segunda-feira, 1 de maio de 2023

Dia do Trabalhador - Poetrix Temáticos






O PRIMEIRO DE(S)MAIO

minas de carvão
caldeirão do diabo
pneumoconiose aguda

José de Castro


TRABALHO ESCASSO

Uma vida trabalhando
Parar? Impossível!
Salário minguado

Marilia Tavernard


segunda-feira

café coado
a rotina amarga na boca
amanhece o dia

diana p


ZÉS_MARIAS

Levantam com a aurora
viajam como sardinhas
nada light, nem elite

Dirce Carneiro


VIA CRUCIS

Nos trilhos, desesperanças
Vagões agastados
Dias operários

Andréa Abdala


POETRIX DE PRIMEIRO DE MAIO

santa ceia, descartada...
mesa farta de desânimo
por um trix mínimo é mais

Francisco José


DIA DE LUTA

Por dignidade oprimida
Pelo "maio" de cada dia
Pela educação banida

Andréa Abdala


PRIMEIRO DE MAIO

Direitos à unha
Saúde pelo cabresto
Pão de resto

Andréa Abdala


UBER TO ORBI

Dirigir o próprio negócio
quatro rodas, quatro portas
capital de gira

Dirce Carneiro


PRIMEIRO DE MAIO NA PANDEMIA

Flanela ou carteira assinada
Luto, verbo recorrente em mim
Pano preto na janela

ronaldo ribeiro jacobina


FORÇA DO TRABALHO: INSTÁVEL

Insolentemente insossego
Insolvência inscrita
Inspiração instantânea

Lorenzo Ferrari


DEVE-SE DAR AO TRABALHO?

Aparelho telefônico inerte
Sono profundo, sobressalto-me
Silêncio

Lorenzo Ferrari


Igualdade Salarial

bate de frente
a conta não bate
... é só faz de conta

Angela Bretas


DIA DO TRABALHO

povo sem labuta
nem pão nem diversão 
chora o filho da puta

Lilian Maial 


A$$ALARIADO

vende a vida inteira
pelo pão de cada dia
a liberdade bóia, fria


Goulart Gomes
(Poema publicado em 2010 - Livro 501 Poetrix)

sábado, 29 de abril de 2023

NOITE DE SARAU NA ACADEMIA



Encontro repleto de poesia e boa conversa com os membros da Academia Internacional Poetrix - AIP, no primeiro Sarau da gestão O Mínimo é Mais, em 28 de abril de 2023. 

Estavam presentes neste momento: Andréa Abdala, Marilda Confortim, Lorenzo Ferrari, Pedro Cardoso, José de Castro, Dirce Carneiro e Lilian Maial, Socorro Borges (poetrixta convidada) (nesta foto), e ainda Angela Bretas e Marília Tavernard. 

Muitos virão!

quinta-feira, 27 de abril de 2023

CARTA PARA UM AMIGO, POR PEDRO CARDOSO

 



Carta para um amigo escritor 

por Pedro Cardoso


Brasília, 31/03/23


Ô meu amigo, quanto tempo?! Já nem me lembro de quando foi que escrevi pra você pela última vez. Estou até envergonhado. Sei que fazem alguns carnavais, cada qual, mais distante e saudoso. Isto sem falar do período recente da pandemia, que horror! Fiquei literalmente confinado. Ficamos. Foi assim que embaralhei os pés nos passos, por esses anos todos.

Não vou dar notícias da minha querida Flor. Escrevi para ela recentemente, estamos com as conversas em dia, a par e passos... tudo como lhe falei da última vez, sem mais nem menos.

Hoje, quero confessar que ando com a cabeça voltada para o Minimalismo, sigo encantado! Por isso lhe escrevo para contar as novidades.

Passeando pela internet deparei-me com a expressão: "o mínimo é o máximo". Esta frase é uma antiga companheira de caminhada. Fica martelando em minha cabeça, por vários dias. Ela sempre faz todo sentido para mim.
Vivo às voltas com poemas enxutos, adequados às figuras de linguagem e com títulos que induzem o leitor a relacioná-los com o conteúdo.

