sábado, 18 de abril de 2026

Nota de Pesar

 


É com grande tristeza que a Academia Internacional de Poetrix comunica o falecimento, no dia 18 de abril, do seu membro Lorenzo Ferrari, poeta sutil e comprometido, e membro ativo da nossa Academia. Encontramo-nos em luto.

A Academia deseja transmitir à família e aos amigos de Lorenzo as suas mais sentidas condolências, bem como a sua mais profunda solidariedade neste momento de dor. 

Os Poetrix de Lorenzo permanecerão para sempre como testemunho do seu pensamento profundo e da arte sensível que soube transmitir, deixando uma marca viva no nosso percurso comum.

domingo, 12 de abril de 2026

Entrevista com Ximo Dolz

 ACADEMIA INTERNACIONAL POETRIX – AIP

ENTREVISTA COM O ACADÊMICO

XIMO DOLZ – CADEIRA 30

 

 

Joaquim Dolz, professor honorário da Universidade de Genebra, pesquisador do Poetrix e poeta sob o nome de Ximo Dolz, integra a Academia Internacional Poetrix desde dezembro de 2025. Entre a didática das línguas e a respiração breve do poema mínimo, constrói uma obra onde pensar e sentir se entrelaçam com discrição e intensidade. 

Biografia completa de Ximo Dolz e seu Discurso de posse estão disponíveis no blog da AIP. 

Entrevista concedida a Dirce Carneiro

(acadêmica – cadeira 26)

Gestão Uni_Versos – 2026/2028

 


 

1) Onde nasceu? Que memórias guardam os seus primeiros lugares?


Nasci em Morella, pequena cidade medieval do País de València — o meu Macondo íntimo. As muralhas, o castelo, as ruas estreitas: tudo isso moldou não apenas a minha infância, mas também a minha imaginação. Muito cedo comecei a escrever e a recitar, como se a palavra já me tivesse escolhido. A minha língua primeira é o catalão, e nela permanece um compromisso profundo: o de cuidar de uma língua que resiste há séculos. Escrevo noutras línguas — francês, português, espanhol —, mas é no catalão que o mundo me soa mais verdadeiro.

 

2) Como a sua trajetória acadêmica atravessa a sua escrita?

Há mais de quatro décadas habito a Universidade de Genebra. Dediquei-me ao ensino e à aprendizagem das línguas, à didática do francês, à formação de professores. A maior parte da minha obra é académica, mas suspeito que também aí se esconde uma forma de escrita — uma atenção ao detalhe, uma escuta do outro, uma arquitetura do sentido.

 

3) O que o plurilinguismo lhe ensinou?

Aprender línguas foi, antes de tudo, aprender a deslocar-me. Ao falar um português imperfeito, compreendi melhor outras culturas e, ao mesmo tempo, relativizei a minha. Descentrei-me. Abri-me. O plurilinguismo não é apenas uma competência: é uma forma de estar no mundo. Enriquece a sociabilidade, sim — mas também a maneira de pensar.

 

4) O olhar atento e o pensamento crítico: o que lhe ensinaram?


O olhar atento e o pensamento crítico ensinaram-me a não aceitar o mundo como dado, mas como construção. A ver o invisível, a interrogar o evidente, a escutar antes de julgar.

Olhar e pensar, afinal, são formas de responsabilidade. A ética da discussão de Habermas é um caminho.

 

5) Há algo que ainda deseja aprender?

Tudo. Quanto mais estudei, mais consciência tenho do que ignoro. Talvez seja esse o verdadeiro motor: saber que o saber nunca se fecha.

 

6) Como chegou ao Poetrix?

Cheguei quase por acaso, pela mão de Paula Cobucci, que investigava o gênero em Genebra. Entrei como observador e acabei por ficar, como quem encontra uma casa inesperada. Desde 2022 escrevo Poetrix quase diariamente.

 

7) Como nasce um Poetrix em si?

