quarta-feira, 29 de janeiro de 2025

Barulho do Silêncio por Pedro Cardoso



Barulho do silêncio

morto acorda calado
afaste de mim esse cale-se
meu silêncio é grito


Ximo Dolz




Assim que me deparei com o título, fiquei imaginando o que seria o Silêncio do Barulho. Isto fez-me recordar uma afirmação de Friedrich Nietzsche: "Quem gosta de abismos tem que ter asas". E quem percebe, sente o silêncio. É necessário ter o quê? Talvez a insanidade dos poemas. Um título de grande impacto.

O verso inicial afirma: "morto acorda calado". Não entendo o que o autor pretendia expressar com essas três palavras. Provavelmente, nem ele teria interesse em me contar. Este verso é de uma dureza sem fim, ultrapassa a minha realidade, me sufoca!

O segundo verso é "afasta de mim esse cale-se". O autor está pedindo que afaste dele o silêncio, ele não quer ficar calado. No terceiro verso, ele explode: "meu silêncio é grito".

É importante observar que todas as palavras do poetrix estão interligadas. É como se fosse uma corrente.


Pedro Cardoso

terça-feira, 28 de janeiro de 2025

Grafitrix Luciene Avanzini


 

Poetrix de Luciene Avanzini


ECOS DA LIBERTAÇÃO 

no peito, um pássaro aprisionado
grilhões desfeitos rompem a aurora
sorrisos desnudos dançam libertos


 DARKNESS  

na noite intensa, me escondo
na luz fugidia, me esfarelo
na sombra mascarada, deliro


MÁSCARA PROFUNDA 
 
rasga o tempo em silêncios
despe almas em fragmentos
olhares ocultam verdades

Luciene Avanzini

Poetrix de José de Castro


CASULO 

No inverno, recolho-me
Poesia me abriga 
Dormem as palavras


ETERNITUDE

Outonos e verões vão e vêm
Invernos passam 
Poesia primavera


OUTRAS ÁGUAS 

Um dia, fui rio
Hoje, palavras me navegam 
Sou poesia 


VIDA BOÊMIA

Tu vinhas
Eu te trago
Nus, embebedamo-nos

José de Castro

segunda-feira, 27 de janeiro de 2025

Duplix Andréa Abdala e Claudio Trindade

 


A ESCRITA QUE SOU // LETRAS E TINTAS 


Grafites falam à alma // aquarela desenha vida

Confessam-me as palavras // segredos coloridos

Pingam emoções no papel // dançam versos aos olhos



Andréa Abdala e Claudio Trindade

Vídeotrix de Gilvânia Machado


 

sexta-feira, 24 de janeiro de 2025

E Nunca Mais... por José de Castro


E NUNCA MAIS...

Por José de Castro


Ela era a mais linda mulher que eu jamais vira em minha vida. Como num sonho, contemplei-a deslocando-se etérea como um anjo, a desfilar toda a sua graça pela praia. Ondas preguiçosas lambiam seus pés, seus cabelos voavam à brisa daquele fim de tarde. Um halo de luz dançava nos seus longos caracóis dourados.

Aquela mulher era tudo o que um homem sonhou ou imaginou. Tudo o que um homem espera contemplar em uma mulher. E algo mais. Trazia um ar enigmático, um quê de princesa e fada.

Como o vento, passou. Deixou apenas aquela imagem nítida, marcada para sempre na minha retina. Nunca mais a vi. Até hoje, ainda fico pensando: teria sido realidade ou sonho?

Por isso, volto àquela praia quase todos os finais de tarde, sempre naquele mesmo horário. Quem sabe os desígnios que o destino me reserva? A esperança, dizem, é a última que morre.

Eu só não entendo uma coisa: por que eu não tive coragem de abordá-la, de dizer um “olá, boa-tarde... Posso caminhar um pouco ao seu lado?”

Ah, se arrependimento matasse! Mas, fazer o quê? Penso que tive medo de desfazer a magia daquele instante. Na verdade, eu não queria descobrir ou perceber algo que não combinasse com o mistério que a envolvia.

É isso: eu não quis estragar o encanto que me alumbrava naquele momento. Assim, poderia guardá-la intacta em minha mente, como num cofre para sempre selado: uma deusa sem mácula, um anjo de beleza infinita desfilando ao pôr do sol, uma recordação perfeita, feito uma dama eternizada numa tela de Édouard Manet.


José de Castro, cadeira 11 AIP





Grafitrix de Diana Pilatti



 Poetrix do livro As Cinzas, de Diana Pilatti (Editora Caligo, 2024)

Imagens: Canva

Poetrix de Valéria Pisauro



POVO ACORDADO

Orvalham interjeições
Coro azul agridoce ecoa
Resistência em um só tom.


ESPERANÇA SEM FIM

Rasgo calendários
Asas cortadas não voam
Sem sigilo, resisto.


CAMINHOS ESTREITOS

Ano Velho dobra o pio
Sol cavalga em claves
Passado é fardo na garupa.


METAMORFOSE

Novo ciclo transforma
Forma transborda
Re_nova_ação.


Valéria Pisauro


Poetrix de Oswaldo Martins



FOME? – NUNCA EM VIDA NOSSA!

tem o povo um Deus-colosso...
nossa glória, História nossa
bom Natal sem fila do osso!



FALO RETO OU MESMO TORTO

firme? - nada, um mata-anelo!
nunca aporta em quente porto
corpo? - tem sarado e belo!


Oswaldo Martins

segunda-feira, 20 de janeiro de 2025

Poetrix de Dirce Carneiro


OURO DE FERNANDA

Olhamos o alto de Torres
Contemplamos a Arte
É cinema, a tela da vez



AQUI-PRESENTE!

Olho passado 
Esperançava futuro 
Sempre foi agora



À SOMBRA DOS PEQUIZEIROS
 
Janeiro é recomeço 
Criança veio à luz
Vida sob signo de pequi

Dirce Carneiro

Poetrix de Angela Ferreira


FOLIA DOS REIS NA CÂMARA MUNICIPAL

máscaras, bandeiras, fuxicos
olhares tortos, desacordos
dançam cadeiras, latrinas e o povo



6 DE JANEIRO

folia de reis, alegria
festiva data comemorativa
vida, eterno presente



RAIO DE  LUZ

infinito tom vermelho solar
de ouro o globo reluz
Brasil, sobrenome Torres

Angela Ferreira

sábado, 18 de janeiro de 2025

Poetrix de Sandra Boveto


FASTIO DAS FALAS

o silêncio me ecoa
falo na entrelinha da voz
que a lucidez me ouça



LEITO DA NOITE

ferida por lâminas cegas de luzes
cortantes são os dias
o escuro cuida e cura


Sandra Boveto 

Grafitrix de Francisco José


 

quinta-feira, 16 de janeiro de 2025

Poetrix de Goulart Gomes



O sabor do ouro

delta, Vênus ou Esfinge
fértil Nilo
fios, do ventre ao mamilo


O gosto do silêncio

o vento uiva na fresta
olhos tateiam a sombra
inverno interno


O aroma dos acordes

ouço os toques
deslizo pelas cordas
solo


Goulart Gomes 


Do livro: Antologia Poetrix 9 - 25 Anos, 2024