quinta-feira, 25 de dezembro de 2025

Discurso de Posse de Paulo Soroka - cadeira 32

 Ilustre presidente da Academia Internacional Poetrix, prezados confrades e confreiras,

“A luz nasce no instante em que descobrimos que somos mais que a nossa sombra.”


A citação de Rabindranath Tagore evoca o delicado movimento humano entre trevas e claridade. Todos nós sabemos, por experiência íntima, que alcançar a luz muitas vezes exige atravessar longos e sinuosos caminhos. Somos feitos de travessias. A minha escrita poética nasce justamente nesse espaço — no território do inefável, onde aquilo que ainda não tem nome começa a ganhar forma. Impelido pela urgência de expressar o que arde na alma, poetas garimpam palavras: quando elas não bastam, nós as inventamos. E, quando nem isso é possível, sustentamos o silêncio pelo tempo necessário. Sustentar o silêncio é possível quando se descobre que ele tem voz — mesmo que, por longos períodos, a voz do silêncio possa se mostrar inaudível.

Sempre fui apaixonado por palavras e também pelo silêncio. Talvez por isso, ao longo da minha formação médica na Universidade Federal do Rio Grande do Sul, tenha descoberto a vocação para a psiquiatria. Mais tarde, já psiquiatra, compreendi que ainda havia muito a desvendar da condição humana — essa permanente oscilação entre luz e sombra, palavra e silêncio. Isso me levou à formação psicanalítica na Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre, cidade onde construí minha vida.



ECOS DOS DIAS

Fios infindos tecem momentos
Sinfonia de memórias afaga a alma
Tempo dança entre suspiros

Ainda que a escrita sempre estivesse presente em mim, ver meus poemas ganhando forma impressa aconteceu mais tarde. Meus três primeiros livros vieram em rápida sucessão, justamente no período da pandemia — talvez porque havia muito por ser dito, por ser descoberto, por emergir. A trilogia é composta por Um poema a cada dia para fazer a travessia; Quando o mundo voltar a girar; e Outro primeiro dia.

Quando conheci o poetrix, há alguns anos, senti de imediato a potência desse formato minimalista em que o dito e o não dito convivem, ressoando nas linhas e, sobretudo, nas entrelinhas. Foi apenas questão de tempo até que eu chegasse à Confraria Ciranda Poetrix, onde encontrei talentosos poetrixtas e novas amizades que se tornaram parte essencial da minha trajetória.

Na Confraria, mergulhei na escrita do poetrix, que passou a ocupar um lugar de destaque na minha vida criativa. Escrever tornou-se ainda mais vital. Escrever é respirar. Escrever é viver.

Participei de antologias e escrevi dois livros de poetrix solo: Versos Mínimos Poetrix e Instante Eterno — Sopros Poéticos, este último com publicação prevista para janeiro próximo.

Hoje, o tão almejado ingresso na Academia Internacional Poetrix é mais uma etapa dessa travessia. Se antes era sonho, agora é destino — e também um novo ponto de partida, que acolho com alegria plena, pronto para viver novos primeiros dias.

Assumo, com honra e responsabilidade, a Cadeira 33, cujo patrono é o amazônida Thiago de Mello, um dos maiores poetas brasileiros do século XX. É uma alegria e uma responsabilidade caminhar sob a luz de um poeta que dedicou sua vida à dignidade humana, à liberdade e à poesia como gesto de justiça.

Amadeu Thiago de Mello nasceu em 1926. Sua infância foi marcada por uma relação visceral com a floresta, os rios e a cultura de seu local de origem. Já vivendo no Rio de Janeiro, participou de círculos literários e iniciou sua carreira como escritor. Seu poema mais famoso, Os Estatutos do Homem (Ato Institucional Permanente), foi escrito após o Golpe Militar de 1964. Uma das vozes mais autênticas da poesia latino-americana, ele se tornou um símbolo da resistência democrática. Nele, o poeta decreta princípios de humanidade, liberdade, solidariedade e alegria, tendo se tornado um dos poemas brasileiros mais citados e celebrados.

“Fica decretado que agora vale a verdade.” “Fica decretado que todos os dias da semana, inclusive as terças-feiras mais cinzentas, têm direito a converter-se em manhãs de domingo.”

Durante o exílio no Chile, manteve amizade e um rico intercâmbio com Pablo Neruda. Ao retornar ao Brasil, fixou residência em Manaus. Publicou mais de 40 livros — poesias, ensaios e traduções. Sua obra foi traduzida para mais de 30 idiomas. Poeta da esperança, faleceu em 2022, aos 95 anos, deixando um legado a todos aqueles que acreditam que a poesia pode iluminar vidas e transformar o mundo.



