CRÈME DE LA CRÈME
Tudo o que é de fora, é bom
A colônia persiste, neva no Natal
Poema tropical sua para soar
Dirce Carneiro
LOAS E LENDAS
Murros em ponta de faca
Água mole em pedra dura, cansa
Ser rocha, mesmo assim, verte o verso
Dirce Carneiro
MINHA HISTÓRIA, HIT ALEGÓRICO
Amor de marinheiro
Olhar perdido no cais
O fruto bendito sem pai
Dirce Carneiro
(Comp. Chico Buarque)
ACHADOS E PERDIDOS
Na reta, perde a sintaxe
Sentido acena depois da esquina
Saudações, enjambement
Dirce Carneiro
SEM ECOS
Voz dissonante fala
o que se ouve, fere
a sintonia treme
Dirce Carneiro
OLOR JUVENIL
Breve brisa beija
A face rubra-se
Em tons de rosa, deseja
Dirce Carneiro
EM PARTES
Livre caminho
Aonde vou levo-me
Eu inteira, parto
Dirce Carneiro
PORTA ABERTA
Passarinho deu a senha
Voar solta o que te ata
Puxa a ponta do nó----
Dirce Carneiro
SENTADO NA PRAÇA EM SIDNEY, UM NEGRO BÊBADO PEDIA
Numa terra distante, eu vi
Ele olhou-me nos olhos
Travei, meu país estava ali
Dirce Carneiro
(Esses habitantes da Austrália de pele escura são os aborígenes, o povo originário)
MEU POEMA, MINHA RÉGUA
Nos meus versos livres, fatio
A torta linha do tempo, traço
Multiplico os enjambements
Dirce Carneiro

A Dirce Carneiro usa muito bem as palavras para expressar mensagens de alta densidade poética. Aprecio demais a escrita dela... Parabéns, poeta.
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