana e também da minha própria tentativa poética de caminhar, livre, pelas sendas do Poetrix. No seu exemplo encontro humildade, rigor e a serenidade daquele que sabe que um único verso, se verdadeiro, pode iluminar uma vida inteira.

Assumir esta cadeira é assumir, igualmente, esse paradoxo fecundo: a poesia que nasce do mínimo, mas toca o essencial; o verso breve que abre janelas largas; o silêncio que, de súbito, se transforma em revelação. No Poetrix, descobri que a palavra pode ser leve sem ser frágil, breve sem ser pequena, contida sem ser limitada demais, porque, no seu interior, arde sempre um mundo.

Agradeço à Academia Internacional Poetrix esta honra tão generosa.

Agradeço às comunidades Selo Poetrix e Confraria Poetrix, que me receberam com mãos abertas e espírito atento.

Agradeço às poetas e aos poetas que me viram chegar estrangeiro e, antes de me conhecerem, já me reconheciam.

Permitam-me, com reverência e alegria, partilhar o que aprendi nesse caminho. Ofereço-vos meu Decálogo do Poetrix, não como norma, mas como homenagem:

1. A brevidade não é ausência: é presença intensificada, palavra que abre fendas de sentido.

2. Três versos podem conter uma vida inteira. Por isso, para mim, o Poetrix é escrita terapêutica.

3. A imagem que acompanha o poema e as metáforas (o imaxtrix, o retratrix) são sua respiração visual, sua segunda voz.

4. A música e o silêncio também escrevem; e, no Poetrix, são mestres da reflexão.

5. A concisão é irmã da coragem: dizer o essencial é arriscar-se.

6. O Poetrix deve surpreender até o próprio autor. Busco sempre o susto do último verso.

7. A poesia mínima exige entrega máxima: pesquisa, trabalho e lirismo.

8. A simplicidade é conquista, não atalho.

9. A liberdade é o eixo invisível do rigor.

10. E, sobretudo: o Poetrix é ponte entre pessoas, línguas, culturas e afetos.

É por isso que este gênero me é tão caro: nele, a palavra reencontra sua pureza original e a poesia seu gesto mais essencial.

Como professor e pesquisador, vejo no Poetrix um horizonte vasto para o ensino de línguas em plural. O poema breve convoca o aprendiz a experimentar: a tatear a forma, a escutar a música das palavras, a criar sentidos com economia, precisão e, acima de tudo, com liberdade.

O Poetrix educa o olhar, afina a escuta, desperta a autoria. Permite que cada estudante, seja brasileiro, espanhol, suíço, francês ou catalão, encontre na língua uma casa possível, íntima, própria.

Comprometo-me, assim, a trabalhar em três direções fundamentais:

1. Modelizar didaticamente o gênero, respeitando seus princípios e valorizando sua dimensão estético-literária.

2. Aproximar aprendizes da língua portuguesa através de práticas de criação poética que sejam autênticas, humanizadoras e libertadoras.

3. Construir sequências e itinerários didáticos inspirados nas plataformas digitais, unindo tradição e inovação, teoria e prática, escola e mundo.

Entro nesta Academia com o espírito leve e o coração aberto.

Não chego para disputar espaços, impor regras ou reacender tensões. Chego com a convicção profunda de que a poesia floresce onde há acolhimento, respeito e escuta.

O Poetrix nasceu de um gesto de liberdade, e é essa liberdade que desejo honrar. Menos fronteiras, menos prescrição; mais pontes, mais diálogo; mais criação, mais mãos estendidas.

Recebo esta cadeira como quem recebe um barco: com respeito pelo ofício e com vontade de navegar. Que eu seja digno da linhagem que herdo. Que eu aprenda, a cada Poetrix, a respirar mais fundo, a ver com mais nitidez, a escutar o que se cala. E que meu verso, ainda estrangeiro, encontre morada na sensibilidade desta Academia.

Muito obrigado.

Discurso de Carmem Galbes - cadeira 31

Caros membros da diretoria, prezados acadêmicos, senhoras e senhores,

É com o coração em estado de poema que me apresento.

Sou Carmem, um nome que, por muitos anos, me pareceu grande demais, forte demais para uma menina ainda sem voz ativa. Até o dia em que descobri que, em latim, Carmem significa “poesia”.

Ali, algo se alinhou em silêncio.

Como se o futuro tivesse me dado um aceno discreto e terno, dizendo: “vem, é por aqui. Você nasceu palavra.” Em um destino feito de verso e prosa, que mais tarde se consolidaria na carreira de jornalista.

Minha história com a escrita começou na adolescência, naquele território entre o corpo em sala de aula e a mente nas nuvens.

Enquanto o mundo cobrava presença, a palavra me oferecia transcendência: uma forma de narrar o inenarrável, de mostrar o monstruoso, de digerir o impalatável e, assim, seguir humana.

Na minha vida - inclusive a profissional - a palavra é ferramenta, ponte e abrigo.

Com a palavra, eu erro, aprendo, me desenvolvo, educo meu filho, me relaciono, ganho a vida e,sobretudo, ganho vida.

O Poetrix entrou na minha trajetória como uma revelação: três versos, um universo.

O número 3, símbolo da criação, sempre me fascinou: Pai, Filho e Espírito Santo; corpo, mente e alma; início, meio e eternidade.

Ao conhecer o Poetrix, em uma disciplina do curso de formação de escritores, percebi que sua força não é apenas estrutural, é espiritual.

Ele é síntese, essência e impacto.

É precisão que arde.

É intensidade que respira.

No poetrix me vi como alguém que habita profundezas, mas que ama a contenção do raio que se fecha em três linhas.

Assumir hoje a Cadeira 31 é muito mais que um reconhecimento literário.

É uma espécie de reencontro.

É como se a menina que temia seu próprio nome finalmente coubesse, com serenidade, dentro da palavra que sempre a abrigou: poesia.

Aqui, diante de vocês, falo da honra e da responsabilidade de ter como patrona alguém que sempre admirei, e que, nos últimos meses, tornou-se presença íntima na minha trajetória: Hilda Hilst.

Foi caminhando pela Casa do Sol, sentindo o cheiro da madeira antiga, a vibração dos manuscritos, a força das paredes que testemunharam coragem, que compreendi o tamanho dessa escritora.

Hilda não apenas transgrediu a língua; ela atravessou a alma, a própria e a nossa.

Ela estava à frente do nosso tempo e, talvez, ainda esteja.

Ao andar por cômodos impregnados de sua energia, senti algo que não sei nomear, mas reconheço: não chego à Academia Internacional de Poetrix sozinha.

Há algo da mão de Hilda sobre o meu ombro.

Há algo do sopro dela na minha escrita.

