25 de mar. de 2026

Poetrix pela Paz: Não à violência às mulheres

VARAL TEMÁTICO:

POETRIX PELA PAZ

NÃO À VIOLÊNCIA ÀS MULHERES 

 MULHERES VIVAS 

Coordenação: Dirce Carneiro


 

HUMANOS, MÃOS DADAS


Basta!

Misoginia, não!

Todos unidos nesta causa!


Dirce Carneiro

 


NÃO PODE VIRAR NORMAL


Homem é com você também

Violência é projeto no mundo

Não vamos deixar


Dirce Carneiro



EXPANDIR A CONSCIÊNCIA


Não bata, não mate

A mulher é você

Somos unos


Dirce Carneiro



CHEGA DE BARBÁRIE


Mulheres não são caça

Relação não dá propriedade

Homem, humanize-se


Dirce Carneiro






HOMENS CONTRA VIOLÊNCIA ÀS MULHERES 


Levantem suas vozes

Soltem grito firme

Silêncio marca e machuca


@lorenzo



VOZ SILENCIADA 


Mãos que a tocam

Olhos que não podem chorar

Gritos que não ecoam...


@lorenzo



RESPEITO 


Mulher não é medo

Mulher é coragem

Mulher é vida


lorenzo



QUEBRANDO DOGMAS 


Silêncio interrompido

Força que ressurge

Violência nunca mais


lorenzo




DIGNIDADE FEMININA


Ser respeitada por existir

não morrer por ser autêntica

andar livre ainda cria prisões


Cleusa Piovesan



FEMINICÍDIO NÃO É SÓ ÍNDICE


Machismo tóxico impera

matar é solução para ego inflado

alvos nem sabem por que morrem


Cleusa Piovesan



RECICLAGEM MASCULINA


Patriarcado traz ranço mortal

é preciso reeducar os meninos

ser "macho" exige alteridade


Cleusa Piovesan



LEGENDÁRIOS: CONCEITO DETURPADO


Trilogia Deus, Pátria e Família

energia perdida em atos escrotos

mulheres só querem homens "humanos"


Cleusa Piovesan


 



MULHERES VIVAS

lílian maial


XX dão à luz seus algozes

alfabeto esquisito

morte se escreve com XY



BASTA!

lílian maial 


homens odeiam, matam

mulheres amam, morrem

4 por dia, poder público de 4



LUAS VIVAS

lílian maial


o sol não mata a lua

o dia não teme a noite

outro amanhecer virá





 

VOZES ROMPEM MUROS


Silêncios rasgados

Nenhuma dor como destino

Mundo ecoe pleno de harmonia


Cláudio Trindade



GRITOS DE CORAGEM


Flores machucadas... há dias

Sombras respiram dor

Amarrem as mãos que ferem


Cláudio Trindade



FERIDAS


Lágrimas acendem o braseiro

Alma quebrada

Basta, raios na violência


Cláudio Trindade



FÚRIA E LUZ


gritos ecoam no fundo das casas

mulher ferida é tempo cortado

justiça são colunas da memória  


Cláudio Trindade


 




PROFANUS SECARE 


nutrição gerada do feminino 

filhos nas tetas ignoradas

vítima na boca do mundo


Angela Ferreira



OMISSÃO


pela fresta corrobora mudez

frisson da pupila cega

solidifica-se a alma da impunidade


Angela Ferreira

 





SEMENTE VIVA


não é fim de mulher

mulher é semente de vida

verbo que resiste


Ximo Dolz



MULHERES VIVAS


feminicídio, não

femini-vida, sempre

verbo no presente


Ximo Dolz



FEMINI-CIDIO


não foi incidente

vida arrancada, femi 

crime anunciado, cidio 


Ximo Dolz



SILABARIO DO CRIME


fe- ecoa, mi- sangra, ni- lembra

ci- denuncia, di- bate, o- pesa

cada sílaba é um golpe


Ximo Dolz

 


MANIFESTO PELA VIDA


Mulheres semeam futuro

Feminicídio afronta a origem

Humanidade maculada


Paulo Soroka



VENTRE LIVRE


Berço de infindas sementes 

Princípio, meio, continuum 

Mão violenta mata 


Rita Queiroz



FEMINA VIDA 


Estações matriciais 

Chegadas violentas 

Sagrado corpo feminino 


Rita Queiroz



OLHOS PINTADOS 


Lágrimas cobrem cicatrizes 

Roxo não veste rainhas

Basta, violência jamais


Rita Queiroz


 

