domingo, 12 de abril de 2026

Entrevista com Ximo Dolz

 ACADEMIA INTERNACIONAL POETRIX – AIP

ENTREVISTA COM O ACADÊMICO

XIMO DOLZ – CADEIRA 30

 

 

Joaquim Dolz, professor honorário da Universidade de Genebra, pesquisador do Poetrix e poeta sob o nome de Ximo Dolz, integra a Academia Internacional Poetrix desde dezembro de 2025. Entre a didática das línguas e a respiração breve do poema mínimo, constrói uma obra onde pensar e sentir se entrelaçam com discrição e intensidade. 

Biografia completa de Ximo Dolz e seu Discurso de posse estão disponíveis no blog da AIP. 

Entrevista concedida a Dirce Carneiro

(acadêmica – cadeira 26)

Gestão Uni_Versos – 2026/2028

 


 

1) Onde nasceu? Que memórias guardam os seus primeiros lugares?


Nasci em Morella, pequena cidade medieval do País de València — o meu Macondo íntimo. As muralhas, o castelo, as ruas estreitas: tudo isso moldou não apenas a minha infância, mas também a minha imaginação. Muito cedo comecei a escrever e a recitar, como se a palavra já me tivesse escolhido. A minha língua primeira é o catalão, e nela permanece um compromisso profundo: o de cuidar de uma língua que resiste há séculos. Escrevo noutras línguas — francês, português, espanhol —, mas é no catalão que o mundo me soa mais verdadeiro.

 

2) Como a sua trajetória acadêmica atravessa a sua escrita?

Há mais de quatro décadas habito a Universidade de Genebra. Dediquei-me ao ensino e à aprendizagem das línguas, à didática do francês, à formação de professores. A maior parte da minha obra é académica, mas suspeito que também aí se esconde uma forma de escrita — uma atenção ao detalhe, uma escuta do outro, uma arquitetura do sentido.

 

3) O que o plurilinguismo lhe ensinou?

Aprender línguas foi, antes de tudo, aprender a deslocar-me. Ao falar um português imperfeito, compreendi melhor outras culturas e, ao mesmo tempo, relativizei a minha. Descentrei-me. Abri-me. O plurilinguismo não é apenas uma competência: é uma forma de estar no mundo. Enriquece a sociabilidade, sim — mas também a maneira de pensar.

 

4) O olhar atento e o pensamento crítico: o que lhe ensinaram?


O olhar atento e o pensamento crítico ensinaram-me a não aceitar o mundo como dado, mas como construção. A ver o invisível, a interrogar o evidente, a escutar antes de julgar.

Olhar e pensar, afinal, são formas de responsabilidade. A ética da discussão de Habermas é um caminho.

 

5) Há algo que ainda deseja aprender?

Tudo. Quanto mais estudei, mais consciência tenho do que ignoro. Talvez seja esse o verdadeiro motor: saber que o saber nunca se fecha.

 

6) Como chegou ao Poetrix?

Cheguei quase por acaso, pela mão de Paula Cobucci, que investigava o gênero em Genebra. Entrei como observador e acabei por ficar, como quem encontra uma casa inesperada. Desde 2022 escrevo Poetrix quase diariamente.

 

7) Como nasce um Poetrix em si?

O Poetrix, para mim, é jogo e rigor. Um espaço mínimo onde a linguagem se condensa. Procuro, com poucos elementos, criar uma abertura: um enigma, uma vibração, uma pequena fratura no sentido. Escrevo sem ambição, mas com alegria quando surge essa centelha: três versos, um título, e de repente algo se expande.

 

8) A criação está entre dor e prazer?

Sim, ambos coexistem. A escrita foi também terapêutica. Como dizia Octavio Paz, a poesia é um diálogo, e esse diálogo, muitas vezes, é interior.

 

9) O que representa a Academia para si?

Uma partilha. Um compromisso com um projeto coletivo iniciado por Goulart Gomes e continuado por vozes que admiro. Também um desafio: atravessar momentos de fragilidade e transformá-los em construção comum.