O Poetrix, para mim, é jogo e rigor. Um espaço mínimo onde a linguagem se condensa. Procuro, com poucos elementos, criar uma abertura: um enigma, uma vibração, uma pequena fratura no sentido. Escrevo sem ambição, mas com alegria quando surge essa centelha: três versos, um título, e de repente algo se expande.

 

8) A criação está entre dor e prazer?

Sim, ambos coexistem. A escrita foi também terapêutica. Como dizia Octavio Paz, a poesia é um diálogo, e esse diálogo, muitas vezes, é interior.

 

9) O que representa a Academia para si?

Uma partilha. Um compromisso com um projeto coletivo iniciado por Goulart Gomes e continuado por vozes que admiro. Também um desafio: atravessar momentos de fragilidade e transformá-los em construção comum.

 

10) E a experiência nos grupos?

Rica, viva, por vezes tensa, como todo espaço de criação. Há trocas, há aprendizagens, e há também diferenças. Eu próprio sei que caminho com uma visão muito pessoal do Poetrix.

 

11) O Poetrix pode ser ensinado?

É essa a pergunta que me move. Com Paula Cobucci, estudamos a evolução do gênero, as suas formas, as práticas nas plataformas. Procuramos construir um modelo didático que permita explorar o seu potencial na aprendizagem da língua e da criação literária.

 

12) E o seu papel na Academia?

Hoje participo na direção, mas o meu desejo é simples: explorar o Poetrix como instrumento de aprendizagem, da língua, da escuta, da sensibilidade.

 


13) O que pode a arte num mundo inquieto?

No meu caso, humaniza-me. Devolve-me ao essencial quando tudo à volta parece disperso. A arte é uma forma de reencontro: comigo mesmo, com os outros, com aquilo que ainda resiste ao ruído… é uma resistência contra a guerra e a sem-razão, contra a ausência de lógica ou explicação aparente do que o mundo está a viver.

Ela desacelera o tempo, cria um espaço de escuta e de atenção, onde o sentido pode emergir sem pressa. Num mundo fragmentado e em guerra, a arte recompõe, não resolve, mas ilumina. Permite nomear o indizível, dar forma à inquietação, transformar a experiência em partilha.

Também me ensina a olhar: a ver o detalhe, o quase invisível, aquilo que passa despercebido na pressa do quotidiano. E, nesse gesto, há já uma ética habermassiana, uma maneira de estar mais atento, mais disponível, mais humano.

A arte não salva o mundo, mas humaniza quem o habita. E talvez isso seja, hoje, uma das formas mais necessárias de resistência.

 

14) Que livros, que caminhos de escrita o definem?

A biblioteca completa como diria Borges. E uma perspectiva teórica o interacionismo sociodiscursivo de Jean-Paul Bronckart.

 

15) Há uma obra que gostaria de destacar?

Mas que obras autores: Ausias March, Joan Salvat-Papasseit, Joan Brossa, Vicent Andrés Estellés por citar alguns poetas da minha lingua primeira. Pessoa em português. Garcia Lorca e meu amigo José Cereijo em espanhol. Tantos poetas e tantas obras… os sonetos de Borges.

 

16) O mundo acelera. Estamos a perder o equilíbrio?

 

HOJE

 

o mundo acelera

o equilíbrio não se perde

desaprende-se

 

17) Que vozes o acompanham, que autores o atravessam?

Na verdade, as minhas vozes interiores são polifônicas: um concerto onde ressoam os meus ancestrais, as minhas leituras, a música que me habita.

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AIP – Gestão Uni_Versos – 2026/2028

Dirce Carneiro – acadêmica, cadeira 26

 

sábado, 4 de abril de 2026

Poetrix de Sandra Boveto


ESTRELAS SILENCIAM DIANTE DA SURDEZ


ora direis ouvir

a boca abre

orelhas pra que te quero


Sandra Boveto


Poetrix de Diana Pilatti


 

Poetrix bilíngue inglês/português:


BIRTH


each full moon rising, a dream

undoing knots and threads, I reborn

reusing the same shroud


Diana Pilatti



NASCIMENTO


a cada lua alta, um sonho

desfaço nós e tramas, renasço

reaproveito a mesma mortalha


Diana Pilatti


Do livro PETITE SYNESTESIAS: Chosen Poetrix (PEQUENAS SINESTESIAS: Poetrix escolhidos), de Diana Pilatti, com Tradução de Sarah Muricy e Revisão de José de Castro.