MULHERES VIVAS 


Chega de misoginia

Um viva às mulheres

Silenciadas, nunca mais


José de Castro



A HORA E A VEZ DAS MULHERES 


A história avança 

Protagonismo da mulher desponta 

Hoje, um novo brilho no ar


José de Castro



NEM BRUXAS, NEM SANTAS 


Nem céu, nem inferno

Mulheres são gente, sublimes 

Poesia-mulher hoje rima diferente


José de Castro



NOVOS PARADIGMAS 


Respeito seja às mulheres 

Dignidade e louvor a elas  

Assim, nova era se constrói


José de Castro



EDUCAÇÃO É TUDO


Tempo de reflexão 

União na luta 

Fenicidio nunca mais!


Margarida Montejano



ATÉ QUE A SORTE OS SEPARE


ela disse ‘fim’  

ele não aceitou

história de terror


Bianca Reis



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Imagens não autorais são do Google.

Dezembro/25

Poetrix de Sandra Boveto


CINZAS CONTAVAM A HISTÓRIA 


venha com sua luz

cores não desistem 

vou queimar sem resíduos


Sandra Boveto


Poetrix de Ximo Dolz

 

TEORIA DO NHAC


crac cric, crac cric, nhac 

ossos sonham dentes

eco devorado pela língua 


Ximo Dolz


Poetrix de Saulo Pessato


Manhãs europeias


Saudades passarinhas:

bem-te-vis quero-quero...

Vai ficar querendo!


Saulo Pessato 


Poetrix de Dirce Carneiro

 

GEOPOLÍTICA

(do bairro onde vivi)


Estação era referência

Traçava-se o mapa social

Ponto de todas as distâncias


Dirce Carneiro


Poetrix de Bianca Reis


TODO POETA É ESQUISITO 


perfuma dores

requenta amores

dom do dito não dito


Bianca Reis


25 de dez. de 2025

Discurso de Posse de Rita Queiroz - cadeira 3

 Prezada Presidente Valéria Pisauro, Prezada Diretoria, Prezados integrantes e fundadores da Academia Internacional Poetrix, Prezada Comissão eleitoral, minhas sinceras saudações!

Saúdo também o poeta Goulart Gomes, a quem reverencio pela criação, pela divulgação e pela projeção do poetrix. Seu trabalho é incansável em prol desses objetivos, sendo também o motivo pelo qual nos reunimos nesta arcádia.

Meus agradecimentos às acadêmicas e aos acadêmicos que votaram em mim, validando meu trabalho como poeta. Meu muito obrigada!

É uma grande honra tornar-me membro da Academia Internacional Poetrix, juntamente com renomados poetas, pelos quais sinto grande admiração e respeito! Assim, comprometo-me a zelar e a servir aos propósitos desta arcádia, no sentido de elevar a cultura, a literatura e todas as ações que sejam encampadas para esse fim.

Saúdo e agradeço, especialmente, a acadêmica Luciene Avanzini, minha madrinha poetrixta, por todo incentivo que vem me dando desde 2019, ano em que nos conhecemos em Natal durante a realização do III Encontro Nacional do Mulherio das Letras. Foi ela quem me convidou para a oficina de poetrix, ministrada pela renomada Aila Magalhães, e para a Ciranda Poetrix, da qual faço parte desde então. Assim conheci oficialmente o poetrix e me apaixonei por esse texto minimalista.

Sou soteropolitana! Vim ao mundo aos 22 dias do mês de agosto, às 21h10min, ao som das águas da Baía de todos os Santos e sob as cores mágicas que fazem dessa data o dia do Folclore. Em Salvador, vivenciei algumas fases de minha vida, sempre tendo o Oceano Atlântico como horizonte, para onde mirava e sonhava com outros mundos, outros povos, outras culturas. O mar sempre me encantou, sendo banhada por ele desde bebezinha. Trago uma imagem muito forte da baía, quando visitei pela primeira vez o Museu Solar do Unhão. As luzes douradas refletidas nas águas diziam para mim que as dores sempre se esvaem na poesia, essa libertária manifestação artística que tudo transforma.