Há algo do olhar inquieto dela me guiando.

É essa força que carrego comigo.

Permitam-me apresentar brevemente essa escritora que ilumina a Cadeira 31:

Hilda de Almeida Prado Hilst nasceu em Jaú, interior de São Paulo, em 1930.

Mulher de espírito jovem e vanguardista, nunca aceitou a ideia de uma existência discreta. Considerada uma das mais importantes escritoras brasileiras do século XX, é reconhecida por sua obra inovadora e profundamente espiritual.

Autora de cerca de 40 títulos - transitando entre poesia, teatro, prosa, crônicas e textos experimentais -rompeu fronteiras com o misticismo, erotismo, filosofia e metafísica.

Recebeu diversos prêmios literários e já teve sua obra traduzida para o francês, inglês, espanhol, alemão e italiano.

Formada em Direito pela Universidade de São Paulo, abandonou a carreira jurídica para dedicar-se integralmente à literatura.

Em 1966, mudou-se para a Casa do Sol, em Campinas - local projetado e construído por ela mesma - que se tornou um reduto da intelectualidade. Lá viveu e escreveu de maneira intensa e disciplinada, criando um dos acervos literários mais originais do país.

Sua obra, inicialmente incompreendida, alcançou reconhecimento tardio e hoje é referência fundamental na literatura brasileira contemporânea.

Visionária, inquieta, corajosa, Hilda investigou o sagrado, o desejo, a existência e o silêncio como poucos.

Sua escrita permanece viva, desafiadora e urgente, uma lâmpada acesa no escuro da nossa linguagem.

Assumir a Cadeira 31 sob sua luz é aceitar um pacto: o de escrever com coragem, com verdade, com limite nenhum e, ao mesmo tempo, com a delicadeza do que cabe em três versos.

Ela mesma se desafiou na microliteratura, no genial texto intitulado Desejo:

“Quem és? — perguntei ao desejo.

Respondeu: lava. Depois pó. Depois nada.”

Agradeço à espiritualidade que me trouxe até aqui e, numa sincronicidade emocionante, colocou Hilda em meus caminhos.

Agradeço à minha família pelas raízes que sustentam e pelas asas que libertam.

Agradeço aos colegas poetas, em especial a Goulart Gomes, Luciene Avanzini e Lourenço Ferrari, e a esta  Academia pela confiança, pela acolhida e pela oportunidade de integrar um círculo voltado para a síntese, a beleza e a profundidade.

Prometo seguir contribuindo para que o Poetrix continue sendo o que sempre foi: um texto minimalista, jamais minúsculo.

Muito obrigada!

Discurso de Posse de Paulo Soroka - cadeira 32

 Ilustre presidente da Academia Internacional Poetrix, prezados confrades e confreiras,

“A luz nasce no instante em que descobrimos que somos mais que a nossa sombra.”


A citação de Rabindranath Tagore evoca o delicado movimento humano entre trevas e claridade. Todos nós sabemos, por experiência íntima, que alcançar a luz muitas vezes exige atravessar longos e sinuosos caminhos. Somos feitos de travessias. A minha escrita poética nasce justamente nesse espaço — no território do inefável, onde aquilo que ainda não tem nome começa a ganhar forma. Impelido pela urgência de expressar o que arde na alma, poetas garimpam palavras: quando elas não bastam, nós as inventamos. E, quando nem isso é possível, sustentamos o silêncio pelo tempo necessário. Sustentar o silêncio é possível quando se descobre que ele tem voz — mesmo que, por longos períodos, a voz do silêncio possa se mostrar inaudível.

Sempre fui apaixonado por palavras e também pelo silêncio. Talvez por isso, ao longo da minha formação médica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, tenha descoberto a vocação para a psiquiatria. Mais tarde, já psiquiatra, compreendi que ainda havia muito a desvendar da condição humana — essa permanente oscilação entre luz e sombra, palavra e silêncio. Isso me levou à formação psicanalítica na Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre, cidade onde construí minha vida.



ECOS DOS DIAS

Fios infindos tecem momentos
Sinfonia de memórias afaga a alma
Tempo dança entre suspiros

Ainda que a escrita sempre estivesse presente em mim, ver meus poemas ganhando forma impressa aconteceu mais tarde. Meus três primeiros livros vieram em rápida sucessão, justamente no período da pandemia — talvez porque havia muito por ser dito, por ser descoberto, por emergir. A trilogia é composta por Um poema a cada dia para fazer a travessia; Quando o mundo voltar a girar; e Outro primeiro dia.

Quando conheci o poetrix, há alguns anos, senti de imediato a potência desse formato minimalista em que o dito e o não dito convivem, ressoando nas linhas e, sobretudo, nas entrelinhas. Foi apenas questão de tempo até que eu chegasse à Confraria Ciranda Poetrix, onde encontrei talentosos poetrixtas e novas amizades que se tornaram parte essencial da minha trajetória.

Na Confraria, mergulhei na escrita do poetrix, que passou a ocupar um lugar de destaque na minha vida criativa. Escrever tornou-se ainda mais vital. Escrever é respirar. Escrever é viver.

Participei de antologias e escrevi dois livros de poetrix solo: Versos Mínimos Poetrix e Instante Eterno — Sopros Poéticos, este último com publicação prevista para janeiro próximo.

Hoje, o tão almejado ingresso na Academia Internacional Poetrix é mais uma etapa dessa travessia. Se antes era sonho, agora é destino — e também um novo ponto de partida, que acolho com alegria plena, pronto para viver novos primeiros dias.

Assumo, com honra e responsabilidade, a Cadeira 33, cujo patrono é o amazônida Thiago de Mello, um dos maiores poetas brasileiros do século XX. É uma alegria e uma responsabilidade caminhar sob a luz de um poeta que dedicou sua vida à dignidade humana, à liberdade e à poesia como gesto de justiça.

Amadeu Thiago de Mello nasceu em 1926. Sua infância foi marcada por uma relação visceral com a floresta, os rios e a cultura de seu local de origem. Já vivendo no Rio de Janeiro, participou de círculos literários e iniciou sua carreira como escritor. Seu poema mais famoso, Os Estatutos do Homem (Ato Institucional Permanente), foi escrito após o Golpe Militar de 1964. Uma das vozes mais autênticas da poesia latino-americana, ele se tornou um símbolo da resistência democrática. Nele, o poeta decreta princípios de humanidade, liberdade, solidariedade e alegria, tendo se tornado um dos poemas brasileiros mais citados e celebrados.

“Fica decretado que agora vale a verdade.” “Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo.”

