PASSEATA
Era o ampliar da consciência
Novo élan no horizonte
Semente brotando
Dirce Carneiro
LIÇÃO DE RUA
Mãos dadas, vozes-faróis
Aprendizado de união
Havia uma doçura na luta
Dirce Carneiro
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Do livro Poemas de Ostras – Poetrix (2025)
PASSEATA
Era o ampliar da consciência
Novo élan no horizonte
Semente brotando
Dirce Carneiro
LIÇÃO DE RUA
Mãos dadas, vozes-faróis
Aprendizado de união
Havia uma doçura na luta
Dirce Carneiro
______
Do livro Poemas de Ostras – Poetrix (2025)
RETROVISOR
Éramos tão felizes
diferenças de classes, ocultas
felicidade era voar na capucheta
Dirce Carneiro
BEM-TE-VI
Não sou ovelha
mais para onça pintada
ave chora-canta paz
Dirce Carneiro
LÚDICO
Fetiche por água
borbulham universos
memória uterina
Dirce Carneiro
AVOÍCES
Banho no tanque
avós avessas a regras
navegos em mares-rios
Dirce Carneiro
ENCARNAÇÃO
Viemos da era do Verbo
vestimos carne, tempo
virtual lugar-agora
Dirce Carneiro
RESPOSTA AO TEMPO I
Afinal, tempo, que queres?
de mim terás a carcaça
o meu tesouro não tocarás
Dirce Carneiro
Poetrix do Livro "Poemas de Ostras", de Dirce Carneiro (2025)
PONTE ESTENDIDA
A Lorenzo Ferrari
Partiu o poeta
Encontro nos versos
Liame perene
Dirce Carneiro
NA OUTRA MARGEM
Ele nos observa
A voz ainda ressoa
Panteão busca o infinito
Dirce Carneiro
QUASE FIM DE ESTAÇÃO
Foi um abril atípico
Outono traz sinestesias
Quedo-me a perscrutar
Dirce Carneiro
DIRETOR INVISÍVEL
Palavras não dizem tudo
São muitos cenários
Personas movem-se no palco
Dirce Carneiro
PENSANDO COM O BIGODE
Entre a fala e a prática, abismo
Ser humano é indefinível
Faço cara de Dali
Dirce Carneiro
GEOPOLÍTICA
(do bairro onde vivi)
Estação era referência
Traçava-se o mapa social
Ponto de todas as distâncias
Dirce Carneiro
EU E O POETRIX
(Dirce Carneiro
Acadêmica AIP Cadeira 26)
Porque atraiu-me, dedico-me e escrevo Poetrix?
A proposta acenou-me como desafio.
Num mundo da velocidade, em que, muitas vezes, a pressa anula o intervalo entre o enunciado da mensagem e o seu fim – o raciocínio, o Poetrix, para mim, se apresentou como forma poética a romper essa bolha de clips rápidos e alienantes.
Já disse, em outras ocasiões, que o Poetrix une o clássico e o moderno-contemporâneo, contemplando uma das mais interessantes combinações culturais.
Clássica, porque traz, na forma, fixa, a exigência de 30 sílabas poéticas no terceto, não se considerando o título nesta contagem.
Moderno-contemporâneo, porque no seu conteúdo, livre, cabem todos os universos de assuntos que habitam a imaginação dos poetas.
Assim, para meu estilo dissertativo, fui desafiada a sintetizar enunciados poéticos e visões de mundo, tendo a profundidade e a máxima poeticidade (possível a cada autor), como atributos capazes de impactar o leitor.
Um, entre outros desafios, se apresenta neste fazer poetrixta: a independência dos versos. Muito já se falou sobre isso. Não me alongarei no básico da questão.
Só menciono a tendência de se compor tercetos sem oração (sem verbo) como artifício para fugir do chamado fatiamento.
Em debate, sempre frutífero, com um estudioso de Língua Portuguesa e outros idiomas, que justificava a ausência de verbos nos seus poemas, veio ao contexto a citação “No princípio era o verbo”
Sim, disse-lhe eu:
- O verbo estava oculto, existia no conceito, como ideia, mas na hora de se comunicar, ele se “fez carne”, materializou-se, mostrou a face do que pairava sobre a criação:
- O criador do mundo queria se comunicar, mandar sua mensagem.
O poetrixta quer se comunicar, numa mensagem de versos com enunciados completos.
Sem engessamentos. Nada é absoluto.
Às vezes, também nos comunicamos apenas com gestos, olhares, algo em suspenso e/ou secreto e até mesmo símbolos.
Clássico-moderno-contemporâneo. É o Poetrix. Certinho na forma, ousado, atrevido, lírico, poético e imprevisível no conteúdo. Tudo o que um poeta pode ser com as palavras.
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Dirce Carneiro
Acadêmica AIP Cadeira 26
Outubro/25