Seguindo meu destino ligado à palavra, cursei Letras Vernáculas na Universidade Federal da Bahia, onde também me tornei Mestre em Letras. Apaixonada por escritas antigas, dediquei-me ao estudo de manuscritos, sejam estes antigos ou contemporâneos. No Mestrado, estudei os sonetos do poeta baiano Arthur de Salles, falecido em 1952. No Doutorado, cursado na Universidade de São Paulo, debrucei-me sobre os manuscritos medievais do texto Castelo Perigoso, traduzido do francês para o português no Mosteiro de Alcobaça, em Portugal, o qual é composto por sete tratados que falam sobre como nos proteger dos perigos mundanos. Prosseguindo com a pós-graduação, fiz Pós-doutorado em Estudo de Linguagens na Universidade do Estado da Bahia, estudando o vocabulário de Jorge Amado na obra Tereza Batista cansada de guerra. Com toda essa ligação com o mundo das letras, fui professora universitária durante 30 anos, tendo lecionado a disciplina Filologia Românica na Universidade do Estado da Bahia e na Universidade Estadual de Feira de Santana.

Durante 25 anos dediquei-me com afinco à carreira acadêmica, sendo professora com dedicação exclusiva, produzindo diversos artigos, capítulos de livro, livros; orientado alunos e alunas de iniciação científica, de tcc, de mestrado e de doutorado, além de ter uma supervisão de pós-doutorado. A partir de 2015, aliando as carreiras acadêmica e literária, criei o coletivo Confraria Poética Feminina, o qual reúne escritoras baianas e que conta com 9 coletâneas, 2 agendas literárias e 1 CD. Com a Confraria Poética Feminina alavanquei a minha carreira solo, com 22 livros publicados: 10 de poemas, 3 de contos, 1 biográfico e 8 infantojuvenis. Participei de mais de 200 coletâneas/antologias, sejam estas nacionais ou internacionais. Dentre os livros de poemas, 1 é exclusivo de poetrix, Silêncios submersos (premiado em 2º lugar no Prêmio Ecos da Literatura 2024 na categoria livro de poesia), e 1 com poetrix, haicais e aldravias, Mínima poesia (premiado em 2º lugar pela Academia Internacional Poetrix na categoria livro que contenha poetrix).

Esta noite é memorável, como outras que já vivi e que ainda viverei. Neste 12 de dezembro de 2025, torno-me oficialmente membro da Academia Internacional Poetrix, ocupando a cadeira de número 3, tendo como patrona a escritora Olga Savary e como fundadora a Ana Mello.

Biografia de Rita Queiroz

 



RITA QUEIROZ, nascida Rita de Cassia Ribeiro de Queiroz, em Salvador, Bahia, Brasil, aos 22 dias do mês de agosto de 1963, sexo feminino. Filha de Edvaldo Ribeiro de Queiroz e Raulina Ribeiro de Queiroz. Tem pós-doutorado em Estudo de Linguagens (UNEB-2017), doutorado em Filologia e Língua Portuguesa (USP-2002), mestrado e graduação em Letras (UFBA-1995, 1989). Professora universitária aposentada. Filóloga. Poeta. Escritora. Como pesquisadora e professora universitária, conta com 96 artigos, 14 livros, 50 capítulos de livros publicados e 18 homenagens feitas por aluno(a)s: paraninfa, patronesse, amiga da turma, professora homenageada.

Poetrix de Rita Queiroz

NATAL DE LUZ

Foguetes riscam os céus
Fronteiras duelam sem trégua
Órfãos estendem a mão


NOITE FELIZ I

Choram os sinos
Barrigas roncam
Sapatinho espera na janela


NOITE FELIZ II

Brotam pés de sonhos
Esperanças renovadas
Não há luz na favela


Rita Queiroz

Poetrix e Grafitrix de Margarida Montejano

E ERA ASSIM

Expectativas de Dezembro
Pés de meias descalços
Sonhos desembrulhados

2026

Rio desagua mar adentro
Dentro de mim, maremoto
Ano novo respira esperança!





Margarida Montejano

Discurso de Posse de Margarida Montejano - cadeira 29

 Boa noite, Poetas, Poetrixtas, Confrades, Confreiras, Amigos e Amigas!

É um prazer imenso em estar com vocês nesta noite de festa e de inauguração de um novo tempo literário para mim e para outros quatro poetas: Rita, Ximo, Carmem e Soroka! Sinto-me feliz em estrear ao lado de pessoas tão potentes na arte da escrita!

Apresento-me a todas e a todos com emoção, alegria e, ao mesmo tempo, ansiosa com a responsabilidade que nos pesa em relação à AIP. Mas desafios são tentadores!