Durante o exílio no Chile, manteve amizade e um rico intercâmbio com Pablo Neruda. Ao retornar ao Brasil, fixou residência em Manaus. Publicou mais de 40 livros — poesias, ensaios e traduções. Sua obra foi traduzida para mais de 30 idiomas. Poeta da esperança, faleceu em 2022, aos 95 anos, deixando um legado a todos aqueles que acreditam que a poesia pode iluminar vidas e transformar o mundo.



AUTENTICIDADE

Ser singular na essência
Compor trilha autoral
Tatuar impressões digitais

Profundamente emocionado por ter como patrono poeta de tamanha envergadura, desejo que minha participação na AIP — cujo compromisso com a liberdade de expressão e a ética é inequívoco — possa contribuir à divulgação do poetrix, não apenas como importante manifestação cultural, mas também como veículo de transformação social. Ao assim fazê-lo, espero fazer jus ao legado de Thiago de Mello, mantendo luminosa a chama que ele um dia acendeu.

Agradeço o acolhimento da Academia Internacional Poetrix e a confiança em mim depositada. Ingressar nesta casa, mais do que ter minha escrita poética reconhecida, é um chamado. Um chamado para seguir adentrando a alma humana — suas luzes e suas sombras. Que o somatório

de nossas vozes, honrando o legado de Amadeu Thiago de Mello, possa ampliar os horizontes do poetrix! Que a poesia seja sempre um farol na escuridão!



PARA ALÉM DA ESCURIDÃO

Sonhos navegam incertezas 
Desejos cavalgam temores 
Amanheço esperanças


Muito Obrigado!

8 de jan. de 2024

Discurso de Posse de Marcelo Marques


É com imensa alegria que hoje venho saudar à Diretoria, através da qual estendo meus cumprimentos a todos os acadêmicos que aqui já estavam, aos membros ingressantes, que assim como eu, passam a partir de agora a fazer parte da Academia Internacional Poetrix, bem como aos demais leitores a quem minhas palavras alcançarem.


“Tudo tem o seu tempo determinado, e há tempo para todo o propósito debaixo do céu”. (Eclesiastes 3:1)

Inicio meu discurso de posse com este versículo, pois creio que tudo tem momento certo e sempre é tempo de agradecer.

Primeiramente a Deus, pela vida, por tudo que me tem concedido constantemente através da existência e a quem intercede a Ele por mim.

Aos meus pais, pelo meu nascimento, pela minha família e em especial à minha avó Odette Marques Castanheira, in memoriam, que com muito esforço proporcionou a minha educação e me ensinou o bom caminho a ser seguido nos desafios e escolhas da vida.

Carinhosamente, com imenso amor, à minha querida esposa Josy, com quem compartilho lutas e vitórias da minha vida, por sua generosidade no incentivo constante e compreensão em todos os momentos.

Enfim, a todas as pessoas que colaboram de alguma forma na construção de quem sou e passo a ser a cada momento, muito obrigado!

Nasci na capital de São Paulo, em 26/02/1972 e quando eu tinha três anos de idade, minha família mudou-se para o Rio de Janeiro, onde vivi a infância. Minha mãe faleceu quando eu tinha sete anos, até que na pré-adolescência, aos 12 anos, retornei a São Paulo com minha avó materna, e voltei a viver na casa onde nasci.

Desde criança, tenho prazer na leitura, comecei lendo embalagens, letreiros de lojas e placas pelas ruas, antes de ingressar na escola e depois disso, passei a ler os autores de poesias, contos, entre outros. Gostava muito de estudar e fazer cursos, o que me despertou interesse pelas pesquisas e pela criatividade, dedicando-me também ao desenho, pintura e às artes plásticas em geral. Tive encanto especial pela leitura e pelas letras das belas composições musicais da época, através de tantos ícones culturais, sempre achei minhas respostas na música e na poesia.

Inicialmente profissional da área administrativa, entre 1995-1998, fiz o curso técnico e me formei em Desenho de Comunicação (ETEC), trabalhei com produção de eventos, propaganda e criação publicitária, no desenvolvimento de textos, roteiros, comunicação visual, produção artística em geral e depois com criações gráficas. Em 2014, me formei na Universidade de Letras Português-Inglês (UNICSUL), e trabalhei durante um curto período de dois anos na área da Educação, passando em seguida a trabalhar na área judicial da Previdência Pública Estadual de São Paulo (SPPREV). Em 2019, concluí a pós-graduaçãolato sensu em Direito Previdenciário (UniDBSCO).

No início, eu não valorizava devidamente o que escrevia; considerava apenas como desabafos íntimos que eu guardava para reler nos momentos de solidão. Aos 13 anos, na 8ª série, ao participar de um concurso escolar de redação e ganhar o 1º lugar, fui muito incentivado a prosseguir escrevendo.

Dois anos depois, participei de outro concurso no Ensino Médio, que selecionou os melhores trabalhos da rede estadual de ensino, sobre o tema “Segurança”. Tendo vencido o concurso, meu poema foi escolhido para representar a minha escola. Assim, tive o primeiro poema publicado na Coletânea Estudantil de 1988. A partir daí, comecei a organizar os meus escritos e a divulgá-los, iniciando com a participação em concursos e ingressando em alguns movimentos literários.

Integrante do Movimento SAMPOESIA, publiquei em 1995 o poema "Raízes". Em 1996, participei da Antologia VI Palavras de Poetas, com os poemas "Nosso Planeta" e "Recordações". Em 1999, participei do Painel Brasileiro de Novos Talentos 2, com o poema "Virtudes Escondidas".

7 de jan. de 2024

Discurso de Posse de Cleusa Piovesan


Boa noite a todos e a todas!


Saúdo, primeiramente, à Diretoria em vigência: Presidente: Andréa Abdala; Vice-presidente: Pedro Cardoso; Tesoureiro: Francisco José Torres; Diretoria de Comunicação e Secretaria-Geral: Marília Tavernard; Diretoria de Cultura e Evento: Goulart Gomes, também criador do poetrix, essa pérola da Literatura Contemporânea, e aos demais acadêmicos da Academia Internacional Poetrix!


... é maravilhoso ter intimidade suficiente com as palavras para brincar com elas, além de ser pura arte...

(Tê Soares)



QUEM É TÊ SOARES?


Terezinha P.S. Sayago Soares, Tê Soares) – Nasceu em São Paulo/SP, em 15/11/1952, mudou para Brasília/DF em 1978, e faleceu em 23/04/2023, em Brasília. Graduada em Letras e Pedagogia na Universidade do Distrito Federal (UDF), atuou como professora e coordenadora pedagógica, no Centro Educacional Leonardo da Vinci, em Brasília. Ela também era corretora das provas do ENEM. Tê Soares teve dois filhos: Mariana e Rodrigo, que lhe deram três netos.




FUGAZ (TÊ SOARES)

Cama desarrumada,
liberdade para as borboletas
estampadas nos lençóis...