 

10) E a experiência nos grupos?

Rica, viva, por vezes tensa, como todo espaço de criação. Há trocas, há aprendizagens, e há também diferenças. Eu próprio sei que caminho com uma visão muito pessoal do Poetrix.

 

11) O Poetrix pode ser ensinado?

É essa a pergunta que me move. Com Paula Cobucci, estudamos a evolução do gênero, as suas formas, as práticas nas plataformas. Procuramos construir um modelo didático que permita explorar o seu potencial na aprendizagem da língua e da criação literária.

 

12) E o seu papel na Academia?

Hoje participo na direção, mas o meu desejo é simples: explorar o Poetrix como instrumento de aprendizagem, da língua, da escuta, da sensibilidade.

 


13) O que pode a arte num mundo inquieto?

No meu caso, humaniza-me. Devolve-me ao essencial quando tudo à volta parece disperso. A arte é uma forma de reencontro: comigo mesmo, com os outros, com aquilo que ainda resiste ao ruído… é uma resistência contra a guerra e a sem-razão, contra a ausência de lógica ou explicação aparente do que o mundo está a viver.

Ela desacelera o tempo, cria um espaço de escuta e de atenção, onde o sentido pode emergir sem pressa. Num mundo fragmentado e em guerra, a arte recompõe, não resolve, mas ilumina. Permite nomear o indizível, dar forma à inquietação, transformar a experiência em partilha.

Também me ensina a olhar: a ver o detalhe, o quase invisível, aquilo que passa despercebido na pressa do quotidiano. E, nesse gesto, há já uma ética habermassiana, uma maneira de estar mais atento, mais disponível, mais humano.

A arte não salva o mundo, mas humaniza quem o habita. E talvez isso seja, hoje, uma das formas mais necessárias de resistência.

 

14) Que livros, que caminhos de escrita o definem?

A biblioteca completa como diria Borges. E uma perspectiva teórica o interacionismo sociodiscursivo de Jean-Paul Bronckart.

 

15) Há uma obra que gostaria de destacar?

Mas que obras autores: Ausias March, Joan Salvat-Papasseit, Joan Brossa, Vicent Andrés Estellés por citar alguns poetas da minha lingua primeira. Pessoa em português. Garcia Lorca e meu amigo José Cereijo em espanhol. Tantos poetas e tantas obras… os sonetos de Borges.

 

16) O mundo acelera. Estamos a perder o equilíbrio?

 

HOJE

 

o mundo acelera

o equilíbrio não se perde

desaprende-se

 

17) Que vozes o acompanham, que autores o atravessam?

Na verdade, as minhas vozes interiores são polifônicas: um concerto onde ressoam os meus ancestrais, as minhas leituras, a música que me habita.

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AIP – Gestão Uni_Versos – 2026/2028

Dirce Carneiro – acadêmica, cadeira 26

 

sábado, 4 de abril de 2026

Poetrix de Sandra Boveto


ESTRELAS SILENCIAM DIANTE DA SURDEZ


ora direis ouvir

a boca abre

orelhas pra que te quero


Sandra Boveto


Poetrix de Diana Pilatti


 

Poetrix bilíngue inglês/português:


BIRTH


each full moon rising, a dream

undoing knots and threads, I reborn

reusing the same shroud


Diana Pilatti



NASCIMENTO


a cada lua alta, um sonho

desfaço nós e tramas, renasço

reaproveito a mesma mortalha


Diana Pilatti


Do livro PETITE SYNESTESIAS: Chosen Poetrix (PEQUENAS SINESTESIAS: Poetrix escolhidos), de Diana Pilatti, com Tradução de Sarah Muricy e Revisão de José de Castro.


Sete Poetrix de Oswaldo Martins

 

SERES SEMPRE DELETÉRIOS

 

éticos não são – jamais!

mentiras estão jogadas...

fedentina eleitoral.