AUTENTICIDADE

Ser singular na essência
Compor trilha autoral
Tatuar impressões digitais

Profundamente emocionado por ter como patrono poeta de tamanha envergadura, desejo que minha participação na AIP — cujo compromisso com a liberdade de expressão e a ética é inequívoco — possa contribuir à divulgação do poetrix, não apenas como importante manifestação cultural, mas também como veículo de transformação social. Ao assim fazê-lo, espero fazer jus ao legado de Thiago de Mello, mantendo luminosa a chama que ele um dia acendeu.

Agradeço o acolhimento da Academia Internacional Poetrix e a confiança em mim depositada. Ingressar nesta casa, mais do que ter minha escrita poética reconhecida, é um chamado. Um chamado para seguir adentrando a alma humana — suas luzes e suas sombras. Que o somatório

de nossas vozes, honrando o legado de Amadeu Thiago de Mello, possa ampliar os horizontes do poetrix! Que a poesia seja sempre um farol na escuridão!



PARA ALÉM DA ESCURIDÃO

Sonhos navegam incertezas 
Desejos cavalgam temores 
Amanheço esperanças


Muito Obrigado!

Poetrix de Paulo Soroka



À SOMBRA DA SEQUOIA

Delimites da imaginação
Galhos são braços que abraçam
Raízes são colo de mãe


GUARDAR CONSIGO

Instantes são nuvens passageiras
Segundos mergulham no tempo
Desejos são artesãos de memórias


Paulo Soroka

Biografia de Paulo Soroka

 



Paulo Soroka, filho de Chaim Soroka e de Rosa Wulff Soroka, do sexo masculino, nascido em Porto Alegre, a 14 de dezembro 1959. Reside em Porto Alegre.

Apresento inicialmente informações a respeito de minha atividade profissional.

Cursei a faculdade de Medicina da Universidade Federal do Rio Grande do Sul. Fiz a residência médica em Psiquiatria no Hospital de Clínicas de Porto Alegre, vinculado àquela Universidade.

Posteriormente, ingressei na formação psicanalítica na Sociedade Psicanalítica de Porto Alegre, de cujo Instituto sou membro.

Sou docente e supervisor do ITIPOA – Psicanálise e Criatividade, bem como coordenador do Curso de Formação em Psicoterapia de Orientação Psicanalítica de Adultos 60+ nesta instituição de ensino. Sou professor convidado no Instituto W. Bion.

Descobri anda na infância o prazer da escrita. À época escolar, participei de concursos literários, tendo sido premiado.

Sou autor de Um poema a cada dia para fazer a travessia, Quando o mundo voltar a girar e Outro primeiro dia Estes três livros de poemas livres foram escritos durante o período da pandemia.

Entendi ser urgente, especialmente naquele momento, alcançar poemas às pessoas. Nesse empenho, desenvolvi projeto literário nos parques e praças de Porto Alegre.

Sou autor de Versos Mínimos - Poetrix, pocket que integra coleção organizada pela Confraria Ciranda Poetrix. Participei da Antologia Pérolas II, da Agenda Poética 2025 e do Pérolas III (no prelo). Meu novo pocket, Instante Eterno - Sopros Poéticos, que integra a nova coleção organizada pela Confraria Ciranda Poetrix, tem publicação prevista para janeiro de 2026.

Sou acadêmico da Confraria Ciranda Poetrix, da Academia de Letras do Brasil - seccional RS, da Federação Brasileira dos Acadêmicos de Ciências Letras e Artes e da Sociedade Brasileira de Aldravianistas. Participei de antologias organizadas por três destas associações literárias.

Tenho poema na Antologia “A vida é mais tempo alegre do que triste”, publicada em Portugal.

Fui premiado em Concurso de Trovas de Nova Friburgo (2022) e concurso realizado pela FALARJ em 2023, em duas categorias. Em 2023 fui classificado em concurso para ingressar na Confraria Ciranda Poetrix.


• São os seguintes os links de minhas páginas no Instagram, em que tenho por hábito postar poetrix e vídeos poéticos:

https://www.facebook.com/share/1FopxkfABR/

https://www.instagram.com/travessiascompaulosoroka?igsh=MWZkaTQzbGtlcHM2dw==

https://www.instagram.com/paulosoroka?igsh=MW5sb2l4cGx6NmRkNA==

• Os seguintes links remetem a vídeos poéticos criados a partir de poetrix de minha autoria:

https://www.instagram.com/p/DHd1KKROAOX/

https://www.instagram.com/p/DGbezJ8PMVt/

https://www.instagram.com/p/DCrYfBDOtWL/

https://www.instagram.com/p/DEFgfLWuu74/

https://www.instagram.com/p/DGnuYXKOrJX/

https://www.instagram.com/p/DAtOzAyuEgH/


• Escolhi os seguintes poetrix como exemplares do meu estilo de escrita:


SOLIDÃO

Chora alma plena de vazios
Borbulham afetos míopes
Silêncio busca ecos de outrora

ETERNIDADE

Brinco de vai-e-vem no tempo
Lembranças bailam no infinito
Festa no quintal da memória

CORPO E ALMA

Olhos gritam silêncios
Pele é mapa de viagens
Sentidos garimpam vida


Cordialmente,

Paulo Soroka

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

Poetrix de Valéria Pisauro


SEM AÇÃO

Adverbializou a vida
Possessivos a incomodavam
Rasgou o verbo.


