sábado, 20 de junho de 2026

Chamada aberta para Revista da Academia Internacional Poetrix


Prezados educadores, acadêmicos e formadores de opinião,


A Academia Internacional Poetrix (AIP) tem o prazer de apresentar as Revistas AIP - volumes 1 e 2, veículo de comunicação da nossa academia, que tem por objetivo a publicação de textos teóricos e acadêmicos sobre o POETRIX, e também convidá-los a participar da próxima edição, conforme edital em anexo (Clique aqui para acessar as edições anteriores da Revista AIP).

Poetrix (s.m.) é poema com um máximo de trinta sílabas métricas, distribuídas em apenas uma estrofe, com três versos (terceto) e título. Criado em 1999 pelo escritor baiano Goulart Gomes, conta hoje com centenas de praticantes no Brasil e no Exterior.

Ao longo destes, o poetrix realizou concursos literários e eventos culturais. Seus praticantes já publicaram mais de 100 livros, dentre antologias e livros individuais.

Nos últimos anos o poetrix vem sendo muito utilizado por educadores em salas de aula de todo o Brasil, como elemento didático ou paradidático, auxiliando na  introdução de crianças e adolescentes ao universo literário, tanto como leitores quanto como produtores, além de propiciar a interação entre alunos em atividades culturais,

Algumas destas experiências estão relatadas nos e-books enviado em anexo. Pedimos que o mesmo seja reenviado a outros educadores e acadêmicos que possam ter interesse pelo assunto, e estamos prontos a apoiar iniciativas de atividades com o poetrix em sala de aula.

Estamos à disposição para outras informações através deste e-mail ou pelo whatsapp 71-988781965.

Agradecemos pela atenção.


 ACADEMIA INTERNACIONAL POETRIX

www.academiapoetrix.org 



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O POETRIX NAS TEORIAS LITERÁRIAS CONTEMPORÂNEAS

Joaquim Dolz

Universidade de Genebra (Suíça)

 

O poetrix inscreve-se no cruzamento de diversas correntes das teorias literárias contemporâneas. O género aproxima-se, em primeiro lugar, dos princípios do minimalismo literário formulados por Ítalo Calvino, particularmente na valorização da leveza, da precisão e da economia expressiva. Cada palavra do Poetrix busca o essencial, carregando significado para construir poemas densos e concisos. Tal como propunha Ezra Pound, cada palavra deve ser essencial, concreta e musical, capaz de criar imagens precisas e versos econômicos.

Vários poetas e teóricos que refletem sobre o poetrix sublinham também, implicitamente, a sua afinidade com o formalismo e o estruturalismo. Nesta perspectiva, o poema orienta a atenção para a própria forma da mensagem (título, três versos, máximo de 30 sílabas métricas) intensificando os recursos da linguagem e valorizando o ritmo, a repetição e a sonoridade. O debate sobre as normas formais mantém-se ativo mesmo após 25 anos de existência do género.

O poetrix insere-se, explicitamente, no campo da micropoesia, caracterizada pela procura da máxima densidade de sentido num espaço mínimo. Entre os seus traços mais marcantes, destacam-se a condensação semântica, o impacto imediato e uma leitura simultaneamente breve e profunda, capaz de concentrar, num pequeno texto, uma forte carga imagética e reflexiva.

Apesar desta base formal comum, os autores que adotam o poetrix manifestam orientações poéticas diversas. Alguns privilegiam os aspectos formais; outros aproximam-se de uma poesia da experiência vivida; outros, ainda, exploram uma dimensão interior e reflexiva, considerando o poema como forma de conhecimento subjetivo, capaz de dizer aquilo que a linguagem ordinária não consegue exprimir, numa linha próxima da reflexão poética de Octavio Paz.

Por outro lado, certos autores exploram o Poetrix como discurso social e político, capaz de intervir simbolicamente na percepção do mundo e de contribuir para uma redistribuição da sensibilidade no espaço público, numa perspectiva que dialoga com as análises sociológicas de Pierre Bourdieu. Nos temas das cirandas, abordam-se questões de atualidade como a guerra, o feminicídio, etc.