 

Oswaldo Martins


 

SETE ESTADOS DESGRAÇADOS

 

são tão só países, sim!

terroristas pelo mundo

ladrões da riqueza alheia

 

Oswaldo Martins



LIBERDADE NÃO RESTRITA

 

versejada por poetas

modos são de poetrixta

desabafo de profetas


Oswaldo Martins

 


POETRIX SEM TER FRESCURA

 

sai dinâmico ou sem ação

poetrixta bem procura

versos belos, pé no chão

 

Oswaldo Martins



POLÍTICOS DO PLANALTO

 

aposentado enganado

previdência desviada

quanta gente tão safada! 

 

Oswaldo Martins


 

COM BROCHURA VIVE... E DANÇA!

 

flacidez tão só balança

bambeza não tem pujança

vida enferma, falta em transa 

 

Oswaldo Martins


 

TRISTE QUAL BURACO FUNDO!

 

vem com golpes, vem matando

mata tudo: vidas, gente

traz consigo bala e reza

 

Oswaldo Martins


Três Poetrix de José de Castro

 

NO PREGUIÇAR DA NOITE 


Insinua-se um rondel 

Pisca-me um soneto 

Beijo na boca, só poetrix


José de Castro 



GRAFITOS POÉTICOS 


voam velozes versos ao vento

plana a palavra, plena poesia 

baila a beleza, brisa brincante 


José de Castro



LYRICAL SOUNDS


Sonolento, sussurra o soneto 

Traquinas, trombeteia a trova

Primoroso, poesia o poetrix


José de Castro


Três Poetrix de Antônio Carlos Menezes

 

Pensamentos que voam


Sonhar sem medo

Na busca de um verso...

Enfim, o poema!


Antônio Carlos Menezes



O amor é a fonte


Tem aroma das flores

Um gesto de carinho...

Aconchego noturno.


Antônio Carlos Menezes



Mulher sempre Mulher


Sorriso mais belo

No coração, eterno amor...

Doçura da vida!


Antônio Carlos Menezes


Quatro Poetrix de Ximo Dolz

 

DOCE DÓ PASSADO


doce que dói

dói que é doce

Dolz é o nó



DOCE DÓ PRESENTE


doce é dor mansa

dó é doce ferida

hoje é Dolz



DOCE DÓ FUTURO


doce em dor

nem dor em doce 

só pó de Dolz 


Ximo Dolz



NÓS NA GARGANTA


quanto tempo o tempo tem?

tempo sem fim

sem mim, enfim 


Ximo Dolz

Quatro Poetrix de Cleusa Piovesan


 

VIANDANTES 


Os sonhos surgem no trajeto 

é preciso "botar o pé na estrada"

o medo é apenas o impulso 


Cleusa Piovesan



SÍMBOLOS PERDIDOS 


Respeito não é obrigação 

ética está fora de moda

mundo à beira do abismo 


Cleusa Piovesan



INVERSÕES 


Anticristos vestem-se de ídolos 

deuses perderam o crédito 

religião tem mais poder que fé 


Cleusa Piovesan



GERAÇÃO ALPHA: EXPERIÊNCIA FRUSTRADA 


Mudam-se sonhos e desejos 

Aladins tateiam no escuro 

Betha trará vislumbre de evolução?


Cleusa Piovesan


Dois Poetrix de Margarida Montejano


 POESIA PELO FIM DA GUERRA


Sonhos privados e alheios

Corações acelerados

Paz em ovos de Páscoa 


Margarida Montejano



ATENÇÃO!