Eu sou Margarida Montejano, uma catadora de sentidos e palavras! Feminista e atenta ao cotidiano, reflito e escrevo, sobre a história das mulheres ao longo dos séculos e busco traçar um paralelo entre passado e presente no sentido de entender as metáforas, enigmas e senhas que nossas ancestrais nos deixaram. Escrevo desde a adolescência, mas foi na pandemia que minha escrita ganhou corpo. Sou autora do livro de contos,“Fio de Prata”; do livro de poemas e fotos “Chão Ancestral”; e dos livros infantojuvenis “A Poeta e a Flor” e “A Poeta e a Sabiá”, todos de engajamento feminino. E tenho, no prelo, o livro de contos, “O Silêncio da Loba”, a ser lançado no início de 2026.

Escrevo para a revista literária Voo Livre e para o blog Feminário Conexões. Participo de vários grupos, dentre eles: Selo Poetrix e Confraria Ciranda Poetrix, além de diversas coletâneas e dos principais eventos literários que ocorrem no Brasil.

Sou doutora em Educação e atuo como funcionária pública em Campinas. Moro em Paulínia/SP.

Sobre a origem da minha escrita

Penso que minha memória poética tem origem noutras vidas e, desde muito cedo, meu olhar busca encontrar uma pista. As situações do cotidiano clamam por serem escritas. Exemplo disso é quando vejo a vida ameaçada. Para mim, a escrita é um convite para que não desistamos de entender a realidade a fim de que possamos modificá-la e melhorá-la.

E é dessa forma que a escrita de memória dos corpos, mentes e vivências femininas me acham e me habitam. Escrevo movida pela indignação do que hoje, em pleno século XXI, vivemos. O massacre cotidiano à vida de mulheres não pode ser banalizado e normalizado e, para mim, a escrita é espaço e instrumento de denúncia.

Sobre o Poetrix e eu...


Como poeta, contista e, há aproximadamente três anos, escritora de Poetrix, assumo minha admiração por esta modalidade literária brasileira, de gênero poético, criada por Goulart Gomes.

O que me levou a concorrer a uma vaga nesta Academia tem a ver com o que o Poetrix fez comigo. De uma prática de poemas e textos longos para dizer algo simples, o Poetrix mostrou-me que eu sou capaz de ser sintética, objetiva, leve, audaciosa e artística na produção de textos literários. Que suas regras, ao mesmo tempo que limitam o tempo e o espaço, dão ao poeta a liberdade de dizer, fluir e voar. Sua singularidade me ensina que é possível surpreender, impactar e encantar em três versos.

Aprendi a gostar de Poetrix a partir do desafio de uma artesã das palavras, a querida poeta e escritora, Valéria Pisauro, e passei a produzir meus versos mínimos. Hoje, ouso me construir nessa arte que sempre me seduz. Obrigada, Valéria por me apresentar o Poetrix e por me desafiar à leveza! Valeu! Grata também aos amigos Poetrixtas que me ensinam, estimulam e comigo caminham!

Finalmente, sob a bênção da minha Patrona...

Aldrava me auxilia a bater à porta!

Peço licença à patrona da cadeira 29, a poeta MARDILÊ FRIEDRICH FABRE, para aqui tomar assento e sentir sua energia pulsante em versos. Peço vênia para realçar a presença dela nesta noite e dizer de sua imortalidade, pois sei que está conosco, no vento e no eco das palavras, quando fazemos poesia. E, por falar nisso, ao ler e estudar a poesia de Mardilê, deparei-me com o seu significativo Poetrix “VELA”, que assim diz: “Vela violácea, vermelha / viceja vencendo o vácuo, / vagarosamente vela a vida.” Sim, poesia que vela e que se faz possibilidade de voo, colo, abraço e esperança.

E é assim, minhas confreiras e meus confrades, que recebo o carinho de Mardilê noutro Poetrix intitulado “ACALENTO”, que me abraça, abençoa e acolhe, preparando-me para esta conceituada Academia: “Afetuoso abraço,/ abençoado abrigo,/ agradável acolhida.”

Como rastros ancestrais de seu legado, Mardilê, hoje agradeço à Academia Internacional Poetrix a oportunidade de conhecê-la por meio da escrita e apresentá-la como minha Patrona neste importante espaço de literatura. Que eu possa fazer jus a ela!