Tê Soares é co-criadora do Duplix, com Pedro Cardoso. Pelo contato virtual que o Movimento Internacional Poetrix - MIP Academia Internacional Poetrix proporcionou a seus autores, a interação poética foi possível e Pedro Cardoso e Tê Soares começaram, como disse Tê “a trocar poetrix e a perceber que havia uma grande sintonia na compreensão dos conteúdos e nas ideias. Um dia, Pedro encaminhou um poetrix e a Tê não resistiu. Para mexer com ele e sair brincando com as palavras, criou e juntou um poetrix e pronto! Era um autêntico Duplix!”, e assim, o poetrix foi tomando novas formas, ampliando-se para o Triplix e para o Multiplix. A contribuição de Tê Soares no MIP é digna de louvor e admiração. Eis o primeiro Duplix, de autoria de Pedro Cardoso // Tê Soares:


EU e EU

Menino carente // menina contente
feito pinto no lixo // feito quem brinca de cochicho
rega a vida, enganando a boca // negando a dor, veemente e louca



QUEM SOU EU?


Cleusa Piovesan – Doutoranda em Letras; Mestra em Letras, com graduação em Letras – Português/Inglês e em Pedagogia; Especialista em Linguagens, Códigos e suas Tecnologias, e em Língua e Literatura; pesquisadora das relações de gênero; escritora e poetisa; organizadora de três livros com alunos, e 13 obras publicadas, de autoria própria. Tem participação em mais de 60 antologias e coletâneas; acadêmica do Centro de Letras do Paraná; integrante do Centro de Letras de Francisco Beltrão/PR; acadêmica da Academia Brasileira de Letras e Artes Minimalistas – ABLAM); integrante da Confraria Ciranda Poetrix; e da Associação Brasileira de Poetas Spinaístas; Acadêmica Correspondente da Academia Literária Internacional – ALPAS 21.


Comecei a escrever na década de 1980, mas deixei meus escritos amadurecendo em gavetas, caixas, papéis avulsos jogados nos armários e estantes até a iniciativa de publicar um livro com os alunos. Na empolgação, publiquei três livros de autoria própria no mesmo ano de 2016: um de poemas; um em prosa, de contos e crônicas; e outro de causos populares, reunindo tudo o que havia escrito em mais de 30 anos. Não parei mais. Comecei a publicar em antologias, a participar de concursos, tendo algumas premiações e, não fosse por falta de dinheiro, e pelo pouco retorno financeiro com a venda dos livros e o deficiente hábito de leitura da população brasileira, mais obras sairiam dos arquivos de Word para a edição.

Posso dizer que sou uma experimentalista da literatura e a literatura contemporânea me permite transitar por vários gêneros poéticos, já conhecidos, e alguns novos, de modo que minha inquietação com a funcionalidade da linguagem e suas formas de expressão me atraem e vou em busca de aprender cada vez mais como degustar essa “sopa de letrinhas”.

Escrever me dá a liberdade de ser um pássaro sem asas que voa na imaginação e recolhe migalhas de histórias (reais ou imaginárias) com a força do pensamento, para além da realidade vivida, permitindo que a força das palavras desvele quem realmente sou. Registro meu mundo e o de outrem, sem compromisso com a verdade, apenas com a alteridade, afinal, “o poeta é um fingidor...”.  

Discurso de Posse de Claudio Trindade

 

Saúdo a Presidente desta Academia, Andréa Abdala Frank e, em seu nome, saúdo toda a Diretoria, a comissão organizadora da eleição para novos membros em 2023. A todos os Acadêmicos da casa e aos colegas escritores Poetrixtas que estão tomando posse hoje nesta solenidade.

Agradeço desde já aos acadêmicos que depositaram a confiança em meu nome para compor a AIP, devido a minha trajetória de escritor. Farei o que estiver ao meu alcance para promover e divulgar e ser um a mais na criação de Poetrix. 

Sou Licenciado e Especialista em Química pela UNIJUI/RS, natural de Três Passos-RS, e residente em Ijuí – RS. Iniciei a arte da escrita na graduação, quando publiquei um artigo na Revista da Universidade: Espaços da Escola n. 21, 1996: “O Trabalho de campo como estratégia de ensino-aprendizagem em ciências na sexta série”. Desafios constantes me levaram a escrever poesias para o livro da escola Alunos e professores, mostram o que fazem. Com isso gostei e me desafiei a criar mais. Desta forma estou aqui hoje, junto a um público seleto e com novos projetos. Sou Membro do Circulo dos Escritores de Ijuí – CEI, Letra Fora da Gaveta – LFG (2009). Acadêmico Fundador da Academia Internacional Artes, Letras e Ciências ‘A Palavra do Século 21’ - ALPAS 21 de Cruz Alta – RS (2012) na qual, atualmente estou vice-presidente. Acadêmico Correspondente da Academia de Letras de Teófilo Otoni/MG (2016). Membro da Confraria Ciranda do Poetrix, Santana da Parnaíba/SP (2021), na qual ocupo o cargo interino de vice-presidente. Academia Virtual Artes e Letras – AVAL (2021). Academia de Letras e Artes da Zona Oeste do Rio de Janeiro – ALAZO (2021). Patrono da 24º Feira do Livro Infantil do Sesc e 20º Feira do Livro de Ijuí – 2013. Possuo quatro publicações solo, três de poesia estilo livre: 2009, poesias – Pensar ... Viver ... , em 2014: Caminhos, em 2021: Tear de Poesias e uma específica de Poetrix: Na Vida Poetrix. E inúmeras Coletâneas/Antologias tanto em poesias de estilo livre ou Poetrix, assim como a Revista Poetrix.

5 de jan. de 2024

Discurso de Posse de Valéria Pisauro


Prezada Presidente Andréa Abdala, Diretoria, integrantes da Academia Internacional Poetrix e fundadores, minha sincera saudação!

Saúdo o poeta, historiador e acadêmico Goulart Gomes, criador do gênero e fundador da Academia Internacional Poetrix, pelo seu incansável trabalho de projeção e divulgação para que o Poetrix alcançasse o êxito merecido dentro do cenário nacional e internacional.

Agradeço, também, aos acadêmicos que me prestigiaram com os seus votos, obrigada!

Desde já, comprometo-me em bem servir aos propósitos da Academia, elevando a cultura, a literatura, sempre com orgulho, dedicação e alegria. Com isso, poderemos fortalecer e fazer ainda mais conhecida a nossa AIP.

Caros acadêmicos ingressantes, acadêmicos de ontem, acadêmicos de amanhã.

E a todos os amigos e familiares que nos assistem virtualmente, boa noite!