Há ainda quem destaque sobretudo a sua dimensão sonora e performativa, valorizando o ritmo, a oralidade e a musicalidade do poema.

A recepção, segundo Jaus, destaca a centralidade do leitor na construção do sentido literário. O poetrix não é um objeto fechado, mas uma experiência que se completa no ato de leitura; cada leitor traz consigo contextos, sensibilidades e referências próprias, tornando a interpretação singular e dinâmica. Isso é especialmente evidente nos processos criativos em plataformas digitais e na produção de duplix.

O interacionismo sociodiscursivo, por sua vez, sublinha que o significado surge na relação ativa entre texto, autor e leitor. A historicidade do género, as regularidades e a própria evolução em função das situações de comunicação e dos contextos de produção, são analisadas de forma integrada. No caso do poetrix, esta perspectiva é particularmente relevante: pela sua brevidade e densidade, cada poetrix oferece apenas pistas, imagens ou sugestões, exigindo que o leitor participe ativamente na reconstrução do sentido. Assim, o poetrix não é apenas um exercício de estilo ou forma, mas um espaço de cocriação, onde a experiência estética se produz na tensão entre o escrito e a recepção subjetiva.

Em síntese, o poetrix pode ser entendido como um género poético de forte caráter híbrido, no qual convergem minimalismo formal, intensidade semântica e múltiplas orientações estéticas. Essa diversidade confirma a vitalidade da micropoesia no panorama literário contemporâneo.

Em última instância, o poetrix afirma-se como uma forma poética de intensa concentração expressiva. Num tempo marcado pela aceleração da comunicação e pela fragmentação do discurso, propõe uma estética da síntese: poucas palavras, mas carregadas de ressonância. Herdando a leveza e a precisão evocadas por Ítalo Calvino e explorando as possibilidades de uma forma de terceto particular, o gênero demonstra que a brevidade não é empobrecimento, mas densidade. Cada poetrix torna-se, assim, um núcleo de sentido, onde experiência, emoção e pensamento se condensam para produzir um instante de revelação poética.



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EDITAL PARA PUBLICAÇÃO DE TRABALHOS NA REVISTA AIP – ACADEMIA INTERNACIONAL POETRIX - Número 3 - 2026

 

Este edital apresenta as normas para submissão de trabalhos a serem publicados na REVISTA AIP, da Academia Internacional Poetrix, número 3 – 2026.

O objetivo da revista é publicar artigos, ensaios, monografias ou outros textos similares acerca do poetrix, principalmente no âmbito das suas abordagens teóricas literárias e aplicações educacionais.

Não serão publicados poetrix de autores, exceto aqueles inseridos nos textos acima citados.

 

NORMAS PARA APRESENTAÇÃO DE TRABALHOS

 

1. DA APRESENTAÇÃO DOS TRABALHOS

O artigo, ensaio ou monografia deve ser digitado em arquivo  Word, fonte Times New Roman, tamanho 12, entrelinhamento 1,5, não sendo aceito PDF ou nenhum outro formato). No texto deve conter:

a) título nos idiomas português e inglês;

b) nome(s) completo(s) do(s) autor(es) sem abreviações, suas titulações acadêmias e e-mail

c) resumo em língua portuguesa e em com um máximo de 250 palavras

d) mínimo de três e máximo de cinco palavras-chave

e) as seções: introdução, desenvolvimento e conclusão

f) serão aceitos trabalhos nos idiomas: português, espanhol e inglês.

g) a formatação incorreta, a grafia incorreta de referências e demais solicitações de normas que não forem atendidas implica em RECUSA SUMÁRIA do texto enviado.