Mardilê Friedrich Fabre nasceu em Cachoeira do Sul (RS), em 1938, e faleceu em outubro de 2018. Detentora de um vasto currículo e de experiências múltiplas nas áreas de educação e literatura, Mardilê, licenciada em Letras Neolatinas, viveu uma carreira literária profícua, marcada por reconhecimentos nacional e internacional. Ela foi laureada com diversas distinções, incluindo prêmios da Academia de Letras e Artes de Fortaleza, da Sociedade Cultural da Ilha da Madeira e da Abrasa (Viena, Áustria).

Dona de uma sensibilidade ímpar, sua escrita versátil abrange vários gêneros literários. Publicou livros de poemas e ensaios, além de uma produção vasta de crônicas, contos, poemas livres e formas minimalistas como o Haicai, o Tanka, a Aldravia e o Poetrix.

Como forma de respeito, relembro trechos de uma descrição da própria autora sobre si:

“Sou um indivíduo com qualidades e defeitos que aprendeu, no decorrer da vida, a respeitar e amar os outros indivíduos com suas qualidades e seus defeitos. Faço trabalhos voluntários, sou revisora de textos, amo ler, ir ao cinema, ao teatro, a museus, a espetáculos de dança (qualquer tipo), ouvir de avião e de elevador... Sou fiel aos amigos e aos amores... Como todo o mundo, gosto de ser incentivada. Gosto de jogar conversa fora com os amigos... Gosto de passear à beira mar, à tardinha… Sou capricorniana, legítima representante do signo: tenaz, teimosa, persistente, amante das artes e por aí vai... os capricornianos sabem... e os que convivem com eles também. Sou tanto e não sou nada. Quem sou?

E, como ela diz, Sou a ave que voa no sonho/ Sou o vento que canta risonho/ Sou o riacho que renova a alegria/ Sou o sol que nasce cada dia/ Sou a lua que prateia as flores ... Por aí vai se misturando à natureza, à alegria, ao afeto e à simplicidade da vida...

Que a poética de Mardilê me inspire e nos inspire a continuar pela literatura, abrindo caminhos, denunciando injustiças e anunciando esperanças, porque, como ela escreve numa potente aldravia, “submergem em versos nossos sonhos iguais”. E assim, que num sonho coletivo, possamos, por meio da Academia Internacional Poetrix, fazer, da poesia de ontem e de hoje, um caminho em direção a um futuro de êxito.

Sob a bênção de nossas e nossos Poetas imortais, um forte abraço a todos e a todas!

Muito obrigada.

Biografia de Margarida Montejano


 Margarida Montejano é uma catadora de sentidos e palavras! Tudo em minha vida vira prosa e poesia. Seja para anunciar ou denunciar. Autora dos livros: FIO DE PRATA, CHÃO ANCESTRAL, A POETA E A FLOR, A POETA E A SABIÁ, cujos conteúdos versam sobre o protagonismo da mulher num mundo marcado historicamente pelo poder do capital e pelos interesses do patriarcado. Graduada em Pedagogia, pelo Instituto Maria Imaculada (Mogi Mirim/SP), mestre pela Pontifícia Universidade Católica de Campinas/SP, e doutora em Educação, pela Universidade Estadual de Campinas (Unicamp). Exerci, no período de 2001 a 2009, os ofícios de Professora de Ensino Superior e Coordenadora do Curso de Pedagogia, no Centro Universitário de Espírito Santo do Pinhal/SP. Atualmente sou servidora pública na Secretaria Municipal de Educação de Campinas/SP, desde 2009. Dentre minhas atribuições como Supervisora Educacional, no ano de 2023, pós pandemia, passei a coordenar os Projetos “CONSTRUINDO CIDADANIA E BEM-ME-QUERO: EMPODERAMENTO FEMININO, DESDE A INFÂNCIA”. Esses projetos envolvem estudantes, educadores e servidores de um modo geral e, dentre as ações desenvolvidas estão: rodas de conversa sobre a valorização da mulher na história e a reflexão visando compreender a fim de poder desconstruir os sentidos dos construtos: misoginia, sexismo, machismo, feminismo, à luz dos direitos sociais da mulher. As ações envolvendo a Prevenção à Gravidez na Adolescência; Dignidade Menstrual e Prevenção ao HPV e câncer de colo de útero e de mama são desenvolvidas com estudantes, educadores e funcionários da escola pública.

Considerando que educação e consciência se constroem para além da teoria e da prática, no decorrer dos três últimos anos, atuei e atuo na promoção de diversos eventos socioculturais:


2023 –

"A literatura feminina como instrumento de libertação” - participação das escritoras Tânia Alves, Marta Cortezão e Margarida Montejano;
“Ledores do Breu” - teatro apresentado pelo Grupo Teatral Cia. do Tijolo;
“A Nova ordem bruxólica” – espetáculo teatral e Roda de Conversa com a Cia. Coletivo Aluará.