Diz ser igual

Engano, engodo à vista 

Cuidado! Podre poder


Margarida Montejano


Três Poetrix de Luciene Avanzini


 

BRASILIDADES 


Tambor acende ruas mestiças

Mangas maduras perfumam verões

Horizonte dança cores insurgentes


Luciene Avanzini 



INTERNA MENTE 


ego rói silencioso 

instinto lateja solitário 

fúria veste focinheira


Luciene Avanzini 



JUNÇÃO DE ALMAS 


Tua pele reza em minha bruma

Nossos poros guardam incenso e vertigem

Duas almas vestem eternidade


Luciene Avanzini 


Dois Poetrix de Andréa Abdala

 


NOTÍCIA DO ONTEM 


Há um abismo cortante 

Palavra e sorriso ausentes

Laço apertado de saudade 


Andréa Abdala



MÃE 


Olhar doce, alma cálida

Certeza de colo almiscarado 

Perfume vindo do céu 


Andréa Abdala

terça-feira, 31 de março de 2026

Entrevista com Margarida Montejano

 


ACADEMIA INTERNACIONAL POETRIX

ENTREVISTA COM ACADÊMICA MARGARIDA MONTEJANO

CADEIRA 29

 

Entrevista por Ximo Dolz

 

MARGARIDA MONTEJANO, A VOZ DA LOBA

 

Os Poetrix e os contos de Margarida Montejano, da cadeira 29 da AIP, revelam uma literatura de resistência: poesia feminista, empoderada, que pulsa e reivindica a voz da mulher, o aurido sensível da loba que desperta. Catadora de sentidos e palavras, como sua patrona Mardilê Friedrich Fabre, Margarida transforma cada verso em território de liberdade e invenção. É autora dos livros Fio de Prata (contos), Chão Ancestral(poesia), A Poeta e a Flor, A Poeta e a Sabiá, (infantojuvenis) e O Silêncio da Loba, contos.

O entrevistador sente-se irmão de Margarida: ambos entraram na Academia juntos e compartilham a mesma paixão pelos jogos de linguagem e pela concisão enigmática do Poetrix. Esta conversa nasce desse laço e da vontade de explorar o universo singular de sua escrita e de descobrir o enigma do seu processo criativo.

 

01. Como descobriu o Poetrix?

O Poetrix foi-me apresentado pela poeta e amiga Valéria Pisauro, num momento em que eu estava com o braço quebrado e impossibilitada de trabalhar. Valéria deu-me todas as coordenadas, da teoria à prática, e, assim, encantei-me com a arte de produzir poesia pelo prisma do minimalismo. Valéria indicou-me leituras e acompanhou-me até que eu caminhasse sozinha. Sou grata a ela, minha madrinha e incentivadora da arte literária! Minimalismo, verso curto, paixão que nasce.

 

02. Quais autores e quais ecos marcaram sua escrita?

Tornei-me uma leitora contumaz na adolescência. Queria ler e entender tudo e a biblioteca pública era meu refúgio, quando podia, pois já dividia o tempo entre escola à noite e trabalho, desde os 14 anos. Encantava-me com a escrita de Lygia Fagundes Telles e Rachel de Queiroz, a poesia de Vinícius de Moraes, Cecília Meireles, as letras de música de Chico Buarque. Dentre outras e outros escritores, li e reli três vezes Cem Anos de Solidão, de García Márquez, e senti-me personagem de sua obra, pois o povoado Macondo, naquela época, parecia-me semelhante a algum vilarejo desse nosso imenso Brasil.

 


03. A propósito da sua origem e infância: lugares que guarda na memória e que pulsam na sua escrita.

Nasci em Mogi Guaçu/SP, em meio à ditadura militar, e formei-me pedagoga quando aquele período dava seus últimos respiros. A literatura da Teologia da Libertação, à época, aliada a professores críticos do sistema político-econômico, formou-me politicamente. Talvez o espírito inquieto e a ânsia pela mudança tenham alicerçado minhas bases na esperança de um tempo livre de opressão, e esse ideal permanece em mim até hoje. A universidade e a literatura acenderam-me luzes.