 

2. DO ENVIO

h) As submissões de trabalhos devem ser enviadas para o e-mail academiapoetrix@gmail.com, até o dia 30 de setembro de 2024

i) Todos os artigos submetidos receberão resposta dos avaliadores e orientações para que os autores possam melhorar seus trabalhos (quando for o caso).

j) Além do artigo é necessário o envio da autorização para publicação (ver MODELO DE AUTORIZAÇÃO DE TRABALHO no final do edital) sem ônus para a AIP, assinada por todos os autores do trabalho.

k) É desejável, na medida do possível, que os textos sigam as normas de formatação da ABNT 6023

 

3. DA AVALIAÇÃO DOS TRABALHOS

l) Os textos serão avaliados pelo Conselho Editorial da AIP e pelo organizador da revista, que serão responsáveis pela aprovação ou reprovação dos mesmos, bem como pela solicitação de correções.

m)  Cópia literal ou aproveitamento de textos de terceiros é considerado plágio. Quando esta cópia ocorre de um outro trabalho do próprio autor esta prática é considerada autoplágio. Fica proibida qualquer forma de plágio. Conforme o Código Penal Brasileiro, artigo 184, PLÁGIO é crime. A punição pode variar desde pagamento de multa a reclusão por quatro anos.

n) As decisões sobre os textos, pelo Conselho Editorial da AIP e pelo organizador da revista, são irrecorríveis.

 

4. DA PUBLICAÇÃO DOS TRABALHOS

 o) Os artigos serão publicados em e-book formato PDF, no site da AIP www.academiapoetrix.org e disponibilizados para compra em formato impresso em plataforma de impressão sob demanda, sem qualquer remuneração para seus autores.

p) A inscrição do trabalho implica em autorização para a publicação integral, sem qualquer ônus para a AIP. O(s) autor(es) deverá entregar junto à inscrição a declaração de autorização para publicação, abaixo.

q) As informações apresentadas no trabalho são de responsabilidade exclusiva de seus autores.

r) Os autores são os possuidores dos créditos, direitos autorais e direitos de publicação totais, sem restrições, pelos textos publicados.

 

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AUTORIZAÇÃO PARA PUBLICAÇÃO DE TRABALHO

NA REVISTA AIP NÚMERO 3 - 2026

 

Declaro para os devidos fins que o texto intitulado ......................................................... é de minha (nossa) autoria e que todos os esforços foram feitos para que as fontes utilizadas no mesmo fossem explicitadas no próprio corpo do texto e nas referências.

Estou ciente de que todas as informações apresentadas no trabalho são de exclusiva responsabilidade dos autores.

 Por meio desta declaração autorizo a divulgação do texto, por mídia impressa, eletrônica ou outra qualquer, à AIP, sem custo algum nem remuneração alguma.

Local e Data

RG:

Assinatura(s)



sábado, 6 de junho de 2026

Quatro Poetrix de Cleusa Piovesan



PROFISSÃO, SEM MAIS FÉ 


De Mestres a Marionetes 

sistema de ensino desmontado 

professo minha indignação 



SOU TAURINA 


Sempre uma ideia nas ventas

da gula à explosão é um átimo 

perfeição é só uma utopia 



ARBORÍCIDIO 


Matamos verdejante vida

criamos paisagens cinza

concreto mundo cimentado 



NOVA PASÁRGAGA


Mundo de faz-de-conta perfeito 

IA rouba-nos capacidade de pensar 

fugimos de nós mesmos


Cleusa Piovesan

Quatro Poetrix de José de Castro



CONVITE 


Minha casa é tua

Vem ninar estrelas

Ama-me sob a lua


José de Castro



EM AGULHAS DE PRATA


Fios de sol

Teci tua roupa

Nudez que brilha



NOITE AFORA


Pequenos rabiscos

Riscos de estrela

Poeira de luz


José de Castro



NUDEZ


Com pouco me contento

Visto-me de leveza

Sou versos ao vento


José de Castro

Seis Poetrix de Dirce Carneiro


RETROVISOR


Éramos tão felizes

diferenças de classes, ocultas

felicidade era voar na capucheta


Dirce Carneiro



BEM-TE-VI


Não sou ovelha

mais para onça pintada

ave chora-canta paz


Dirce Carneiro



LÚDICO


Fetiche por água

borbulham universos

memória uterina


Dirce Carneiro



AVOÍCES


Banho no tanque

avós avessas a regras

navegos em mares-rios


Dirce Carneiro



ENCARNAÇÃO


Viemos da era do Verbo

vestimos carne, tempo

virtual lugar-agora


Dirce Carneiro



RESPOSTA AO TEMPO I


Afinal, tempo, que queres?