2024 -

“Intensas” - show musical apresentado na abertura do Seminário do Projeto de empoderamento feminino e enfrentamento do machismo/feminicídio, tendo como público-alvo as equipes educacionais da Secretaria Municipal de Educação de Campinas.
“A Quatro Vozes” – show musical e manifestação Cultural pela igualdade de gênero.
“Conhecer a história é preciso: prevenção à violência de gênero e ao racismo” - seminário.

2025 –

“A Luta contra a Misoginia: construindo a prática do diálogo” – palestra com a filósofa e escritora, Márcia Tiburi.
“Escola de Mulheres - uma sátira ao patriarcado” - espetáculo teatral apresentado pelo Grupo Lunar de Teatro;
Participação ativa como membra titular nos coletivos: CMDM - Conselho Municipal dos Direitos da Mulher Campineira e no Comite de Campinas da Rede de Cuidados e Proteção Social da Criança e Adolescente, vítima de violência.
Colunista da Revista Voo Livre, LEITURA ORGÂNICA, desde o mês de maio de 2024, até o presente.

LIVROS PUBLICADOS:

Discurso de Ximo Dolz - cadeira 30

Ximo Dolz (Joaquim Dolz)

Senhora Presidente Valéria Pisauro, Senhoras e senhores Acadêmicos, queridas e queridos poetas, amigas e amigos das plataformas Poetrix.

Sou Joaquim Dolz, mas assino apenas Ximo, nome pequeno que guarda minha infância e, talvez, o modo mais verdadeiro de entrar no território sensível do Poetrix. Ter sido eleito para integrar a Academia Internacional Poetrix, AIP, é, para mim, mais do que uma distinção: é um espanto luminoso, um susto doce no terceiro verso da vida.

Não sou nativo da língua portuguesa, não herdei linhagens literárias nem pertenço ao berço cultural que hoje tanto admiro. Chego como estrangeiro, aprendiz e viajante. E, justamente por isso, sinto ainda mais profundo o significado deste gesto de acolhimento. Aceito-o com humildade, com gratidão e com a alegria serena de quem encontra, em terra distante, um lar tecido de palavras.

O Poetrix chegou até mim quase como uma epifania. Acompanhava minha pós-doutoranda, Paula Cobucci, na investigação das potências desse gênero criado por Goulart Gomes, quando percebi que não era eu quem estudava a forma: era ela quem me estudava, me transformava, me convocava. Foi Paula Cobucci quem postou um vídeo no Grupo Selo Poetrix, no qual eu, entusiasmado, comentava o Poetrix a uma professora da Universidade de Genebra.

A poetrix Dirce Carneiro, membro do grupo, sugeriu o convite para que eu integrasse a plataforma Selo Poetrix. Fui aceito e recebi dela as primeiras mentorias, com generosidade e rigor.

Vocês me confiaram a Cadeira 30, cifra simbólica onde o Poetrix encontra seu limite de sílabas. É nessa morada que se celebra um patrono plurilíngue, japonês e português, que fez da língua uma ponte e uma travessia: Hidekazu Masuda Goga, mestre do haikai, autor de obras fundadoras cujo legado faz a natureza respirar em cada sílaba. Quero destacar o percurso poético desse jovem emigrante japonês de dezoito anos que chegou ao Brasil trazendo na bagagem pouco mais que a memória dos tempos de Hiroshima e o sopro espiritual do haikai.

Desde cedo, Goga transformou o desarraigo em raiz: fez do Brasil sua paisagem interior e, com olhar atento de artesão, colheu no cotidiano brasileiro, nos bambus e nos capinzais, nas águas mansas e nos temporais, a matéria sensível de seus versos. Foi ele quem abriu caminhos entre o haikai clássico e a sensibilidade tropical, sem perder a precisão do instante, a epifania do mínimo, o silêncio luminoso inscrito entre as palavras. Ao longo de décadas, formou discípulos, publicou livros essenciais e consolidou uma escola em que tradição e invenção não se opõem: respiram juntas.

