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domingo, 26 de abril de 2026

Entrevista com Rita Queiroz

ACADEMIA INTERNACIONAL POETRIX

ENTREVISTA COM RITA QUEIROZ

CADEIRA 3


RITA QUEIROZ, O LIRISMO COMO META

 

Rita Queiroz, filha de Salvador, soteropolitana de corpo e mar, poeta nascida nessa cidade mítica onde o Atlântico bate como um coração antigo. Terra de histórias e encantos, do Capitão da Areia e de tantas canções que se derramam pelas ladeiras, entre o sal do vento e o riso do povo. Nela, Rita bebe essa luz quente e mestiça e escreve como quem conhece o segredo das marés, com a alma aberta, livre e cheia de vida. Professora universitária e especialista em filologia, desde 2019 frequenta o Poetrix com um lirismo singular feminino e feminista na Confraria da Ciranda Poetrix e, desde dezembro de 2025 ocupa a cadeira 3 da nossa Academia Internacional Poetrix. Clique aqui para acessar a biografia completa da autora. 

 

Rita, é impossível começar sem evocar tua cidade mítica, Salvador. De que modo esse mar, essas ladeiras e essa memória viva respiram dentro da tua poesia?

Salvador é uma poesia a céu aberto. Onde quer que vá, respiro poesia. Minhas vivências, minhas memórias, meus afetos perpassam pela cidade. Minha infância, minha adolescência, minha vida adulta se encontram na minha escrita. E o mar, com seus mistérios e encantos, sempre me fascinou e me proporcionou mergulhar em mim mesma e assim poder me revelar, ora como água rasa, ora como água profunda.

 


Conheci, noutra vida, Jorge Amado no coração do Pelourinho. E tu mergulhaste no seu léxico. Que marcas dele habitam tua escrita? E que outras vozes de grandes autores te acompanham?

Quando estudante do curso de Letras, tive a oportunidade de conhecer o Jorge Amado. Estive presente nas comemorações dos seus 80 anos. Desde menina que a obra de Jorge Amado tem impacto na minha vida. Viver, através da escrita dele, a saga do cacau, a luta pelo reconhecimento da cultura afro-brasileira, a defesa do povo de santo, o protagonismo feminino reverberaram na minha formação intelectual. Estudar suas obras a partir do vocabulário popular foi uma experiência que me remeteu à minha infância, quando ia para a casa de meus avós na zona rural e ouvia as pessoas falarem daquele jeito que ele escrevia. Além de Jorge Amado, poetas como Cecília Meireles e Vinícius de Moraes marcaram minha produção.

 

Em que paisagens nasceram teus primeiros versos, foram ruas, mares, silêncios ou ausências?

Ausências, de quem se foi através das águas, sejam estas doces ou salgadas.

 

Teu destino parece entrelaçado à palavra… Como se deu o teu encontro com o Poetrix e que horizontes ele abriu na tua criação?


Sim, a palavra é o meu combustível. A escrita minimalista sempre fez parte da minha trajetória, mesmo não conhecendo o Poetrix, do qual só tomei conhecimento em 2019, quando participei do Encontro do Mulherio das Letras em Natal, no Rio Grande do Norte. Durante o evento, a Luciene Avanzini me convidou para uma oficina ministrada pela Aila Magalhães. Depois disso, ela me chamou para fazer parte do grupo Ciranda Poetrix, no qual conheci muita gente e pude desenvolver melhor a minha escrita minimalista. Assim, tenho participações em algumas antologias da AIP, de todas da Ciranda Poetrix, além de dois livros solo de Poetrix e um com 1/3 de Poetrix, o “Mínima Poesia”, o qual ficou em segundo lugar no concurso da AIP.

 

Como professora que orienta novos olhares, que leitura nos ofereces do Poetrix e das suas possibilidades mais sutis?

 Atualmente estou aposentada das atividades em sala de aula. Quando estava na ativa, atuava na área da filologia, não trabalhando especificamente com texto literário. No entanto, tenho ministrado oficinas de criação literária nas quais falo da poesia minimalista, como o Poetrix. Tanto a leitura quanto a produção de Poetrix favorecem a interpretação nas entrelinhas. Sendo um texto que comporta um título e três versos, os quais devem somar apenas 30 sílabas, instiga a imaginação, a concisão e a precisão. Para qualquer pessoa que escreve, isso leva à lapidação desse texto, buscando usar as palavras de forma que haja um impacto na leitura do Poetrix.