Sei que você gosta de uma boa leitura, principalmente de poemas dos poetas clássicos, isto é bom demais! Mas gostaria de lhe falar sobre uma tendência minimalista que, ora, aflora com mais intensidade, tanto na internet como nas publicações de livros autorais e revistas literárias. É um gênero relativamente novo. Não sei se você, que mora do outro lado do mundo, já teve algum contato ou ouviu falar do terceto que se chama Poetrix. Ele foi criado em 1999, pelo poeta baiano Goulart Gomes. No início éramos um grupo de uns gatos pingados (acredita que faço parte deles?), dez escritores ou até menos. Tudo era trocado na base dos e-mails, as mensagens corriam de um computador ao outro, sem dó nem piedade. Sempre sob a batuta do seu refinado criador.

O Poetrix nos oferece muitas facetas: é humorado, é transgressor, é narrativo, faz história. Ele está ganhando fôlego entre os poetas de primeira linha, com muita rapidez. O grupo já saiu das nossas fronteiras, ganhou o mundo minimalista, com vontade!

Vou lhe apresentar um exemplo que consta do livro que escrevi - ainda falando das novidades!.
Espero que goste e tente fazer um outro desses tercetos para mim. Quem sabe....
No começo pode parecer complicado, mas depois de algumas tentativas frustradas, vai perceber que é bem legal!
Podemos trocar "figurinha": para cada um que você me mandar, vou devolver dois bem fresquinhos. Combinado?

No início tem-se a tendência de escrever uma frase dividida em três partes - um poetrix um tanto "capenga", para as propostas mais atuais. Não poderia deixar de registrar, no entanto, que os clássicos contêm verdadeiros tesouros.
É que, no começo, era aceitável, mas com o passar do tempo ele ficou mais exigente, mais elitista, mais sofisticado e até mesmo mais atrevido. Hoje o que é desejável é que não seja uma frase "esfaqueada".

Vou lhe mostrar as particularidades, em detalhes, para que você não se assuste de imediato. Vamos no passo a passo.


Primeiro vou apresentar um Poetrix clássico, escrito por mim. Na verdade é uma frase fatiada em três partes, como se fossem três versos. Mas, ainda assim, tem um efeito bonito e forte. Gosto muito dele!

Veja:

Fome

a distância
entre a mão e a boca
tem nome...

É importante notar, que mesmo sendo uma frase fragmentada, ela nos remete ao título e a leitura se repete, como em um ciclo.

Eu disse, lá no início, que não falaria da minha amada, mas é impossível deixá-la de lado quando estou confabulando com a Poesia. Ela é a minha rima mais que perfeita, faz parte dos meus escritos, das minhas loucuras, do meu dia a dia. Como você sabe, sempre a chamo de Flor Azul.
Pois bem, falando nela, vejamos um outro exemplo:

Amor,

doçura de Flor, atiça delitos
todo cuidado é pouco.
picantes temperos aguçam desejos

O título é uma peça importantíssima dentro do contexto. Ele tanto pode ser longo como curto, uma única palavra já é suficiente, por vezes. Este fato é relevante porque ele não faz parte da contagem das sílabas que compõem o Poetrix (no qual,é permitido até trinta sílabas métricas).

Pois bem meu amigo, dizem que um poema que precisa de explicação não é bom. Não vou dar explicações sobre o poema. Quero apenas lhe dizer como gostaria que você lesse o texto para que possa ir se familiarizando com a arte deste estilo de escrita. Desejo ajudar na compreensão dos pontos ora abordados.