Goga é um haigô, o nome literário com que selava seus haikais. Tenho especial apreço por meu novo patrono: “Goga” significa Rio Ganges. Segundo o próprio mestre, o Ganges é simultaneamente o rio mais impuro e o mais sagrado da Índia, metáfora das contradições que habitam a condição humana e também da minha própria tentativa poética de caminhar, livre, pelas sendas do Poetrix. No seu exemplo encontro humildade, rigor e a serenidade daquele que sabe que um único verso, se verdadeiro, pode iluminar uma vida inteira.

Assumir esta cadeira é assumir, igualmente, esse paradoxo fecundo: a poesia que nasce do mínimo, mas toca o essencial; o verso breve que abre janelas largas; o silêncio que, de súbito, se transforma em revelação. No Poetrix, descobri que a palavra pode ser leve sem ser frágil, breve sem ser pequena, contida sem ser limitada demais, porque, no seu interior, arde sempre um mundo.

Agradeço à Academia Internacional Poetrix esta honra tão generosa.

Agradeço às comunidades Selo Poetrix e Confraria Poetrix, que me receberam com mãos abertas e espírito atento.

Agradeço às poetas e aos poetas que me viram chegar estrangeiro e, antes de me conhecerem, já me reconheciam.

Permitam-me, com reverência e alegria, partilhar o que aprendi nesse caminho. Ofereço-vos meu Decálogo do Poetrix, não como norma, mas como homenagem:

1. A brevidade não é ausência: é presença intensificada, palavra que abre fendas de sentido.

2. Três versos podem conter uma vida inteira. Por isso, para mim, o Poetrix é escrita terapêutica.

3. A imagem que acompanha o poema e as metáforas (o imaxtrix, o retratrix) são sua respiração visual, sua segunda voz.

4. A música e o silêncio também escrevem; e, no Poetrix, são mestres da reflexão.

5. A concisão é irmã da coragem: dizer o essencial é arriscar-se.

6. O Poetrix deve surpreender até o próprio autor. Busco sempre o susto do último verso.

7. A poesia mínima exige entrega máxima: pesquisa, trabalho e lirismo.

8. A simplicidade é conquista, não atalho.

9. A liberdade é o eixo invisível do rigor.

10. E, sobretudo: o Poetrix é ponte entre pessoas, línguas, culturas e afetos.

É por isso que este gênero me é tão caro: nele, a palavra reencontra sua pureza original e a poesia seu gesto mais essencial.

Como professor e pesquisador, vejo no Poetrix um horizonte vasto para o ensino de línguas em plural. O poema breve convoca o aprendiz a experimentar: a tatear a forma, a escutar a música das palavras, a criar sentidos com economia, precisão e, acima de tudo, com liberdade.

O Poetrix educa o olhar, afina a escuta, desperta a autoria. Permite que cada estudante, seja brasileiro, espanhol, suíço, francês ou catalão, encontre na língua uma casa possível, íntima, própria.

Comprometo-me, assim, a trabalhar em três direções fundamentais:

1. Modelizar didaticamente o gênero, respeitando seus princípios e valorizando sua dimensão estético-literária.

2. Aproximar aprendizes da língua portuguesa através de práticas de criação poética que sejam autênticas, humanizadoras e libertadoras.

3. Construir sequências e itinerários didáticos inspirados nas plataformas digitais, unindo tradição e inovação, teoria e prática, escola e mundo.

Entro nesta Academia com o espírito leve e o coração aberto.

Não chego para disputar espaços, impor regras ou reacender tensões. Chego com a convicção profunda de que a poesia floresce onde há acolhimento, respeito e escuta.

O Poetrix nasceu de um gesto de liberdade, e é essa liberdade que desejo honrar. Menos fronteiras, menos prescrição; mais pontes, mais diálogo; mais criação, mais mãos estendidas.

Recebo esta cadeira como quem recebe um barco: com respeito pelo ofício e com vontade de navegar. Que eu seja digno da linhagem que herdo. Que eu aprenda, a cada Poetrix, a respirar mais fundo, a ver com mais nitidez, a escutar o que se cala. E que meu verso, ainda estrangeiro, encontre morada na sensibilidade desta Academia.

Muito obrigado.

Biografia de Ximo Dolz

 



Ximo Dolz é o nome artístico de Joaquim Dolz, nascido em Morella (Espanha) em 12 de abril de 1957. Professor honorário de Didática das Línguas e Formação de Professores na Universidade de Genebra (Suíça), construiu uma trajetória acadêmica internacional marcada pela articulação entre pesquisa, formação docente e compromisso com a renovação do ensino de línguas.