É uma grande honra, orgulho e alegria me tornar membro nesta renomada Academia, ao lado de grandes poetas, pelos quais tenho grande apreço, admiração e respeito. Todos me encantam e me inspiram.

O dia 09 de dezembro de 2023 vai ficar marcado para sempre no meu coração.

Sou de Campinas-SP, neta de um maquinista e cresci às margens da linha do trem, acompanhando suas idas e vindas. Para mim, nada era mais belo e invencível que aquela máquina metálica que rasgava o horizonte abrindo caminhos para o novo. 

Discurso de Posse de Bianca Ribeiro Reis


Saudações à presidente Andréa Abdala, aos membros da diretoria da AIP e aos colegas acadêmicos!

Sinto-me verdadeiramente honrada em fazer parte deste grupo com tantos talentos. É uma felicidade enorme ter sido eleita. E também estou muito feliz por receber como patrono o grande Guilherme de Almeida, que eu admiro desde que conheci o haicai.

O meu “encontro” com os tercetos encantadores não tem muito tempo. Foi em junho de 2020, em plena pandemia, quando decidi fazer um curso de poesia. Escrever sempre foi uma paixão, mas estava focada em textos para o meu trabalho como profissional de marketing, que exige bastante. Já havia escrito alguns poemas, especialmente para homenagear pessoas queridas, mas estava desconectada desse universo literário.

Durante as aulas, ouvi falar do haicai e comecei a pesquisar sobre poesia minimalista. Logo me deparei com um terceto arrebatador, provocante, cheio de bossa e malandragem; poesia brasileiríssima, uma grande sacada do mestre Goulart. Me apaixonei.

De cara, resolvi, aliás, ousei, participar do Concurso Ciranda Poetrix Prêmio Goulart Gomes e ganhei o 3º lugar, o que me rendeu convite para entrar na Confraria Ciranda Poetrix ao lado de poetas incríveis. A partir daí, escrever poetrix virou um vício.

Em 2021, fiz minha estreia em uma publicação, Antologia Olhar Feminino. Tomei gosto pelas iniciativas coletivas. Então, participei das coletâneas Poetrix 22 anos de Arte Poética, com organização do Lorenzo Ferrari e Poesia Minimalista, organizada por Andréa Abdala, dois acadêmicos que tive a alegria de encontrar no evento “22 anos de Poetrix”, realizado na Oficina Cultural Oswald Andrade, em São Paulo.

Também participei das antologias Pérolas Poetrix e Poetrix 8 – Infinito, com organização de Lilian Maial, poeta que conheci pessoalmente no lançamento que promovemos na Livraria Janela, aqui no Rio de Janeiro, na companhia da presidente da AIP, Andréa Abdala. E, por fim, da V Mostra Poetrix - Sinestesia, livro digital publicado em novembro de 2023 pelo Selo Poetrix.

O meu patrono foi um dos mais bem-sucedidos divulgadores do haicai no Brasil. O terceto guilhermino mantém a estrutura de contagem métrica silábica 5-7-5, mas acrescenta um título e duas rimas: uma, do primeiro com o terceiro verso, e outra interna, no segundo verso, ocupando a segunda e a última sílaba poética.

O estilo do poeta Guilherme de Almeida me conquistou pelo ritmo e regularidade métrica, um andamento quase musical, que acontece muito em função da distribuição das rimas. E eu sou fã de música e chegada a uma rima.

CARIDADE

Desfolha-se a rosa:
parece até que floresce
o chão cor-de-rosa.



INFÂNCIA

Um gosto de amora
comida com sol. A vida
chamava-se "Agora".



Mergulhei na poesia como uma válvula de escape e acabei capturada pelo poetrix. E, de quebra, ganhei novos amigos. Mas demorou para cair a ficha de que eu sou uma poeta. Engatinhando, é verdade. Mas poeta, com muito orgulho. E agora membro da Academia! Que alegria!

Agradeço aos confrades Lorenzo Ferrari, que tanto me ensinou durante as Cirandas Poetrix, e Ronaldo Jacobina, padrinho que me recebeu e orientou.

Agradecimentos especiais a Pedro Cardoso, Dirce Carneiro e José de Castro pelo incentivo à candidatura, aos colegas que concorreram a vagas aqui, elevando bastante o nível da “competição”, e também a todos os que votaram em mim. Vamos em frente espalhar poesia!

Para finalizar, deixo com vocês um dos meus poetrix:


TÁBUA DE SALVAÇÃO

mundo insano...
me atraco na poesia
iludo o cotidiano



Muito obrigada!

Bianca Ribeiro Reis - Cadeira 19 da AIP







4 de jan. de 2024

Discurso de Posse de Luciene Avanzini



Saúdo a Presidente desta Casa, Andréa Abdala, a toda Diretoria, a Comissão que organizou a eleição para novos membros 2023 e a todos os acadêmicos.

Gratidão aos que confiaram o seu voto na minha trajetória literária. Farei o que estiver ao meu alcance para continuar sendo digna da confiança de vocês.

Parabenizo Goulart Gomes por sua iniciativa de criação da Academia Internacional Poetrix, ao lado de todos os que acreditaram nele e colocaram esse projeto em ação. Acredito que a AIP é um meio poderoso para a definição, desenvolvimento, promoção, estímulo fortalecimento, amadurecimento e divulgação do Poetrix!

Sou biológa, professora, contadora de histórias, amante das artes. Desde que me entendo por gente, a magia da leitura me capturou nas malhas das suas redes, o que me levou a me aventurar na escrita. Sou uma eterna aprendiz na arte de escrever! É nela que coloco minhas alegrias, angústias, tristezas, esperanças, de forma que, cada poema é um pedacinho de mim que será compartilhado com meus leitores!


O meu encontro com o poetrix se deu através da Rosângela Trajano (Danda). No início resisti um pouco, não acreditava conseguir criar poetrix, sentia dificuldade em aplicar e entender as diretrizes que a bula exigia, mas com tempo e a paciência dos integrantes da Confraria Ciranda Poetrix passei a pensar e amar esse terceto. Hoje, assumo que sou viciada no Poetrix e a cada dia aprendo um pouco mais! Estou sempre engajada em divulgar essa expressão literária através das minhas redes sociais em saraus literários. Atualmente tenho dois livros-solo: Tecituras Poetrix – 1ª Ed – vol 27, Belo Horizonte, Venas Abiertas (2021); e Vivências Poetrix, 1ª Ed – São Paulo: Scortecci (20023). Participo também de Antologias específicas de poetrix organizadas pela Confraria Ciranda Poetrix.

Faço parte da Diretoria e da Comissão de Avaliação de Conteúdo do Selo Confraria Ciranda Poetrix, que tem como objetivo publicar obras específicas de poetrix, além de auxiliar no dia a dia com as pré-avaliações dos poemas que irão para votação, um grande desafio que deu certo. Muitos outros projetos estão na incubadora e logo circularão entre nós!