de mim terás a carcaça

o meu tesouro não tocarás


Dirce Carneiro

Poetrix do Livro "Poemas de Ostras", de Dirce Carneiro (2025)

Poetrix de Sandra Boveto

 


PRETERIR ESCAFANDRO


profundidade inexiste para olhos de superfície

mergulhar é pouco

vou me afogar


Sandra Boveto

Grafitrix de Antônio Carlos Menezes



No teu riso


há uma poesia brilhando,

um gesto de beleza infinita,

amor que floresce todo dia!


Antônio Carlos Menezes

Quatro Poetrix de Oswaldo Martins

 

CANTIGUINHA REPETIDA

 

como um grilo solitário

tem tristeza de partida

busca engabelar otário

 

Oswaldo Martins

 


PLENO LAR E VIDA SIMPLES


açambarca a doce infância

sonhos limpos de menino

resto em morbidez adulta


Oswaldo Martins



BABOSEIRAS SEM VALOR

 

sem nenhum valor de fato

próprias de despreparados

não servindo para nada

 

Oswaldo Martins

 


NOVAS ELEIÇÕES CHEGANDO

 

velhos nomes são destaques

lobos vestem peles mansas

vítima em palhaço-povo

 

Oswaldo Martins


Poetrix de Ronaldo Jacobina



JC: SUA ESSÊNCIA


Infinito como Deus

Ínfimo como humano

Dialético: mais abran_gente


Ronaldo Ribeiro Jacobina

Luxemburgo, 24 maio 2026


Três Poetrix de Claudio Trindade

 



HORIZONTE


Hipnotiza o hoje

Hasteia hábitos honestos

Hábil, herda histórias heroicas 



GÉLIDO GALHO


Garoa grossa gelada

Grande galpão, guarda o gado

Gruda geada na grama



FRIEZA FOGE


Ferve farta felicidade

Findando feitiço frágil

Formam farol fascinante


Claudio Trindade

sexta-feira, 5 de junho de 2026

Entrevista com Bianca Ribeiro Reis

ACADEMIA INTERNACIONAL POETRIX

ENTREVISTA: ACADÊMICA BIANCA RIBEIRO REIS

CADEIRA 19, PATRONO GUILHERME DE ALMEIDA

Entrevista por Dirce Carneiro e assinando o texto crítico Ximo Dolz

BIANCA RIBEIRO REIS: O POETRIX COMO TÁBUA DE SALVAÇÃO

Carioca de alma marítima, Bianca Ribeiro Reis traz nos gestos o compasso das ondas e, no ouvido, a fidelidade à música. Entre marés e melodias, foi durante os dias suspensos da pandemia que encontrou no Poetrix uma inesperada tábua de salvação. O que começou como válvula de escape transformou-se em paixão: a descoberta de um gênero breve, mas capaz de acolher o ímpeto das grandes emoções. Seduzida pela musicalidade da métrica, deixou-se arrebatar pelo terceto provocante, cheio de bossa e malandragem, traços que, em sua escrita, ganham leveza, jovialidade e um frescor muito próprio. Em seus poetrix, a cadência das palavras parece dançar; poesia e música partilham a mesma respiração, como se cada verso guardasse o balanço secreto do mar.

