Poetrix submetido à Berlinda:
AGULHA MÁGICA
Ponto a ponto
A bordar pistilos delicados
até que sangre a flor
COMENTÁRIOS DOS ACADÊMICOS
1. Marilda Confortin
Até vi uma bordadeira... "Até que sangre a flor" é uma bela imagem do bordado pronto. Uma flor vermelha. Ou, seria o sangue do dedo ferido pelo movimento repetido da agulha no pano ou na pele(tatuagem)?
Sim, é imagético, tem metáfora, título e menos de trinta sílabas. Se não quebrasse em 3 linhas, seria uma frase. Sugestão:
Agulha mágica
Ponto a ponto
a bordar pistilos delicados.
Sangra a flor.
2. Dreyf Gonçalves
A mensagem proposta por este Poetrix é de ótimo mote!
Abarca mensagens subliminares que induzem à múltiplas interpretações, desde o singelo até o sensual.
Um poetrix que poderia, sem dúvida, ir ao encontro do que, se estima, seja o interesse e busca, em poesia, nos meios virtuais desta nossa presente realidade.
Mas, assim compreendo, o título é seu próprio algoz. Não instiga!
O título acaba por encobrir todo o não dito que os versos contém.
Poetrix, sem dúvida, mas que, é minha sugestão, merece e justifica um título à altura do mote.
3. Lílian Maial
Um poetrix algo melancólico, me trouxe à mente, inicialmente, uma pintura. Dessas de se admirar por vários minutos. O bastidor, o bordado, a flor. De repente, o vermelho, o sangue pingando sobre a flor.
Depois de várias leituras, percebi a bela metáfora com inúmeras possibilidades: um relacionamento tóxico, o desabrochar da mulher, o amor e, por fim, alusão à pedofilia. Nesse último caso, o título remete a situação infantil, o que me fez pensar nesse viés. São inúmeras as leituras deste poetrix. No caso, se for referência à pedofilia, o título está ótimo, porém, se não for essa a intenção, poderia ser melhor trabalhado.
Segue a Bula em parte, tem título, tem menos que 30 sílabas poéticas, usa metáforas, o último verso é o susto, mas não deixa de ser uma frase em três partes.
4. Isi Caruso
O poetrix deste mês tem um carga de tristeza das coisas devastadas, algo de perverso ou inocência perdida. O título me remete a um "conto de fadas" o que me fez ver este ar de inocência, já o sangue a morte ou violação de algo belo e frágil. Concordo com a Lilian quanto à Bula, pois apesar de possuir apenas 18 sílabas poéticas e outras qualidades, peca por ser uma frase partida e por este motivo concordo com a última frase sugerida pela Marilda.
5 Regina Lyra
O Poetrix:
#AGULHA MÁGICA tem várias leituras e o leitor consegue viajar nos seus três versos.
O título é bastante interessante para às diversas propostas da poesis.
#Ponto a ponto
A bordar pistilos delicados
até que sangre a flor
Primeiro verso:
#Ponto a ponto
Sinto várias possibilidades: dia a dia; momento a momento; fazer amor; sentimento de paixão ou de dor... ou mesmo, o próprio bordado perfeito.
Segundo verso:
#A bordar pistilos delicados
Se o leitor segue o caminho do bordado, a agulha borda flores delicadas onde demonstra com clareza o órgão sexual das flores, delicadamente tocadas com os dedos, provocando excitação em quem observa, borda, ou é tocada. O pistilo também entendido como sinônimo ‘gineceu’ ou lugar reservado às mulheres na Grécia antiga. Onde elas brincavam entre si e tocavam-se nas zonas erógenas. ( a tocar nos seios delicados)
#até que sangre a flor
A virgem tocada, pelo parceiro ou pelo algoz, culmina no ato sexual e sangra ao perder a virgindade.
#Volta-se ao título:
O título achei bastante pertinente nas várias leituras que fiz. A agulha mágica poderá tecer o bordado perfeito. Poderá representar o órgão sexual masculino, provoca prazer se consentido o ato, ou dor se for um ato forçado, estupro. Seguindo esta última colocação será também um objeto de corte momento no qual a virgem sangra por todos os poros e a dor emocional
Gostei do poetrix, muito bom. Está recheado de metáforas levando a uma leitura onde o imaginário segue várias trilhas. O leitor sentirá conforme seu próprio estado.
Não mudaria nada. A poesia deve ser sentida.
A bula é uma referência não uma prisão. A poética é maior do que tudo.
Parabéns!