 

04. Como entrelaça literatura, escrita, ofício e vida?

Então… a vida se inscreve nesta labuta infinita de construção e reconstrução diária. A leitura de mundo que vamos tecendo convida-nos a escrevê-la e, assim, trilhamos o caminho coletando elementos, cenários e inspirações para a escrita. Trabalho, família, problemas do cotidiano vão tecendo o roteiro e, quando a gente se dá conta, fez um Poetrix que, numa abordagem minimalista, resume:

 

ESCRITURAS DA VIDA

 

Pedras do caminho

pés, coração e mãos calejados

histórias afetivas no prelo

 

05. Mulher que reivindica sua voz: qual a sua relação com o universo feminino das letras?

Minha voz na escrita busca o eco da voz silenciada das mulheres que me antecederam, que me constituíram e me fazem existir no movimento das horas, dos dias. Sou grata a elas porque me inspiram a gritar, a denunciar e a continuar me expressando pelas múltiplas possibilidades da escrita. Sigo a desafiar os códigos linguísticos e a misturar palavras, sentimentos, versos e prosa, mas sempre vinculados ao compromisso com a ética e com a esperança. A luta pela vida e contra a misoginia formam-me cotidianamente e tornaram-se a razão da minha existência.

 

06. Qual é a sua filosofia da vida? O que a existência lhe ensinou?

Aprendi que desentendimentos, brigas, discussões, violência não cabem em lugar nenhum, pois todas estas ações culminam em guerra, e nela não há vencedor. Minha filosofia de vida é, portanto, dialógica. Pela prática do diálogo é possível promover, semear, cultivar a paz por onde formos, por onde passarmos. Penso que o que nos move não pode ser diferente desse princípio, pois, se estamos em paz, é sinal de que não nos falta nada.

 

07. Como vê o legado do minimalismo, sua força?

A literatura minimalista traduz o tempo em que estamos vivendo. Tempo fluido e instantâneo, exigente de objetividade. Assim, esse movimento propõe desafiar a construção do conhecimento na mesma lógica: a da aprendizagem da escrita e da leitura, fundamentadas em pensamentos e mensagens que expressam clareza, brevidade e leveza. Nesta modalidade literária, o sujeito que escreve torna-se capaz de se expressar a partir de um olhar criterioso sobre a realidade à sua volta e, com poucas palavras ou versos, descrever um cenário, uma história, um fato. Provoca no leitor a análise crítica, ética e criativa do que o autor pretendeu dizer objetivamente. Dizendo de outro modo, faz os sujeitos que leem e escrevem pensarem e produzirem o entendimento sobre o objetivo do texto e da literatura com a precisão que o minimalismo propõe.

 


08. Entre razão e criação: como são os processos, rituais, bloqueios e florescimentos da sua escrita?

A realidade, o envoltório, a rudeza das relações humanas inspiram-me a escrever. Como escritora feminista, sou provocada pelos fatos do cotidiano que ferem a vida e a dignidade humana. A princípio, sacodem-me. Preciso repensar, amadurecer… A ideia sobre o fato, o dado, a situação, fica guardada, gestando-se em meu pensamento até que reúno energia e leituras complementares para transpô-la às teclas do computador, materializando-a. Os bloqueios geralmente são gerados por falta de tempo para leituras, para debates de ideia. Mas logo vem o cotidiano e me lança novamente desafios à produção escrita.

 

09. O que representa para você a Academia? Como se sente como acadêmica?

Percebo a importância deste espaço para a expansão do Poetrix no Brasil e mundo afora. Contudo, ainda não consigo me sentir acadêmica. Talvez o processo ainda esteja em construção em mim. Minha participação ainda está em desenvolvimento. Pretendo estudar mais o Poetrix, tornar-me uma acadêmica presente e que minha energia seja potente neste espaço.

 

10. O que gostaria de implementar na Academia?

Levar o Poetrix para os cursos de licenciatura e para grandes eventos (feiras, bienais…) com oficinas e participação em mesas.