E viva o Poetrix!

Biografia do Patrono

ANÍBAL BEÇA

Aníbal Beça (Aníbal Augusto Ferro de Madureira Beça Neto) (1946-2009) nasceu em Manaus, Amazonas, no dia 13 de setembro de 1946. Filho de Alfredo Antônio de Magalhães Beça e de Clarice Corrêa Beça. Era sobrinho-neto do escritor Aluísio Azevedo, parentesco herdado da sua avó materna que era sobrinha do escritor. Começou seus estudos em Manaus, e na adolescência foi para Novo Hamburgo (RS) onde estudou no Colégio São Jacó. Teve a alegria de conviver com o poeta Mário Quintana, em Porto Alegre.

30 de dez. de 2023

Discurso de Posse de Angela Ferreira

 

Saúdo com toda estima @s nobres acadêmic@s da egrégia Academia Internacional Poetrix – AIP, em especial o criador do gênero poético da qual fui agraciada em ocupar a cadeira 5, Patrono Eugênio de Andrade. Confesso a surpresa diante de tamanha responsabilidade em difundir a arte literária Poetrix.

Sobre o Patrono Eugênio de Andrade, pseudônimo José Fontinhas, poeta português nascido em Póvoa de Atalaia, Município do Fundão / Portugal, foi um homem reservado, aparecia pouco em público, expôs vida e sentidos em poemas curtos. Publicou mais de vinte livros de poesias, além de traduções e outras obras reconhecidas. Dentre as várias premiações, um dos mais importantes foi o Prêmio Camões (2001).

Fomos presentead@s com a beleza e sensibilidade demonstrada em alguns trechos de seus poemas.

Retrato Ardente
Entre os teus lábios
é que a loucura acode,
desce à garganta,
invade a água.
----------------------------------------
Sê paciente; espera que a palavra amadureça
e se desprenda como um fruto ao passar
o vento que a mereça.

Sua trajetória, nesta existência, findou-se em 2005, sendo este ano de 2023 a comemoração de seu centenário.

Tive uma infância saudável junto dos irmãos e meus pais que desde cedo nos estimularam à leitura. Sempre que podia, minha mãe adquiria livros infantis e realizava roda de conversa sobre o texto lido, sem imaginar o benefício dessa atitude devido a sua pouca instrução formal. A coleção dos Irmãos Grimm foi essencial para o apreço à literatura e desenvolvimento da escrita.

Durante a adolescência fiz paródias e gostava de rascunhar poesias, mas não tinha consciência de guardar para posteridade. Gostava de ler a poesia romancista de Gonçalves Dias, os escritos espiritualistas de Cecília Meirelles, assim como outros que me inspiram à vida.

Conheci o Poetrix em 2012, quando das inscrições para seleção de participação na Antologia Fagulhas Poéticas II. Imediatamente me apaixonei pela composição do gênero criado por Goulart Gomes.

Inicialmente, supus que, devido a semelhança visual com o Haicai, não seria difícil a feitura do poema. No entanto, as características próprias de sua estrutura deixaram nítidas que seria um desafio. Escrevi, sem convicção de que daria certo, pois havia escritor@s, poetas consolidados no ramo.

Fui surpreendida ao saber que havia conquistado o prêmio máximo! Sim, considero assim, pois foi uma grande honra estar dentre tant@s poetas experientes e reconhecid@s.
Posso dizer que o mesmo aconteceu agora com a oportunidade e confiança destinadas a mim a partir da seleção e convite para assumir a cadeira 5 da AIP.

Agradeço à Isi Caruso, antecessora da cadeira que assumo, aos acadêmic@s Gilvânia Machado que me apresentou ao Poetrix e Lorenzo Ferrari, sempre tão responsável e atencioso com tod@s, Beth Iacomini, responsável por minha inclusão na Confraria Ciranda Poetrix, também aos que zelam por essa maravilha de gênero que tende a ser reconhecido no Brasil e no mundo.

Gratidão a tod@s!
Angela Ferreira

Discurso de Posse de Sandra Boveto

 DISCURSO DE POSSE DE SANDRA BOVETO – CADEIRA 7

Prezada diretoria e caros acadêmicos dessa respeitável Academia Internacional Poetrix, 

É com imensa gratidão e alegria que saúdo a todos e me apresento, agora como acadêmica e integrante desse círculo tão especial de poetrixtas. Agradeço os votos recebidos e prometo honrar essa distinção pelo tempo que o futuro me permitir.

Considero minha trajetória literária relativamente recente e, até por isso, sei que tenho muito a aprender com vocês. 

Iniciei este caminho com um livro infanto-juvenil, feito para meu filho e a pedido dele – O Mundo Exclamante, publicado pela Editora Scortecci no ano de 2016. A partir daí, encontrei, por meio da escrita criativa, uma vida dentro de mim que eu não conhecia, e descobri que poderia multiplicá-la sob a forma e com o conteúdo que eu desejasse. 

Após “O Mundo Exclamante”, publiquei alguns contos no Brasil e em Portugal, por meio de antologias de várias editoras. Cheguei à poesia ao ser convidada por um editor português para participar de uma coletânea de poemas. De imediato, respondi a ele que não sabia fazer poemas. Nunca havia feito. Ele insistiu. E foi aceitando esse desafio que a poesia entrou em minha vida para nunca mais sair. Participei de mais algumas coletâneas, a partir de então, também poéticas. 

29 de nov. de 2021

Discurso de posse de Dirce Carneiro - cadeira 26


C-ASAS
(Dirce Carneiro)

viagem foi boa
pouso bagagem
linhas vívidas


Saúdo a Presidente desta Casa, Marilda Confortin, a Diretoria e todos os acadêmicos, fundadores e ingressantes.

Aos que confiaram o seu voto na minha trajetória literária agradeço sinceramente.

Parabenizo Goulart Gomes, pela feliz iniciativa de criação da AIP, poderosa via de fortalecimento, projeção, divulgação e criação de Poetrix, espaço de convivência fecunda de poetas.

Ressalto o trabalho eficaz do Comitê para Eleição de Novos Membros da AIP 2021, pela orientação durante a campanha, acolhida e clima amistoso. Eleição histórica, por ter sido a primeira para conduzir membros, pelo voto dos acadêmicos fundadores. É uma honra.

Caros poetas.

Dizem que devemos acreditar naquilo que sonhamos e a que nos dedicamos. Fiz um exercício de fé, esboçando esta mensagem durante a campanha de eleição para membros da AIP. Foi o meu jeito de aquietar-me e entregar este Sonho Poetrix ao Universo (fé - na intimidade do ser).