6. Antonio Carlos Menezes
Um excelente poetrix. Interpreta-lo... como? No meu humilde entendimento, poesia não se interpreta... A poesia nos toca o coração e fica dentro da gente com o seu mistério silencioso... Parabens!!!

7. Marília Baêtas Tavernard
Um ótimo e intrigante poetrix. Podemos viajar pelas diversas interpretações aqui citadas. Nos remete ao delicioso oficio de bordar tbem. Concordo com o que falaram da frase partida, pouco a melhorar.

8. Rosa Pena
Um belo poetrix que está dentro do que se pede de um. Só mudaria o último verso, pois o até é conclusivo e tira o susto". Colocaria:
Agulha mágica
Ponto a ponto
Bordo pistilos delicados.
Sangra a flor.

9. Ricardo Mainieri
Eu repaginaria, um pouco, este poetrix, dotando-o de mais concisão. Vejo a arte do terceto com um olhar minimalista e persigo a forma enxuta. Concordo com a Rosa, Para mim, ficaria melhor este encadeamento: "ponto a ponto/bordo pistilos delicados/sangra a flor". Assim, no terceiro verso teremos "o susto", o impacto. Da delicadeza se passa, abruptamente para a dor.

10. Angela Bretas
Um poetrix com várias interpretações , me fez abrir o baú da memória e me levou às letras de Cora Coralina : “Sou feita de retalhos. Pedacinhos coloridos de cada vida, que passa pela minha ...”
O poetrix “Agulha Mágica” retrata retalhos cotidianos , bordados passo a passo, dia a dia, sangrando realidades da vida... Parabéns ao autor(a)
*tbem mudaria o último verso como sugeriu a Rosa.
** foi falado que aqui na Berlinda não é para interpretar e sim analisar o poetrix como um todo ; entretanto é complexo analisar sem interpretar primeiro , um ato complementa o outro .