 


Como dialogam, em ti, a investigação acadêmica e o gesto íntimo de escrever poesia?

Minha investigação acadêmica não dialoga, diretamente, com minha produção poética. Embora haja uma influência discreta, pois ser do mundo das Letras nos permite conexões diversas. Passado e presente se misturam e temas investigados por mim, como a violência contra mulheres, se fazem ecoar em minha produção, seja esta em versos ou em prosa. Ler autores canônicos e os contemporâneos têm me ajudado a escrever melhor, não só a poesia minimalista como textos diversos.

 

Tendo Olga Savary como patrona, que ressonâncias encontras na tua obra de poeta e contista nordestina?

A literatura de Olga Savary pulsa feminismo. Desse modo, ressoam nossas obras.

 

O que é o Poetrix para ti? Como se acende, no teu íntimo, o instante da criação?

O Poetrix é para mim um sopro, um alento, um golpe profundo. O Poetrix evoca muitas sensações e muitos sentidos. Há Poetrix que nos deixam sem ar, como se tivéssemos recebido um soco no estômago. Há outros que nos deixam em êxtase e outros que nos fazem acalmar a alma. O que escrevo é mais lírico. Então ele surge da mesma forma como escrevo outros textos, apenas com o diferencial que devo ser mais sucinta, deixar os sentidos nas entrelinhas.

 

Teu lirismo, tão singular e reconhecido, como o nomearias, se tivesses de lhe dar um rosto?

Seria um rosto em braille, aberto a inúmeras leituras, seja através do tato ou da decifração dos seus caracteres plurissignificativos.

 

Poderias partilhar um dos teus Poetrix e abrir-nos a porta do seu sentido?

 

MANHÃS DE SOL

 

Bem-te-vis despertam sonolentos

Visto-me de esperanças vivas

Acasos mudam destinos

 

Rita Queiroz

 

Deixo que vocês leiam-me e digam quais sentidos foram despertados.

 

Como nova acadêmica da AIP, que caminhos desejas semear com a tua voz?

Desejo sempre semear, onde quer que esteja, a poesia, plena de amor, esperanças, a fim de que possamos transformar esse mundo caótico.

 


Mulher e poeta, como percebes hoje a escrita como espaço de afirmação e travessia feminina?

Comecei a escrever e a publicar com mais produtividade a partir de 2015. Lancei-me primeiro nas redes sociais. Nesse espaço, encontrei ex-alunos e ex-alunas que me incentivaram a seguir. Assim, ex-alunas que atuam na docência na área da literatura, me propuseram uma discussão acerca da autoria feminina. Desse modo, surgiu o coletivo que coordeno: a Confraria Poética Feminina. Formado por mulheres, desde 2016, já publicamos 10 coletâneas e duas agendas poéticas, além de termos levado nossas vozes a dezenas de eventos literários no Brasil e no exterior. Com esse coletivo, damos vez e voz para outras mulheres que se reconhecem na nossa escrita. Nesses 10 anos de existência, outros coletivos surgiram e vimos a força feminina presente em várias áreas. Transformamos silêncios em ecos, reverberados na poesia, na prosa, nos textos para as infâncias, na música e nas artes de um modo geral.

 

Para terminar: onde se encontram, para ti, a relação entre a arte e a vida?

Em tudo. Não há como separar a arte e a vida, pois elas se complementam. Não há fronteiras.

 


 

Academia Internacional Poetrix

Gestão Uni-Versos (2026-2028)

Entrevista por Ximo Dolz

Acadêmico cadeira 30

As imagens pertencem ao acervo particular da autora. 

quinta-feira, 23 de abril de 2026

Três Poetrix de Rita Queiroz


 

INTROSPECÇÃO 


Amanheço em ondas azuis 

Paz faz morada nos olhos 

Corpo levita sem freios 


ABISMOS SUSSURRANTES 


Ventos embriagam-me de ausências

Peito rasga-se em sussurros 

Vazio aporta-me 


LABIRÍNTICAS MEMÓRIAS 


Sangram saudades infindas 

Eternas vidas se refazem 

Silencio-me no ocaso 


Rita Queiroz

quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Discurso de Posse de Rita Queiroz - cadeira 3

 Prezada Presidente Valéria Pisauro, Prezada Diretoria, Prezados integrantes e fundadores da Academia Internacional Poetrix, Prezada Comissão eleitoral, minhas sinceras saudações!