Em 2023, conquistou a Cadeira 19, cujo patrono é Guilherme de Almeida, poeta que também cultivava o amor pela sonoridade dos versos e pelo jogo refinado das rimas. Em seu itinerário poético, Bianca parece transformar o isolamento em encontro, a inquietação em canto e a brevidade do terceto em abrigo. Seus poetrix são barcos lançados às águas da experiência humana: ora bússolas que orientam, ora portos onde a sensibilidade encontra repouso. Sobretudo, são tábuas de salvação feitas de ritmo, mar e poesia, testemunhos de que, mesmo nos tempos mais áridos, a palavra pode sustentar, reinventar e devolver ao mundo a sua música. Por isso temos curiosidade em conhecer melhor sua trajetória e seus posicionamentos poéticos.

Ximo Dolz


Conte um pouco sobre sua trajetória na poesia: quando e como você começou a escrever?

Amo escrever. Desde sempre. Na adolescência, mantinha diários e dedicava poemas para familiares e amigos. Escolhi marketing como profissão em grande parte por conta da minha paixão pela escrita e pela criatividade. Construí minha trajetória com foco em comunicação e copywriting.  

A poesia aflorava de vez em quando, eu nunca mantive uma rotina de escrita. Daí, durante a pandemia (final de 2020), conheci o haikai e o poetrix e, de cara, me identifiquei com o gênero minimalista. Compus meu primeiro poetrix para participar do Concurso da Confraria Poetrix e fui premiada com o terceiro lugar. Nunca mais larguei esse terceto cheio de bossa; tão conciso e, ao mesmo tempo, imenso.


Cite um livro que marcou sua infância ou adolescência.

Na infância me lembro de devorar a coleção do Sítio do Pica Pau Amarelo do Monteiro Lobato e ter amado A Fada que tinha ideias, O Menino do Dedo Verde.

Já o livro Flicts do Ziraldo me marcou demais, porque é poesia pura. E continua a me emocionar a cada leitura.


Como a vida em uma grande cidade influencia sua escrita?

O Rio de Janeiro é meu palco: o mar, a agitação, a descontração, os ritmos, a desigualdade social. Tudo é repertório. 

Tenho uma série de poemas que capturam as dores e delícias de viver no Rio e no Brasil. E muitos poetrix carregam uma dose de crítica social.


Como é seu processo criativo? Tem um ritual para escrever? Tem períodos em que não produz? 

Não tenho um ritual, nem regularidade. Quando um tema é proposto numa ciranda, começo buscando memórias e tentando identificar que sentimento elas despertam. A partir daí, construo os versos, focando em ritmo e regularidade métrica. O título é, quase sempre, pensado no final. Adoro explorar expressões da moda, neologismos, figuras de linguagem e duplos sentidos.

Também é bem comum que poemas surjam como um estalo, e geralmente contendo rima; é um fluxo natural, nada proposital, como se eu pensasse os textos com um andamento quase musical.

Épocas de pouca produção são, na verdade, a regra para mim. Só em raros momentos a poesia jorra, e vem quase incontrolável, como se com vida própria. 


De onde vem sua inspiração para escrever? Dê um exemplo recente.

Tudo pode funcionar como gatilho. A natureza, as emoções, notícias, lembranças, acontecimentos diários, desafios, relacionamentos. A inspiração vem da conjunção de contemplação com imaginação. Acho que a sensibilidade no olhar me ajuda também na arte da fotografia, que é um grande hobby que eu cultivo.

Exemplo: 

O intenso volume de notícias e debates atuais sobre feminicídio originou o seguinte poetrix:


ATÉ QUE A SORTE OS SEPARE


ela disse ‘fim’

ele não aceitou

história de terror!


Você revisa muito seus poemas? Qual é o maior desafio no processo de edição?

Sim, sou obcecada pela métrica, pelo ritmo, pela síntese e pelo jogo de palavras. 

É bem frequente eu lapidar os poemas, cortando excessos, procurando pelo elemento surpresa, buscando o título ideal.

Inclusive, acontece muito de alterar alguma parte ou trocar uma palavra de poetrix antigos, quando os revisito. 

Acho que o maior desafio de todo poetrixta é conseguir provocar um salto ou susto, mas há enorme prazer nessa busca.

As escritoras Andréa Abdala, Bianca Ribeiro Reis e Lílian Maial, no lançamento dos livros “Pérolas Poetrix” e “Antologia Poetrix 8 – Infinito”.