Sete Poetrix de Oswaldo Martins

 

SERES SEMPRE DELETÉRIOS

 

éticos não são – jamais!

mentiras estão jogadas...

fedentina eleitoral.

 

Oswaldo Martins


 

SETE ESTADOS DESGRAÇADOS

 

são tão só países, sim!

terroristas pelo mundo

ladrões da riqueza alheia

 

Oswaldo Martins



LIBERDADE NÃO RESTRITA

 

versejada por poetas

modos são de poetrixta

desabafo de profetas


Oswaldo Martins

 


POETRIX SEM TER FRESCURA

 

sai dinâmico ou sem ação

poetrixta bem procura

versos belos, pé no chão

 

Oswaldo Martins



POLÍTICOS DO PLANALTO

 

aposentado enganado

previdência desviada

quanta gente tão safada! 

 

Oswaldo Martins


 

COM BROCHURA VIVE... E DANÇA!

 

flacidez tão só balança

bambeza não tem pujança

vida enferma, falta em transa 

 

Oswaldo Martins


 

TRISTE QUAL BURACO FUNDO!

 

vem com golpes, vem matando

mata tudo: vidas, gente

traz consigo bala e reza

 

Oswaldo Martins


Três Poetrix de José de Castro

 

NO PREGUIÇAR DA NOITE 


Insinua-se um rondel 

Pisca-me um soneto 

Beijo na boca, só poetrix


José de Castro 



GRAFITOS POÉTICOS 


voam velozes versos ao vento

plana a palavra, plena poesia 

baila a beleza, brisa brincante 


José de Castro



LYRICAL SOUNDS


Sonolento, sussurra o soneto 

Traquinas, trombeteia a trova

Primoroso, poesia o poetrix


José de Castro


Três Poetrix de Antônio Carlos Menezes

 

Pensamentos que voam


Sonhar sem medo

Na busca de um verso...

Enfim, o poema!


Antônio Carlos Menezes



O amor é a fonte


Tem aroma das flores

Um gesto de carinho...

Aconchego noturno.


Antônio Carlos Menezes



Mulher sempre Mulher


Sorriso mais belo

No coração, eterno amor...

Doçura da vida!


Antônio Carlos Menezes


Quatro Poetrix de Ximo Dolz

 

DOCE DÓ PASSADO


doce que dói

dói que é doce

Dolz é o nó



DOCE DÓ PRESENTE


doce é dor mansa

dó é doce ferida

hoje é Dolz



DOCE DÓ FUTURO


doce em dor

nem dor em doce 

só pó de Dolz 


Ximo Dolz



NÓS NA GARGANTA


quanto tempo o tempo tem?

tempo sem fim

sem mim, enfim 


Ximo Dolz

Quatro Poetrix de Cleusa Piovesan


 

VIANDANTES 


Os sonhos surgem no trajeto 

é preciso "botar o pé na estrada"

o medo é apenas o impulso 


Cleusa Piovesan



SÍMBOLOS PERDIDOS 


Respeito não é obrigação 

ética está fora de moda

mundo à beira do abismo 


Cleusa Piovesan



INVERSÕES 


Anticristos vestem-se de ídolos 

deuses perderam o crédito 

religião tem mais poder que fé 


Cleusa Piovesan



GERAÇÃO ALPHA: EXPERIÊNCIA FRUSTRADA 


Mudam-se sonhos e desejos 

Aladins tateiam no escuro 

Betha trará vislumbre de evolução?


Cleusa Piovesan


Dois Poetrix de Margarida Montejano


 POESIA PELO FIM DA GUERRA


Sonhos privados e alheios

Corações acelerados

Paz em ovos de Páscoa 


Margarida Montejano



ATENÇÃO!


Diz ser igual

Engano, engodo à vista 

Cuidado! Podre poder


Margarida Montejano