 11. Em que coletivos literários participa?

Participo de vários coletivos literários, dentre eles Feminário Conexões; Elas Publicam; Escreva, Garota; Mulheres que Escrevem; Coletivo Andorinhas que escrevem; Mulherio das Letras de São Paulo, dentre outros. Para além dos coletivos que me estimulam a ler e a escrever, participo também de Clube de Leituras, cuja base se fundamenta no movimento internacional Leia Mulheres, instituído em 2014 e, no Brasil, em 2015. Podemos dizer que essa ação catalisadora, transformou o ato individual de ler em um ato político e coletivo, forçando editoras a resgatarem clássicos esquecidos e a investirem em vozes contemporâneas diversa, dentre elas, a feminina. Este movimento visa incentivar a leitura, o debate e a divulgação de obras escritas por mulheres, combatendo a desigualdade de gênero no mercado editorial. Segundo dados publicados na imprensa, em 2025 as mulheres lideraram o mercado editorial, apontando que 62% das pessoas que compraram livros foram mulheres. Enfim, participar de coletivos femininos fortalece a nossa luta pela democracia na produção literária e em todos os espaços, assim como reitera a todas e todos da importância, no tempo presente, de ler mulheres.

 

12. Você escreve contos e Poetrix: como se cruzam, se respondem e se completam?

Minha prática literária, ainda em construção, sempre foi a da poesia e da prosa e não imaginava ser capaz de produzir escrita minimalista. Aprendi que posso escrever e ser tão intensa em três versos, quanto num conto, num poema longo. O Poetrix desafia-me e quando leio ou produzo versos desta modalidade literária, sinto que eles me convidam à reflexão e à continuidade de escrever sobre os sentidos que transportam. Penso que a arte literária está em profunda complementariedade e em sintonia na construção do bom, do bem e do belo.

 

13. Finalmente, qual é o papel da Arte na vida?

A arte é a esperança de salvação da humanidade. Por ela é possível falar com o corpo e a alma, sem a emissão de sons; fechar os olhos e senti-la pelos poros; tocá-la em pensamentos, liberar a emoção. A arte ressignifica nossa humanidade porque anuncia a grandeza da criação humana e carrega em si o potencial para denunciar, com propósito ético, criativo, crítico, tudo aquilo que é letal à vida e desumaniza nossa existência. A arte salva!

 

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Academia Internacional Poetrix

Gestão Uni_Versos (2026/2028)

Entrevista por Ximo Dolz

Acadêmico – cadeira 30

quarta-feira, 25 de março de 2026

Poetrix pela Paz: Não à violência às mulheres

VARAL TEMÁTICO:

POETRIX PELA PAZ

NÃO À VIOLÊNCIA ÀS MULHERES 

 MULHERES VIVAS 

Coordenação: Dirce Carneiro


 

HUMANOS, MÃOS DADAS


Basta!

Misoginia, não!

Todos unidos nesta causa!


Dirce Carneiro

 


NÃO PODE VIRAR NORMAL


Homem é com você também

Violência é projeto no mundo

Não vamos deixar


Dirce Carneiro



EXPANDIR A CONSCIÊNCIA


Não bata, não mate

A mulher é você

Somos unos


Dirce Carneiro



CHEGA DE BARBÁRIE


Mulheres não são caça

Relação não dá propriedade

Homem, humanize-se


Dirce Carneiro






HOMENS CONTRA VIOLÊNCIA ÀS MULHERES 


Levantem suas vozes

Soltem grito firme

Silêncio marca e machuca


@lorenzo



VOZ SILENCIADA 


Mãos que a tocam

Olhos que não podem chorar

Gritos que não ecoam...


@lorenzo



RESPEITO 


Mulher não é medo

Mulher é coragem

Mulher é vida


lorenzo



QUEBRANDO DOGMAS 


Silêncio interrompido

Força que ressurge

Violência nunca mais


lorenzo




DIGNIDADE FEMININA


Ser respeitada por existir

não morrer por ser autêntica

andar livre ainda cria prisões


Cleusa Piovesan



FEMINICÍDIO NÃO É SÓ ÍNDICE


Machismo tóxico impera

matar é solução para ego inflado

alvos nem sabem por que morrem


Cleusa Piovesan



RECICLAGEM MASCULINA


Patriarcado traz ranço mortal

é preciso reeducar os meninos

ser "macho" exige alteridade


Cleusa Piovesan



LEGENDÁRIOS: CONCEITO DETURPADO


Trilogia Deus, Pátria e Família

energia perdida em atos escrotos

mulheres só querem homens "humanos"