Veja que, após o título, coloquei uma vírgula. Fiz isto para que o poema fosse lido como eu o idealizei. Com esta pontuação, adiciono o título ao primeiro verso, para que a leitura seja feita da seguinte forma: Amor, doçura de Flor. Trago a força do sentimento junto. Observe também que usei a palavra "Flor" com letra maiúscula, uma referência à minha amada. Se tirar a vírgula, a leitura fica diferente, você vai ler: Amor (.)__doçura de Flor, atiça delitos. Nesta hipótese, aparece mais a minha afirmação de que a... Mulher atiça delitos.

Sobre o segundo e o terceiro versos, podemos conversar melhor depois. Assim, deixamos nossos assuntos sempre a postos!

Agora você já pode tentar! Venha para esse mundo de loucos escritores, o mais rápido que puder! É um convite especial. Como deve ser a Amizade.

Um grande abraço... E viva a poesia!!!

terça-feira, 25 de abril de 2023

segunda-feira, 24 de abril de 2023

Nosso Até Breve - Tê Soares



Tê Soares








Minhas palavras serão breves, mas eu creio que a saudade não terá fim, para todos nós, que tivemos a honra de tê-la por perto.


Hoje é um dia estranho. Quando recebi a notícia da morte da Tê Soares não quis acreditar. Não era para mim aquela fala! Foi necessário perguntar a algumas pessoas se era mesmo verdadeira. Quando me confirmaram, tive uma vontade imensa de chorar. Ela foi e sempre será minha parceira, minha amiga, minha irmã de poesia.


Conheci Tê e Aila em uma sala de bate-papo na internet, que tinha o nome de Papo-Cabeça. Isto foi, se não me engano, no ano de 2001. Depois de muita conversa, convidei as duas para conhecerem o Poetrix. De lá para cá, foi só Alegria.


Eu e Tê escrevíamos muitos textos juntos, era divertido demais, só_risos. Até que um dia criamos o Duplix! Uma maneira que encontramos para falarmos sobre poesia. Demoramos um pouco para resolvermos publicar o primeiro Duplix. Mas acreditávamos verdadeiramente que seria uma forma de criar novas amizades, novas parcerias... quase um casamento bem sucedido.

Nossas suspeitas se confirmaram! Muitas amizades, como a nossa, nasceram e cresceram assim.


Segue uma amostra, para lembrar sua genialidade com o Poetrix:




Fugaz

Cama desarrumada,
liberdade para as borboletas
estampadas nos lençóis...


(Tê Soares)




Fugaz como é a vida.

Ao mesmo tempo, eterna....




E viva Tê Soares!!!

... E viva a poesia!!!


Pedro Cardoso

Grafitrix de Luciene Avanzini


 

Poetrix de Oswaldo Martins



TEM TRISTURA TODA FACE


Olhos tristes do perdão
Foto há a reter o enlace
Resta a quebra do cordão



Oswaldo Martins


Salvador, 09/04/2023.

sábado, 22 de abril de 2023

Grafitrix de Socorro Borges


 

Poetrix de Angela Bretas



QUE PECADO!



Maresia de lixo humano
Heresia à luz do dia
Mar pintado de esgoto



Angela Bretas


Antologia Poetrix 8 - Infinito 

Grafitrix de Gilvânia Machado


 

sexta-feira, 21 de abril de 2023

Grafitrix de Francisco José

 


Poetrix de Francisco José

 QUINQUILHARIAS  

Pedro comprou terra à vista 
um monte de portugueses 
poucos pataxós no espelho 

Francisco José

quarta-feira, 19 de abril de 2023

Poetrix de Marilda Confortin



OUTONO CHUVOSO 


Morre mais um dia
A noite cai em prantos
Sapos não (co)acham a lua


Marilda Confortin

Poetrix de Diana Pilatti



RETRATO


tinto sangue
as taças de Caravaggio cintilam
Baco sorri ébrio



Diana Pilatti

Poetrix do livro Pequenas Sinestesias, 2023 (no prelo)

Poetrix de Diana Pilatti



AMENIDADES


alegre caminho
os vinhedos serenos acordam
sou criança outra vez



Diana Pilatti

Poetrix do livro Pequenas Sinestesias, 2023 (no prelo)