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quarta-feira, 16 de setembro de 2026

Dez Poetrix de Dirce Carneiro

 


 

CRÈME DE LA CRÈME


Tudo o que é de fora, é bom

A colônia persiste, neva no Natal

Poema tropical sua para soar


Dirce Carneiro



LOAS E LENDAS


Murros em ponta de faca

Água mole em pedra dura, cansa

Ser rocha, mesmo assim, verte o verso


Dirce Carneiro



MINHA HISTÓRIA, HIT ALEGÓRICO 


Amor de marinheiro

Olhar perdido no cais

O fruto bendito sem pai


Dirce Carneiro

(Comp. Chico Buarque)



ACHADOS E PERDIDOS


Na reta, perde a sintaxe

Sentido acena depois da esquina

Saudações, enjambement


Dirce Carneiro



SEM ECOS


Voz dissonante fala

o que se ouve, fere

a sintonia treme


Dirce Carneiro



OLOR JUVENIL


Breve brisa beija

A face rubra-se

Em tons de rosa, deseja


Dirce Carneiro



EM PARTES


Livre caminho

Aonde vou levo-me

Eu inteira, parto


Dirce Carneiro



PORTA ABERTA


Passarinho deu a senha

Voar solta o que te ata

Puxa a ponta do nó----


Dirce Carneiro



SENTADO NA PRAÇA EM SIDNEY, UM NEGRO BÊBADO PEDIA


Numa terra distante, eu vi

Ele olhou-me nos olhos

Travei, meu país estava ali


Dirce Carneiro

(Esses habitantes da Austrália de pele escura são os aborígenes, o povo originário)



MEU POEMA, MINHA RÉGUA


Nos meus versos livres, fatio

A torta linha do tempo, traço

Multiplico os enjambements


Dirce Carneiro


Um comentário:

  1. A Dirce Carneiro usa muito bem as palavras para expressar mensagens de alta densidade poética. Aprecio demais a escrita dela... Parabéns, poeta.

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