Quais temas recorrentes aparecem na sua poesia e por que eles importam?

Meus poemas falam de relações humanas, dilemas emocionais, desafios do cotidiano e temas da sociedade contemporânea, de forma leve, lúdica e, por vezes, irônica.

Poetizar o dia a dia funciona como um suporte para lidar com as dificuldades, ao mesmo tempo em que resgatar memórias e acessar sentimentos ajuda no autoconhecimento.


Cite alguns de seus poetrix preferidos.

Gosto bastante deste abaixo, por considerar que sintetiza a essência do poetrix - é leve, enxuto, rítmico, evoca visibilidade, possui multiplicidade, tem título criativo com jogo de palavras, figura de linguagem e um ‘susto’ no final. 


MÁGOAS DE MARÇO

o tempo fecha

o clima fica estranho

desaguamos


Outros de que gosto bastante:


SOFREVIVENDO

bolso que esvazia

guerra que amedronta

segurando as pontas



ESTRANHA TRAMA

te dei linha

só me enrolou

ai de nós!


Quais autores a moldaram mais, e como?

Minha poesia dialoga com:

Paulo Leminski – pela brevidade urbana e irônica.

Adélia Prado – pela forma de transformar o cotidiano em lirismo.

Guilherme de Almeia - pelo ritmo rimado.

Além destes poetas, sou admiradora de Carlos Drummond de Andrade, Manoel de Barros, Millôr Fernandes, Carolina de Jesus e os contemporâneos Lucão (Luca Brandão), Tchello d'Barros e Rupi Kaur.

Grandes nomes da música também me influenciaram, em especial os compositores: Cazuza, Rita Lee, Vinicius de Moraes, Leoni, Marisa Monte, Renato Russo.


Como você encara o papel da arte na nossa vida, na sociedade, no Brasil e no mundo?

Arte é respiro e é resistência.

A poesia é capaz de provocar reflexões, de inspirar, de induzir novas perspectivas, de revelar beleza no caos.

Parafraseando Ferreira Gullar, costumo dizer que “A arte insiste porque a vida nos castra”.


Como você vê o impacto da inteligência artificial na literatura e nas artes poéticas?

Não tem como fugir da Inteligência Artificial. Vejo a IA como uma aliada do processo criativo, um apoio para desenhar caminhos, instigando conceitos e formatos diferentes, provocando um novo olhar. Nunca para substituir o escritor, já que personalidade e vivência é que tornam uma obra ressonante, impactante, com alma.

Os grandes desafios são a ética e os direitos autorais: a IA treina em obras existentes sem permissão, gerando conteúdos que misturam estilos alheios sem crédito ou compensação aos criadores originais. Isso levanta questões sobre propriedade intelectual, plágio involuntário e a valorização do trabalho humano. 


Qual o próximo projeto literário que a anima e por quê?

Publicar meu livro solo de poemas, que já está, inclusive, estruturado. Participei de diversas antologias, mas ainda não lancei uma publicação só minha. Seria um grande sonho lançar através de uma editora conceituada.

Outras metas: escrever um livro infantil e me aventurar na crônica.


Interage nas redes sociais com sua escrita?

Além grupo da AIP, participo dos grupos Selo Poetrix, administrado pelos acadêmicos Diana Pilatti e José de Castro, e Imersão Literária A Palavra que Está. 

Publico meus poetrix no Instagram @poesia.lab

 

Que conselhos daria para poetas iniciantes que sonham em publicar?

Exercite o olhar, tente encarar o mundo com a curiosidade de uma criança, honre suas experiências, não force lirismo. 

Domine a gramática, estude autores reconhecidos e abrace referências, mas escreva como você. E divirta-se. 😊


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Academia Internacional Poetrix – AIP

Gestão Uni_Versos (2026/2028)

Entrevista por Dirce Carneiro, cadeira 26

Assinando o texto crítico Ximo Dolz, cadeira 30