28 de nov. de 2021

Discurso de posse de Ronaldo Ribeiro Jacobina - cadeira 25


Caro Goulart Gomes. Com o criador do Poetrix, saúdo todos os outros Confrades da Academia Internacional Poetrix.

Cara Marilda Confortin. Com a Presidente, saúdo todas as outras Confreiras da AIP.

Saúdo também a todas Pessoas que nos assistem ou assistirão. Boa Noite!

É uma honra ocupar a cadeira de número 25 da Academia Internacional Poetrix, que terá como Patrono, o Médico, Professor, Escritor e Poeta Afrânio Peixoto. Vamos relembrar aqui um pouco da história do nosso patrono:

Discurso de posse de Francisco José Soares Torres – cadeira 24

 

Queridos amigos que me precederam e os que agora foram eleitos juntamente comigo, preciso dizer que, com imensa satisfação, dou entrada nesta casa que hoje é nossa! Também não poderia deixar de dizer que todos nós, que ocupamos as atuais vinte e seis cadeiras da Academia Internacional Poetrix (AIP), fizemo-lo no período pandêmico global da epidemia de um vírus mortal que grassa e devasta ainda o planeta. Assim, começo citando Ítalo Calvino: “A literatura (e talvez somente a literatura) pode criar os anticorpos que coíbam a expansão desse flagelo linguístico”, referindo-se à terceira das seis propostas para o próximo milênio, intitulada exatidão, a qual poderia oferecer a solução para a literatura, enquanto arte da linguística, ao nos ensinar que, assim como a vacina tem sido a solução final para o controle da atual epidemia virótica, a literatura será a salvação para evitar a evolução de uma peste na imagem da linguística, no milênio que ora se inicia.

Discurso de posse de Andréa Abdala - cadeira 23

 

Prezado Goulart Gomes, criador do gênero e fundador desta Academia, e amigos poetrixtas, é com imensa honra e alegria que hoje me encontro aqui entre vocês. Sinto-me verdadeiramente em casa; muitos de vocês fazem parte da minha vida virtual a mais de duas décadas. Vejo-me neste momento poetrixta eleita, ocupando a cadeira 23 desta congregação literária, tendo Sávio Drummond como Patrono.

Não tive o privilégio de conhecer Sávio, porém a admiração que tinham por ele chegou à mim, por meio de depoimentos e textos literários compartilhados por Goulart.

Sávio Drummond, baiano, médico, possui um belo acervo de contos, poesia e poetrix, além da sua habilidade para desenhar. Como desenhista criou caricaturas de amigos e capas dos livros de diversos escritores do Grupo Cultural Pórtico. Tratava-se de uma alma liberta, por isso não demorou muito neste plano. Após seu falecimento prematuro, Goulart descreveu sobre a maestria do poeta nas artes em geral - "Passeava do trágico ao cômico, do lírico ao popular, com muita leveza e propriedade."

Discurso de Posse de Diana Pilatti - Cadeira 10



“Sou força, energia vital e arrimo (...)
Sem máscara ou exibicionismo,
Vou em frente”

Denise Severgnini


Com grande alegria saúdo os amigos e amigas poetas, membros da Academia Internacional Poetrix, e demais leitores que aqui chegarem.

Saúdo a poeta gaúcha, radicada na Argentina, Isiara Caruso, minha antecessora, que ocupava a cadeira número dez nesta Academia, por muito tempo representante do Movimento Internacional Poetrix na Argentina, e com a qual compartilho o amor pelo magistério e pela literatura.

Nesta data, assumo a cadeira número dez, que homenageia Denise Severgnini, saudosa poeta gaúcha, que nos deixou no dia 9 de janeiro de 2013, aos 53 anos. Também professora, sua escrita audaz transita por vários gêneros, da prosa ao poema, da literatura infantil à erótica – cujos textos estão disponíveis em diversos sites especializados em publicações literárias e também em seu site pessoal na internet (link). Curiosa e apaixonada pela inovação, explorava a palavra em todas as suas possibilidades. Dela guardo um duplix, escrito em 2008, sobre o outono e seus encantos:

30 de mar. de 2021

Discurso de posse de Gilvânia Machado - cadeira 8 AIP


MARESSÊNCIA

Trago um mar
Na solidão, cato conchas
Descubro-me pérola

(Gilvânia Machado)



OS TRISTES

Em seus caramujos,
os tristes sonham silêncios.
Que ausência os habita?

(Helena Kolody)



Ilustres confrades e confreiras da Academia Internacional Poetrix, para mim é uma grande honra fazer parte dessa instituição literária.

Quando recebi o convite para ser membro, ocupando a cadeira número oito e a escolher um patrono ou patrona, não hesitei em nenhum momento quando pensei na poeta minimalista paranaense Helena Kolody.

A escolha se deu por várias razões. Primeiro o fato de ela ser a pioneira na escrita de poemas minimalistas no Brasil

Outro motivo que orientou a minha escolha foi a identificação da cosmovisão poética da autora marcada por uma inquietação existencialista. Isso pude constatar ao ler seus poemas e também pesquisar a fortuna crítica da autora. Os estudiosos, na sua grande maioria, afirmam que a inquietação é um dos eixos temáticos de sua obra poética vistos como um questionamento da linguagem e como uma agitação interior do sujeito que, voltado para si mesmo, busca sua origem e transcendência.

Nesse “desassossego”, são temas constantes a solidão, o tempo, a contemplação, a permanência, a memória, a ausência, a transitoriedade da vida. Os estudiosos também apontam uma visão ora marcada pelo encanto da vida, em que a poeta celebra a existência, ora pelo desencanto.

Portanto, a presença do amor, do desejo, da religiosidade na busca do absoluto, da totalidade em contraposição à transitoriedade da vida, são formas de transcender por meio da escrita. Escrever é preencher vazios, ausências, aquietar os desassossegos da alma. Diante dessa consciência, apesar da nostalgia, da saudade de um futuro, a poeta insiste em viver com alegria e sabedoria, vivenciar o momento presente: carpe diem!

No que diz respeito à forma literária, Helena Kolody, como toda poeta minimalista, primava pela concisão dos versos, aparando as arestas, cortando tudo o que era desnecessário até chegar ao poema-pedra lapidado. Tanta intensidade em poucos versos. Tudo isso a faz uma grande poeta. Dizer o máximo com o mínimo na mais perfeita essência da poesia minimalista.

Dentre as diversas formas poéticas minimalistas, Helena Kolody, além de haicais, escreveu dísticos, tercetos, quadras, epigramas e tankas.