Saúdo também o poeta Goulart Gomes, a quem reverencio pela criação, pela divulgação e pela projeção do poetrix. Seu trabalho é incansável em prol desses objetivos, sendo também o motivo pelo qual nos reunimos nesta arcádia.

Meus agradecimentos às acadêmicas e aos acadêmicos que votaram em mim, validando meu trabalho como poeta. Meu muito obrigada!

É uma grande honra tornar-me membro da Academia Internacional Poetrix, juntamente com renomados poetas, pelos quais sinto grande admiração e respeito! Assim, comprometo-me a zelar e a servir aos propósitos desta arcádia, no sentido de elevar a cultura, a literatura e todas as ações que sejam encampadas para esse fim.

Saúdo e agradeço, especialmente, a acadêmica Luciene Avanzini, minha madrinha poetrixta, por todo incentivo que vem me dando desde 2019, ano em que nos conhecemos em Natal durante a realização do III Encontro Nacional do Mulherio das Letras. Foi ela quem me convidou para a oficina de poetrix, ministrada pela renomada Aila Magalhães, e para a Ciranda Poetrix, da qual faço parte desde então. Assim conheci oficialmente o poetrix e me apaixonei por esse texto minimalista.

Sou soteropolitana! Vim ao mundo aos 22 dias do mês de agosto, às 21h10min, ao som das águas da Baía de todos os Santos e sob as cores mágicas que fazem dessa data o dia do Folclore. Em Salvador, vivenciei algumas fases de minha vida, sempre tendo o Oceano Atlântico como horizonte, para onde mirava e sonhava com outros mundos, outros povos, outras culturas. O mar sempre me encantou, sendo banhada por ele desde bebezinha. Trago uma imagem muito forte da baía, quando visitei pela primeira vez o Museu Solar do Unhão. As luzes douradas refletidas nas águas diziam para mim que as dores sempre se esvaem na poesia, essa libertária manifestação artística que tudo transforma.

Seguindo meu destino ligado à palavra, cursei Letras Vernáculas na Universidade Federal da Bahia, onde também me tornei Mestre em Letras. Apaixonada por escritas antigas, dediquei-me ao estudo de manuscritos, sejam estes antigos ou contemporâneos. No Mestrado, estudei os sonetos do poeta baiano Arthur de Salles, falecido em 1952. No Doutorado, cursado na Universidade de São Paulo, debrucei-me sobre os manuscritos medievais do texto Castelo Perigoso, traduzido do francês para o português no Mosteiro de Alcobaça, em Portugal, o qual é composto por sete tratados que falam sobre como nos proteger dos perigos mundanos. Prosseguindo com a pós-graduação, fiz Pós-doutorado em Estudo de Linguagens na Universidade do Estado da Bahia, estudando o vocabulário de Jorge Amado na obra Tereza Batista cansada de guerra. Com toda essa ligação com o mundo das letras, fui professora universitária durante 30 anos, tendo lecionado a disciplina Filologia Românica na Universidade do Estado da Bahia e na Universidade Estadual de Feira de Santana.

Durante 25 anos dediquei-me com afinco à carreira acadêmica, sendo professora com dedicação exclusiva, produzindo diversos artigos, capítulos de livro, livros; orientado alunos e alunas de iniciação científica, de tcc, de mestrado e de doutorado, além de ter uma supervisão de pós-doutorado. A partir de 2015, aliando as carreiras acadêmica e literária, criei o coletivo Confraria Poética Feminina, o qual reúne escritoras baianas e que conta com 9 coletâneas, 2 agendas literárias e 1 CD. Com a Confraria Poética Feminina alavanquei a minha carreira solo, com 22 livros publicados: 10 de poemas, 3 de contos, 1 biográfico e 8 infantojuvenis. Participei de mais de 200 coletâneas/antologias, sejam estas nacionais ou internacionais. Dentre os livros de poemas, 1 é exclusivo de poetrix, Silêncios submersos (premiado em 2º lugar no Prêmio Ecos da Literatura 2024 na categoria livro de poesia), e 1 com poetrix, haicais e aldravias, Mínima poesia (premiado em 2º lugar pela Academia Internacional Poetrix na categoria livro que contenha poetrix).