DESCOLOR(AÇÃO)

Dentes de ferro mastigam o verde
Lençóis cinzas cobrem a natureza
Azul só observa.


(AMAR)ELOU

Olhos verdes de esperança
Ver-te é paraíso
Inferno contradiz.


Valéria Pisauro

Grafitrix de Lílian Maial


 

Poetrix de Lílian Maial

MULHERES VIVAS

XX dão à luz seus algozes
alfabeto esquisito
morte se escreve com XY


BASTA!

homens odeiam, matam
mulheres amam, morrem
4 por dia, poder público de 4


LUAS VIVAS

o sol não mata a lua
o dia não teme a noite
outro amanhecer virá


lílian maial

sábado, 20 de dezembro de 2025

Poetrix de Oswaldo Martins

MANCHAS PELO CORPO FRÁGIL

roxo vindo de pancadas
corpo de delito vero
covardia intolerável


MACHISMO ABOMINÁVEL

vomitados palavrões
malvadezas contra a vida
crime de feminicídio


DESRESPEITO À MULHER

linda e presa em falso lar
visto em vida sofredora
humanismo não tolera


VIS MODOS ANIMALESCOS

contra a mulher desarmada
medo do homem agressor
vergonhosa ação mor(t)al


Oswaldo Martins

Poetrix de Angela Ferreira


PROFANUS SECARE


nutrição gerada do feminino
filhos nas tetas ignoradas
vítima na boca do mundo



OMISSÃO

pela fresta corrobora mudez
frisson da pupila cega
solidifica-se a alma da impunidade


@Angela Ferreira

quinta-feira, 18 de dezembro de 2025

Poetrix de Marília Tavernard



VIAGEM

Saudade dos distantes
Os de perto choram partida
Vou mas o coração fica


FÉRIAS

Pé no freio
Descanso ri abertamente
Praia, calor e cerveja


REGIÃO SERRANA

Partiu frio!
Calor já basta aqui
Teu corpo, meu agasalho


Marília Tavernard

Poetrix de Andréa Abdala



LEOA E O RAPAZ 
(Gerson de Melo Machado)


Sonhou ser domador
Fez da jaula um trampolim
Adestrou-nos a consciência


BATALHA EXISTENCIAL


Malha nervosa aqui pulsa
Neurônios em novelos
Pensamentos revoltosos



Andréa Abdala

quarta-feira, 17 de dezembro de 2025

Poetrix de Luciene Avanzini


EFÊMERAS HERANÇAS

rastros moldam a terra
sombras alongam fendas
sinais tatuam memórias


ENCANTAMENTO

O tempo planta raízes no abismo
A história se dobra em labirinto
Vaso de ossos guarda o vazio


ALVENARIA INTERIOR

Raízes tecem a rocha em segredo
Corpo d'água esculpe amanhãs
Ombros carregam o céu, sem ruído


Luciene Avanzini

Grafitrix de Marilda Confortin




 

Poetrix de Dirce Carneiro


VATE

Foge o verso
cavo poesia na pedra
Adeus! Não...a Deus


HARDY & LIPPY

Ó céus, ó vida, ó azar
Escolha vibrar a corda
É copo cheio ou vazio?


BARBARIDADE, CHE! DISTÂNCIA DE MINEIRO

É logo ali
Beicinho esticado
E toca andar léguas


SAMPA

Cidade que não para
Só um beijinho, time is Money
Quem chega diz: Virgem!



Dirce Carneiro

Poetrix de José de Castro



NOS BRAÇOS DE NIX

Versos cochilam
Dormem as estrofes
Sonhos-poesia Morfeu apascenta



STOP MOTION

Eu você, beijo na chuva
Um relâmpago fere o céu
Abraço iluminado de susto



OUSADIA

Olhos vivos, coração pulsante
Quantos tsunamis por dentro?
Sem medo, me abismo


TRANSMUTAÇÕES

Ontem, sorriso de sol
Hoje, lágrima de chuva
Amanhã, tempestade me abriga


José de Castro

Poetrix de Sandra Boveto



VIGÍLIA

dormir em tempo
tem hora que não passa
me esqueci de sonhar


BALANÇO DE FIM DE ANO

últimas braçadas
fôlego não é nada
ninguém ficou no mar

Sandra Boveto