Cleusa Piovesan


 



MULHERES VIVAS

lílian maial


XX dão à luz seus algozes

alfabeto esquisito

morte se escreve com XY



BASTA!

lílian maial 


homens odeiam, matam

mulheres amam, morrem

4 por dia, poder público de 4



LUAS VIVAS

lílian maial


o sol não mata a lua

o dia não teme a noite

outro amanhecer virá





 

VOZES ROMPEM MUROS


Silêncios rasgados

Nenhuma dor como destino

Mundo ecoe pleno de harmonia


Cláudio Trindade



GRITOS DE CORAGEM


Flores machucadas... há dias

Sombras respiram dor

Amarrem as mãos que ferem


Cláudio Trindade



FERIDAS


Lágrimas acendem o braseiro

Alma quebrada

Basta, raios na violência


Cláudio Trindade



FÚRIA E LUZ


gritos ecoam no fundo das casas

mulher ferida é tempo cortado

justiça são colunas da memória  


Cláudio Trindade


 




PROFANUS SECARE 


nutrição gerada do feminino 

filhos nas tetas ignoradas

vítima na boca do mundo


Angela Ferreira



OMISSÃO


pela fresta corrobora mudez

frisson da pupila cega

solidifica-se a alma da impunidade


Angela Ferreira

 





SEMENTE VIVA


não é fim de mulher

mulher é semente de vida

verbo que resiste


Ximo Dolz



MULHERES VIVAS


feminicídio, não

femini-vida, sempre

verbo no presente


Ximo Dolz



FEMINI-CIDIO


não foi incidente

vida arrancada, femi 

crime anunciado, cidio 


Ximo Dolz



SILABARIO DO CRIME


fe- ecoa, mi- sangra, ni- lembra

ci- denuncia, di- bate, o- pesa

cada sílaba é um golpe


Ximo Dolz

 


MANIFESTO PELA VIDA


Mulheres semeam futuro

Feminicídio afronta a origem

Humanidade maculada


Paulo Soroka



VENTRE LIVRE


Berço de infindas sementes 

Princípio, meio, continuum 

Mão violenta mata 


Rita Queiroz



FEMINA VIDA 


Estações matriciais 

Chegadas violentas 

Sagrado corpo feminino 


Rita Queiroz



OLHOS PINTADOS 


Lágrimas cobrem cicatrizes 

Roxo não veste rainhas

Basta, violência jamais


Rita Queiroz


 

MULHERES VIVAS 


Chega de misoginia

Um viva às mulheres

Silenciadas, nunca mais


José de Castro



A HORA E A VEZ DAS MULHERES 


A história avança 

Protagonismo da mulher desponta 

Hoje, um novo brilho no ar


José de Castro



NEM BRUXAS, NEM SANTAS 


Nem céu, nem inferno

Mulheres são gente, sublimes 

Poesia-mulher hoje rima diferente


José de Castro



NOVOS PARADIGMAS 


Respeito seja às mulheres 

Dignidade e louvor a elas  

Assim, nova era se constrói


José de Castro



EDUCAÇÃO É TUDO


Tempo de reflexão 

União na luta 

Fenicidio nunca mais!


Margarida Montejano



ATÉ QUE A SORTE OS SEPARE


ela disse ‘fim’  

ele não aceitou

história de terror


Bianca Reis



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Imagens não autorais são do Google.

Dezembro/25

Poetrix de Sandra Boveto


CINZAS CONTAVAM A HISTÓRIA 


venha com sua luz

cores não desistem 

vou queimar sem resíduos


Sandra Boveto


Poetrix de Ximo Dolz

 

TEORIA DO NHAC


crac cric, crac cric, nhac 

ossos sonham dentes

eco devorado pela língua 


Ximo Dolz