Esta noite é memorável, como outras que já vivi e que ainda viverei. Neste 12 de dezembro de 2025, torno-me oficialmente membro da Academia Internacional Poetrix, ocupando a cadeira de número 3, tendo como patrona a escritora Olga Savary e como fundadora a Ana Mello.

Biografia de Rita Queiroz

 



RITA QUEIROZ, nascida Rita de Cassia Ribeiro de Queiroz, em Salvador, Bahia, Brasil, aos 22 dias do mês de agosto de 1963, sexo feminino. Filha de Edvaldo Ribeiro de Queiroz e Raulina Ribeiro de Queiroz. Tem pós-doutorado em Estudo de Linguagens (UNEB-2017), doutorado em Filologia e Língua Portuguesa (USP-2002), mestrado e graduação em Letras (UFBA-1995, 1989). Professora universitária aposentada. Filóloga. Poeta. Escritora. Como pesquisadora e professora universitária, conta com 96 artigos, 14 livros, 50 capítulos de livros publicados e 18 homenagens feitas por aluno(a)s: paraninfa, patronesse, amiga da turma, professora homenageada.

Poetrix de Rita Queiroz

NATAL DE LUZ

Foguetes riscam os céus
Fronteiras duelam sem trégua
Órfãos estendem a mão


NOITE FELIZ I

Choram os sinos
Barrigas roncam
Sapatinho espera na janela


NOITE FELIZ II

Brotam pés de sonhos
Esperanças renovadas
Não há luz na favela


Rita Queiroz

terça-feira, 12 de dezembro de 2023

Poetrix Natalino de Rita Queiroz




NOITE FELIZ I

Choram os sinos
Barrigas roncam
Sapatinho espera na janela


NOITE FELIZ II

Brotam pés de sonhos
Esperanças renovadas
Não há luz na favela


LUZES DE NATAL

Harmonia de cores
Corações em festa
Faltam ouro, mirra e incenso


ENTÃO É NATAL

Em Belém, foguetes riscam os céus
Fronteiras duelam sem trégua
Órfãos estendem a mão


Rita Queiroz


quinta-feira, 13 de julho de 2023

Poetrix de Rita Queiroz


 DO OUTRO LADO DO RIO 

Na solidão, abraço o vento 
Sinto os respingos uivarem 
Águas fogem para a foz 

Rita Queiroz 

BANHO DE LUA

Raios aquecem a alma 
Delírios plantam desejos
Bandolins me energizam 

Rita Queiroz 

AO PÉ DO OUVIDO 

Estrelas flutuam na lua
Enamorados, bailamos 
Sussurros dizem tudo

Rita Queiroz 

terça-feira, 6 de setembro de 2022

Poetrix de Rita Queiroz

Terra de Santa Cruz

Corpos pintados
Prontos para guerra
Tupi e iorubá: livres já

Rita Queiroz

terça-feira, 5 de julho de 2022

Poetrix de Rita Queiroz

Resistir às Más Notícias 

Telas viróticas
Descansar os olhos
Pássaros cantam

Rita Queiroz
Antologia [R]EXISTIR

 

segunda-feira, 14 de fevereiro de 2022

Poetrix de Rita Queiroz


UM DIA DE CADA VEZ

A cada mudança da lua
Acordo girassol
Adormeço chuva

Rita Queiroz

segunda-feira, 7 de fevereiro de 2022

Poetrix de Rita Queiroz

 FLORAÇÕES


Desejos se espraiam
Floradas de emoções
Em cada poro, verto

Rita Queiroz

 


domingo, 23 de janeiro de 2022

Poetrix de Rita Queiroz


GARIMPAGEM

Jogo tudo na bateia
Sonhos, amores, estrelas
Boiam poemas

Rita Queiroz

sábado, 9 de outubro de 2021

quinta-feira, 23 de setembro de 2021

Poetrix - Rita Queiroz


ALÉM DO HORIZONTE

Mares singram saudades
Latentes desejos
De eternidades

(Rita Queiroz)