REVELAÇÃO DO AUTOR E SEUS COMENTÁRIOS
Lílian Maial: A autora do poetrix é Aila Magalhães, que falará um pouquinho sobre ele e avaliará as sugestões apresentadas.
Aila Mag: Oi, pessoal... Obrigada pelos comentários. Concordo com a mudança no terceiro verso... fica melhor sob todos os aspectos (e adotarei a sugestão). Há anos atrás escrevi um poetrix parecido, no qual me referia às bordadeiras de ofício. Neste, vários captaram a metáfora da flor sangrante. Sim, a infância violada, que choca e marca para sempre, mas continua acontecendo cada vez mais cedo. Não trocarei "a bordar" por bordo (talvez borda, pensarei), pois quis assumir a condição de observadora e referenciar a continuidade do processo (a bordar - terceira pessoa) sobre o qual por vezes não há como intervir. Novamente, muito grata pelas intervenções. Abraço!
Mais uma coisinha que esqueci: Com o título, "agulha mágica", quis reforçar a ideia de como um agressor se aproxima de sua vítima (normalmente ganhando a confiança e afastando a ideia de perigo de verdadeira "agulha".
O poetrix ficou assim:
AGULHA MÁGICA
Aila Magalhães
Ponto a ponto
a bordar pistilos delicados
Sangra flor
O título é bastante interessante para às diversas propostas da poesis.
#Ponto a ponto
A bordar pistilos delicados
até que sangre a flor
Primeiro verso:
#Ponto a ponto
Sinto várias possibilidades: dia a dia; momento a momento; fazer amor; sentimento de paixão ou de dor... ou mesmo, o próprio bordado perfeito.
Segundo verso:
#A bordar pistilos delicados
Se o leitor segue o caminho do bordado, a agulha borda flores delicadas onde demonstra com clareza o órgão sexual das flores, delicadamente tocadas com os dedos, provocando excitação em quem observa, borda, ou é tocada. O pistilo também entendido como sinônimo ‘gineceu’ ou lugar reservado às mulheres na Grécia antiga. Onde elas brincavam entre si e tocavam-se nas zonas erógenas. ( a tocar nos seios delicados)
#até que sangre a flor
A virgem tocada, pelo parceiro ou pelo algoz, culmina no ato sexual e sangra ao perder a virgindade.
#Volta-se ao título:
O título achei bastante pertinente nas várias leituras que fiz. A agulha mágica poderá tecer o bordado perfeito. Poderá representar o órgão sexual masculino, provoca prazer se consentido o ato, ou dor se for um ato forçado, estupro. Seguindo esta última colocação será também um objeto de corte momento no qual a virgem sangra por todos os poros e a dor emocional
Gostei do poetrix, muito bom. Está recheado de metáforas levando a uma leitura onde o imaginário segue várias trilhas. O leitor sentirá conforme seu próprio estado.
Não mudaria nada. A poesia deve ser sentida.
A bula é uma referência não uma prisão. A poética é maior do que tudo.
Parabéns!
6. Antonio Carlos Menezes
Um excelente poetrix. Interpreta-lo... como? No meu humilde entendimento, poesia não se interpreta... A poesia nos toca o coração e fica dentro da gente com o seu mistério silencioso... Parabens!!!
7. Marília Baêtas Tavernard
Um ótimo e intrigante poetrix. Podemos viajar pelas diversas interpretações aqui citadas. Nos remete ao delicioso oficio de bordar tbem. Concordo com o que falaram da frase partida, pouco a melhorar.
8. Rosa Pena
Um belo poetrix que está dentro do que se pede de um. Só mudaria o último verso, pois o até é conclusivo e tira o susto". Colocaria:
Agulha mágica
Ponto a ponto
Bordo pistilos delicados.
Sangra a flor.
9. Ricardo Mainieri
Eu repaginaria, um pouco, este poetrix, dotando-o de mais concisão. Vejo a arte do terceto com um olhar minimalista e persigo a forma enxuta. Concordo com a Rosa, Para mim, ficaria melhor este encadeamento: "ponto a ponto/bordo pistilos delicados/sangra a flor". Assim, no terceiro verso teremos "o susto", o impacto. Da delicadeza se passa, abruptamente para a dor.
10. Angela Bretas
Um poetrix com várias interpretações , me fez abrir o baú da memória e me levou às letras de Cora Coralina : “Sou feita de retalhos. Pedacinhos coloridos de cada vida, que passa pela minha ...”
O poetrix “Agulha Mágica” retrata retalhos cotidianos , bordados passo a passo, dia a dia, sangrando realidades da vida... Parabéns ao autor(a)
*tbem mudaria o último verso como sugeriu a Rosa.
** foi falado que aqui na Berlinda não é para interpretar e sim analisar o poetrix como um todo ; entretanto é complexo analisar sem interpretar primeiro , um ato complementa o outro .
REVELAÇÃO DO AUTOR E SEUS COMENTÁRIOS
Lílian Maial: A autora do poetrix é Aila Magalhães, que falará um pouquinho sobre ele e avaliará as sugestões apresentadas.
Aila Mag: Oi, pessoal... Obrigada pelos comentários. Concordo com a mudança no terceiro verso... fica melhor sob todos os aspectos (e adotarei a sugestão). Há anos atrás escrevi um poetrix parecido, no qual me referia às bordadeiras de ofício. Neste, vários captaram a metáfora da flor sangrante. Sim, a infância violada, que choca e marca para sempre, mas continua acontecendo cada vez mais cedo. Não trocarei "a bordar" por bordo (talvez borda, pensarei), pois quis assumir a condição de observadora e referenciar a continuidade do processo (a bordar - terceira pessoa) sobre o qual por vezes não há como intervir. Novamente, muito grata pelas intervenções. Abraço!
Mais uma coisinha que esqueci: Com o título, "agulha mágica", quis reforçar a ideia de como um agressor se aproxima de sua vítima (normalmente ganhando a confiança e afastando a ideia de perigo de verdadeira "agulha".
O poetrix ficou assim:
AGULHA MÁGICA
Aila Magalhães
Ponto a ponto
a bordar pistilos delicados
Sangra flor