Sua formação universitária iniciou-se na Universidade Autônoma de Barcelona, onde realizou seus primeiros estudos superiores. Concluiu o doutorado em Ciências da Educação na Universidade de Genebra, sob a orientação de Jean-Paul Bronckart, uma das figuras centrais da didática das línguas e do interacionismo sociodiscursivo. Posteriormente, realizou pós-doutorado na Universidade Charles-de-Gaulle Lille III, na França, sob a supervisão do professor Yves Reuter, aprofundando suas investigações no campo da didática, dos gêneros textuais e da formação docente.

Ao longo de sua carreira na Universidade de Genebra, Joaquim Dolz exerceu múltiplas responsabilidades institucionais e acadêmicas. Entre elas, destacam-se a presidência da Seção de Ciências da Educação e a coordenação da formação de professores, funções nas quais contribuiu de maneira decisiva para o fortalecimento da pesquisa em didática e para a consolidação de dispositivos de formação inicial e continuada. Paralelamente, esteve envolvido em numerosos projetos de pesquisa nacionais e internacionais, voltados ao desenvolvimento teórico e metodológico da didática das línguas.

Seus trabalhos abrangem engenharia didática, com ênfase no estudo das habilidades dos aprendizes, na modelagem didática de gêneros textuais, no ensino da produção oral e escrita, bem como na análise dos objetos ensinados e da atividade dos professores de línguas. Atualmente, seu interesse concentra-se no estudo dos objetos e processos envolvidos na formação de professores, sob uma perspectiva didática, investigando como professores aprendem a ensinar e como as práticas pedagógicas se organizam em diferentes contextos educacionais.

No Brasil participou ativamente na Olímpiada da Língua Portuguesa: Escrever o futuro. E faz parte de uma rede internacional de pesquisadores onde participam vinte universidades brasileiras. Dirige o grupo Historicidade dos Textos e ensino das Línguas (HISTEL) com Aúrea Zavam e Valéria Gomes. 

Desde 2022, dedica-se ao Poetrix, nas plataformas Selo Poetrix (2022) e Confraria Poetrix (dezembro de 2024), onde publica poemas que combinam lirismo, experimentação textual e reflexão pedagógica, articulando sua prática poética com sua pesquisa sobre linguagem e ensino.

Principais Linhas de Pesquisa:

Engenharia Didática: concepção, análise e implementação de dispositivos didáticos para o ensino de línguas e outras áreas curriculares.

Habilidades e Competências do Aprendiz: estudo das capacidades cognitivas e linguísticas de alunos em diferentes níveis de escolaridade.

Modelagem Didática de Gêneros Textuais: análise de como os gêneros textuais podem ser utilizados para apoiar o desenvolvimento de competências de escrita e oralidade.

Ensino da Produção Oral e Escrita: desenvolvimento de metodologias e materiais que promovem a expressão oral e escrita de forma estruturada e significativa.

Estudo dos Objetos Ensinados: investigação sobre o conteúdo específico do ensino, incluindo gramática, vocabulário e estruturas discursivas.

Atividade Docente e Formação de Professores: análise de práticas pedagógicas e de processos formativos, com foco no desenvolvimento profissional contínuo de professores de línguas.


Publicações Selecionadas

Entre suas principais obras publicadas nos últimos anos destacam-se:

S’exprimer en français (com M. Noverraz e B. Schneuwly) – abordagem do ensino da expressão oral e escrita em francês.

Pour un enseignement de l’oral (com B. Schneuwly) – propostas para o ensino da oralidade em contexto escolar.

Curriculum, enseignement et pilotage (com F. Audigier e M. Crahay) – análise do currículo e da gestão do ensino.

Formation des enseignants et enseignement de la parole et de l’écriture (com S. Plane) – estudo das práticas e processos de formação de professores.

Pratiques de l’enseignement grammatical (com C. Simard) – reflexão sobre o ensino da gramática em diferentes níveis educacionais.

Des objets enseignants (com B. Schneuwly) – investigação sobre a natureza e o papel dos objetos de ensino na didática.

Além dessas obras, publicou uns duzentos artigos em revistas acadêmicas internacionais, capítulos de livros e materiais didáticos em francês, espanhol, catalão e português. Seus trabalhos são frequentemente citados em pesquisas sobre didática de línguas e formação de professores.

Poetrix de Ximo Dolz


NINGUÉM É DO OUTRO

matou, porque era sua
a vida não se possui
corpo é verbo livre



HOME PERDIDO

criado para reinar
elas sopram ventos
perde-se no labirinto


Ximo Dolz