Atualmente, faço parte do Movimento Nacional do Mulherio das Letras, que começou em João Pessoa, na Paraíba, e ganhou o mundo. Hoje, temos o Movimento do Mulherio em Portugal, Itália, Espanha, Alemanha, Estados Unidos. E uma das bandeiras do Movimento é dar visibilidade às mulheres escritoras, ler mais as autoras. E quando falamos na poesia minimalista quem mais se destacam são os homens, desde Afrânio Peixoto, Guilherme de Almeida, Millôr Fernandes a Paulo Leminski. As poetas minimalistas não têm tanta visibilidade. No Brasil, além da pioneira Helena Kolody, há outras grandes poetas minimalistas que não alcançaram notoriedade devida pelo seu grande talento. Isso corrobora a luta atual do Movimento do Mulherio das Letras que está ganhando o mundo.

Para mim, o ato de escrever também é preencher silêncios, lacunas, vazios, ausências. E embora sabendo da efemeridade da vida, celebrar a existência é a palavra de ordem. Viver o momento presente como uma dádiva divina, da natureza. Além disso, na poesia a forma minimalista me seduz.

Como afirmou o teórico Todorov, se me perguntarem por que amo a Literatura, a minha resposta é a mesma dele: “Porque ela me ajuda viver”.

Traduzir a condição humana de forma transfigurada poeticamente é um presente divino. No ato de criar há o sopro da inspiração e o suor do burilar. É preciso se debruçar sobre o que se escreve. Saber o que dizer, ter voz própria para não ser mero eco. Cada vez mais, o ato de escrever está se tornando uma necessidade vital para continuar vivendo. No mundo há beleza, cores e perfumes. No entanto, há os desvalidos, os excluídos que não conseguem mais sentir isso por estarem acorrentados aos seus demônios interiores; outros, por serem vítimas de um sistema excludente, de um mundo intolerante que julga as pessoas pela cor, etnia, orientação sexual, classe econômica. A literatura é também uma bandeira em prol dos excluídos, é uma centelha no meio da escuridão. O Sol nasceu para todos. É isso que literatas e literatos têm que defender. A Terra é de todos, ser feliz é um direito de todos!

Por tudo isso sou poeta, sou escritora. Não é um mero penduricalho, título de status, poder. Se eu pensasse assim, minha literatura não passaria pelo processo de humanização e nem tocaria a sensibilidade das pessoas na sua pluralidade. Ao contrário, estaria a serviço do meu ego, a serviço dos opressores e não dos oprimidos. Escrever é um modo de ser e estar no mundo e eu desejo que isso seja da forma mais bela e humana, tanto em forma como em conteúdo!

Agradeço imensamente a Deus essa minha inclinação para as letras, ao meu avô Manuel Targino, que, com seu exemplo de leitor ávido e contador de histórias, despertou em mim o desejo de adentrar no universo mágico da literatura. Minhas memórias afetivas com meus avós são inundadas de poesia. Lembro que ele, agricultor, tinha uma plantação de algodão. Eu, ainda criança, pegava um bisaco e com minha avó íamos colher algodão. Ficava deslumbrada com a beleza da flor do algodão. Quando se afastavam, via os cabelos branquinhos que, muitas vezes, confundiam-se com a brancura do algodão. Eu não sabia que esses eram os primeiros fios tecidos da minha história, os primeiros fios das minhas memórias afetivas.

Nesse momento memorável que é se tornar membro de uma Academia literária, não poderia deixar de agradecer aos meus pais que investiram nos meus estudos e, mesmo quando passei um longo período sem estudar, hospitalizada, eles me presenteavam com o que eu mais amava: livros. Eram os livros meus companheiros de reclusão, longe da escola, dos outros pré-adolescentes.

Agradeço aos mestres do Curso de Letras, profissionais em que eu sentia a Literatura pulsar na veia. Todos ali estavam exercendo o ofício por paixão, por escolha. Cursar Letras, fazer mestrado em Literatura foram também escolhas que eu fiz movida pela paixão! Não foi à toa que passei em primeiro lugar no Curso de Letras.

Outro momento muito significativo foi conhecer e interagir com poetas e escritores. Alguns deles não posso deixar de citar: Goulart Gomes, o inventor dessa bela forma minimalista: o Poetrix. Uma pessoa talentosa, generosa, que acreditou no meu trabalho como organizadora de antologias poéticas e sempre me convidou a participar das coletâneas que ele organizava.

Outro poeta, e também grande parceiro literário, é José de Castro. Moramos no mesmo estado, mas nos conhecemos virtualmente através do Recanto das Letras. Foi ele que me apresentou o poetrix. E eu, tão apaixonada pela forma poética, lancei a fagulha, a centelha incendiando o Rio Grande do Norte. E, generosamente, Castro aceitou o meu convite para fazer parte das antologias Fagulhas Poéticas I e II. Além dele, talentosos poetrixtas de várias partes do Brasil vieram compor as antologias. E, assim, a centelha, como uma pira olímpica, foi percorrendo várias partes do Brasil. São conquistas, alegrias que a Literatura nos traz.

Aproveito o ensejo e agradeço às demais instituições que me acolheram como poeta e escritora: a Sociedade dos Poetas Vivos e Afins do Rio Grande do Norte – SPVA/RN; a Associação Literária e Artística de Mulheres Potiguares – ALAMP; a União Brasileira de Escritores do Rio Grande do Norte – UBE-RN, o Movimento Nacional do Mulherio das Letras. Todos eles constituem uma irmandade literária.

    Para finalizar o meu discurso, cito um poetrix de minha autoria:

Estranhamentos

Escavo silêncios.
Dentro do poema,
Desvazio-me.


É isso: poesia é para causar espantos, estranhamentos. É incorporação. Mexer com os nossos sentidos. Virar-nos pelo avesso, desvaziar-nos! Preencher-nos! Redimensionar o nosso olhar. Tornar-nos mais humanos. É um Sopro. Luz! Fiat lux!

Gratidão, gratidão à Academia Internacional Poetrix!

Gilvânia Machado


Discurso de posse - Saulo Pessato

Certa vez, perguntei aos mestres que conselho inspirador dariam a um jovem aspirante a poeta, ainda inseguro dos seus trilhos. E Drummond assim me respondeu:

Tua gota de bile, tua careta de gozo ou de dor no escuro
são indiferentes.
Nem me reveles teus sentimentos,
que se prevalecem do equívoco e tentam a longa viagem.
O que pensas e sentes, isso ainda não é poesia.


Pessoa, corroborativo, quase não assumindo a mentira e o fingimento poético, completou:

Sentir? Sinta quem lê!

Foi assim que escolhi o trem — ou seria o comboio de cordas? — pelo qual seguiria viagem no universo da poesia, ainda que a insegurança estilística me levasse, vez por outra, a cogitar baldeações.